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TV Cultura

Rede de televisão pública brasileira

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A TV Cultura é uma estação de televisão pública brasileira sediada na cidade de São Paulo. Pertencente ao Governo do Estado de São Paulo, sob a manutenção da Fundação Padre Anchieta (FPA), é geradora de uma rede nacional integrada por emissoras não comerciais de vários estados do Brasil.

Inaugurada como uma estação comercial em 1960 pelos Diários Associados, foi repassada ao governo paulista em 1967, retomando as transmissões dois anos depois sob a administração da FPA. Desde então, tem desempenhado papel relevante na produção e difusão de conteúdos voltados à educação e à cultura, com programas de destaque em gêneros como jornalismo, documentários e atrações infantis, consolidando-se como uma das principais emissoras públicas do país.

Administração dos Diários Associados (1960–1967)

Em 1958, os Diários Associados recebem do governo a concessão do canal 2 de São Paulo. No dia 20 de setembro de 1960, entra no ar a TV Cultura, com o slogan "um verdadeiro presente de cultura para o povo" e com o logotipo C2 Cultura e uma indiazinha desenhada no centro. A implantação da emissora, para evitar interferências técnicas, fez a TV Tupi mudar do canal 3 VHF para o 4 VHF.

A TV Cultura iniciou suas operações com um estúdio de 30 m² instalado no décimo quinto andar do Edifício Guilherme Guinle, na Rua 7 de Abril, 230, que foi o mesmo estúdio onde a TV Tupi iniciou suas transmissões. Os técnicos e os atores eram da TV Tupi e, além disso, sua antena no alto do Banespa (Edifício Altino Arantes) também era a antiga antena da TV Tupi, pois já transmitia seu sinal pela Torre Assis Chateaubriand, no bairro do Sumaré. Os Diários Associados colocaram o canal 2 no ar com pouca divulgação, de forma que muitos nem souberam de seu lançamento.

No início das transmissões da TV Cultura, José Duarte Jr. era o seu diretor artístico e comercial da emissora, sendo que depois foi substituído por Mário Fanucchi. Fanucchi foi um dos primeiros "vinheteiros" do Brasil e o inventor do indiozinho da TV Tupi. Na época ainda não existia o video-tape, de forma que a programação da TV Cultura nunca foi a mesma da TV Tupi como muitos imaginam, pois na verdade tinha seus próprios estúdios e profissionais.

Entre os profissionais da TV Cultura estiveram Ney Gonçalves Dias, Fausto Rocha, Xênia Bier, Carlos Spera e Jacinto Figueira Júnior - que criou o Homem do Sapato Branco, primeiro programa popular da TV Cultura.

Em 1963, os Diários Associados formam parceria com o Governo do estado de São Paulo e com o SERTE (Serviços de Educação de Rádio e Televisão), que dariam origem a dez horas de programação educativa na emissora.

Em 28 de abril de 1965, um curto-circuito no 15º andar do Edifício Guilherme Guinle, na Rua 7 de Abril, 230, provocou um incêndio onde era o estúdio da TV Cultura dos Diários Associados. Pouco se salvou deste incêndio, onde inclusive perdeu-se a primeira câmera de TV do Brasil da Rede Tupi (câmera TK-30 de 80 quilos).

Devido ao incêndio, os programas da emissora foram provisoriamente produzidos em um estúdio da TV Tupi no Sumaré. Em 1966 a TV Cultura se instala em um bosque próximo a Freguesia do Ó, ao lado da Lagoa Santa Marina - ambos no bairro de Água Branca. Ali criaram a competição Acqua-Ringue, que era uma luta de boxe que fazia vencedor aquele que jogava o outro na água.

Com a mudança para a nova sede, mais despesas acabaram se acumulando, sendo que o incêndio de abril de 1965 foi o pivô de toda esta situação, colaborando desta forma para a venda da TV Cultura. Assis Chateaubriand decide então vender a TV Cultura para o Governo do Estado de São Paulo e também as suas novas instalações na Água Branca.

Administração da Fundação Padre Anchieta (1967–presente)

Em 1967, como uma forma de contornar a crise financeira por dívidas que começava a abater o conglomerado, os Associados puseram a venda a rádio e a TV Cultura juntamente a uma outorga de FM e três de ondas curtas. Única inscrita em um edital de concorrência pública do Governo de São Paulo, que, sob o mandato de Abreu Sodré, pretendia comprar estações para formar um centro de rádio e televisão educativos, a Rádio Cultura S/A foi adquirida pelo estado por 3,5 milhões de cruzeiros novos.

O governo paulista criou em 26 de setembro daquele ano a Fundação Padre Anchieta, entidade de direito privado cujos conselho curador seria formado por representantes de instituições paulistas públicas e particulares ligadas à cultura e à educação, para a qual os novos canais foram doados. Visando inaugurá-los com novos equipamentos, o estado cobrou setenta centavos da população paulista para a sua reestruturação.

A TV Cultura encerrou sua operação como estação associada em 7 de dezembro, data em que a escritura de compra e venda das ações foi assinada, anunciando, em mensagem veiculada ao público, a retomada das atividades em seis meses para viabilizar a instalação de sua nova aparelhagem e o treinamento com membros da equipe técnica. A emissora, no entanto, voltou a emitir sinal apenas em 7 de abril de 1969, em caráter experimental, com seu novo logotipo, criado pelo arquiteto João Carlos Cauduro, posto no ar pelo governador.

O governo começa então a aterrar a Lagoa Santa Marina na Água Branca, criando ruas, fábricas e prédios a sua volta. É construída então a nova sede da TV Cultura na Rua Carlos Spera, 179 (nome do jornalista da TV Cultura em sua fase nos Diários Associados e também da TV Tupi), e com saídas laterais pela Rua Cenno Sbrighi, 378 e Rua Vladimir Herzog, 74.

Após quatro meses de transmissões experimentais que iniciaram no dia 4 de abril, foi reinaugurada a TV Cultura às 19h30 do dia 15 de junho, com a apresentação dos discursos do então governador, Abreu Sodré e do presidente da Fundação Padre Anchieta, José Bonifácio Coutinho Nogueira (que posteriormente veio a fundar a EPTV, rede de quatro emissoras afiliadas à Rede Globo no interior de São Paulo e no Sul de Minas Gerais). Em seguida, foi exibido um clipe mostrando o surgimento da emissora, os planos para o futuro e uma descrição dos programas que passariam a ser apresentados a partir do dia seguinte. Além disso foi exibida uma fita com o Papa Paulo VI dando bênção à TV Cultura.

O primeiro programa a ser exibido pela Cultura foi o documentário Planeta Terra, no dia 16 de junho, às 19h30, que trazia como tema terremotos, vulcões e fenômenos que ocorrem nas profundezas do planeta. Em seguida, às 19h55, foi levado ao ar um boletim meteorológico chamado A Moça do Tempo, apresentado por Albina Mosqueiro. Às 20h iniciava uma série chamada de Curso de Madureza Ginasial (onde Ruth Cardoso, ex-primeira-dama presidencial era uma das professoras que dava aula pela televisão), sendo um dos seus maiores desafios o de provar que uma aula transmitida por televisão poderia ser, ao mesmo tempo, eficiente e agradável.

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