Teobaldo (em inglês: Theobald ou Tedbald; em francês: Thibaut du Bec; em latim: Theobaldus Beccensis) foi arcebispo de Cantuária entre 1139 e 1161. De origem normanda, não se sabe exatamente onde e nem quando nasceu. Em algum momento no final do século XI ou início do século XII, Teobaldo tornou-se monge na Abadia de Bec e foi eleito abade em 1137. O rei Estêvão da Inglaterra escolheu-o para a posição de arcebispo em 1138. Entre outros eventos importantes de seu episcopado, a crise sobre a reivindicação de primazia sobre o clero de Gales foi resolvida quando o papa Eugênio III decidiu, em 1148, a favor de Cantuária. Teobaldo enfrentou desafios à sua autoridade de um bispo subordinado, Henrique de Blois, que era irmão mais novo de Estêvão, e sua relação com o rei foi sempre turbulenta. Em certa ocasião, ele chegou a proibi-lo de comparecer a um concílio papal, mas Teobaldo o desafiou e acabou exilado temporariamente e teve suas propriedades confiscadas. As relações de Teobaldo com clero da catedral e com as casas monásticas de sua arquidiocese também eram difíceis.
Servindo durante o as turbulências do reinado de Estevão, Teobaldo conseguiu forçar a paz ao rei ao recusar consagrar seu filho e herdeiro, Eustácio (Eustace). Depois da morte deste em 1153, Estêvão reconheceu seu rival, o jovem Henrique de Anjou como herdeiro e, depois da morte do rei, Teobaldo foi nomeado regente dele. Teobaldo morreu em 1161 depois de uma prolongada enfermidade e todos os esforços para canonizá-lo depois fracassaram.
Teobaldo foi o patrocinador de seu sucessor, Thomas Becket, e diversos futuros bispos e arcebispos serviram como seus secretários. Durante seu mandato, Teobaldo aumentou os direitos de sua sé. Historiadores de sua época e posteriores se dividem sobre sua personalidade e sua história é frequentemente obscurecida pela fama de Becket.
A família de Teobaldo era da região de Thierville, perto de Le Bec-Hellouin, no vale do rio Risle. O historiador moderno Frank Barlow especula que Teobaldo pode ser um parente distante de Thomas Becket, cuja família era também da mesma região. A data exata de seu nascimento é desconhecida e a única pista sobre sua idade é o fato de seus contemporâneos o terem considerado velho quando morreu em 1161, o que sugere uma data de nascimento perto de 1090 segundo um historiador moderno. Seu pai teria sido um cavaleiro, mas nenhuma fonte revela seu nome. Seu irmão, Walter também era padre e foi depois consagrado bispo de Rochester.
Teobaldo entrou para a Abadia beneditina de Bec, na Normandia, no final do século XI ou início do século XII durante o mandato de William, o terceiro abade. Contudo, como o mandato de William foi longo (1096 – 1124), novamente há uma grande variedade possível de datas possíveis. Teobaldo foi o 266º monge admitido no período de William de um total de 346, o que levou o historiador Avrom Saltman a propor que, se as admissões tiverem ocorrido de maneira uniforme durante o mandato de William, Teobaldo teria se tornado monge por volta de 1117, mas ele próprio qualifica esta estimativa como "parecendo ser um pouco tarde".
Em 1127, Teobaldo foi nomeado prior de Bec logo depois que Boso sucedeu a William como abade. Boso morreu em junho de 1136 e, no ano seguinte, Teobaldo assumiu o posto depois de ter sido eleito pelos monges da abadia por unanimidade. Porém, eles não consultaram antes o arcebispo de Ruão, Hugo de Boves, que ameaçou anular o resultado. Audoen, o bispo de Evreux e irmão de Thurstan, o arcebispo de Iorque, interveio e convenceu Hugo a ratificar a eleição. Outro problema logo surgiu, porém, quando ele exigiu uma declaração de obediência por escrito e Teobaldo se recusou a entregar alegando que nenhum abade estava obrigado a fazê-lo. Teobaldo resistiu por 14 meses até que uma solução de compromisso foi alcançada através da intercessão de Pedro, o Venerável, o abade de Cluny: Teobaldo faria uma declaração verbal de obediência a Hugo.
Não existem documentos sobre o período de Teobaldo como abade e não há informações sobre a administração do mosteiro durante o período de seu mandato, exceto a indicação de que 47 monges foram admitidos em Bec no período. Teobaldo viajou a Inglaterra para supervisionar as terras da abadia por lá pelo menos uma vez, uma viagem que ocorreu pouco antes de sua nomeação como novo arcebispo de Cantuária em 1138.
Em 1138, o rei Estêvão da Inglaterra escolheu Teobaldo para o posto de arcebispo de Cantuária, preterindo seu próprio irmão, Henrique, que era bispo de Winchester e o havia ajudado a conseguir o trono. Estêvão temia que ele se tornasse poderoso demais e tentasse controlar o reino. A eleição ocorreu em 24 de dezembro e Estêvão estava presente juntamente com o legado papal, Alberico de Óstia, e um pequeno grupo de barões e bispos; Henrique não participou pois estava supervisionando a ordenação de diáconos. A maior parte dos historiadores defende que Estêvão organizou o evento para que ocorresse justamente numa época que Henrique não pudesse participar. Este, por sua vez, acreditava que Teobaldo havia sido escolhido não apenas por causa dos temores de Estêvão, mas também por que Waleran de Beaumont, o patrocinador de Bec, estaria tentando colocar um dos seus aliados num dos postos mais poderosos do Reino da Inglaterra. Waleran e seu irmão gêmeo, Roberto de Beaumont, 1º conde de Leicester, eram os principais adversários de Henrique pelas graças de Estêvão e, por isso, ele detestava os dois. Embora Teobaldo fosse pio e bem educado, havia se tornado abade apenas um ano antes e sua eleição foi provavelmente mais influenciada pela reputação de seu mosteiro, que já havia produzido dois arcebispos de Cantuária, Lanfranco e Anselmo, do que por seus próprios méritos. Ele próprio não tinha conexões familiares importantes e seus aliados no clero eram poucos.
Teobaldo foi consagrado em 8 de janeiro de 1139 pelo legado Alberico de Óstia e viajou em segunda para Roma para receber seu pálio, aproveitando para participar do Segundo Concílio de Latrão. Como arcebispo, seu comportamento foi menos político que o de Henrique, seu principal rival, que havia foi nomeado legado papal em 1 de março de 1139, uma posição que lhe conferia um poder igual ou maior que o de Teobaldo, inclusive a capacidade de convocar concílios na Inglaterra. Teobaldo jurou lealdade a Estêvão ao ser eleito, reconhecendo-o como rei da Inglaterra.
Logo depois da eleição, Teobaldo escolheu seu irmão, Walter, para ser arcediago de Cantuária e, em 1148, promoveu-o a bispo de Rochester. Teobaldo participou de um concílio convocado por Estêvão em junho de 1139 que retirou do bispo Rogério de Salisbury e de seus sobrinhos, Nigel, bispo de Ely, e Alexandre, bispo de Lincoln, seus castelos. De acordo com a maior parte dos historiadores, Teobaldo teve pouco a ver com a controvérsia que se seguiu e que terminou com a morte de Rogério em 1139 e à restauração de Nigel e Alexandre perante o rei. Recentemente, porém, esta tese tem sido desafiada por dois historiadores que argumentam que Teobaldo teria tido um papel mais ativo na controvérsia. Eles baseiam suas opiniões numa "Vita" (biografia) da mística do século XII Cristina de Markyate, que narra os eventos e confere a Teobaldo — e não a Henrique de Blois — um papel mais central em desafiar a prisão dos três bispos por Estêvão.
As ações de Teobaldo nos anos seguintes estão interligadas com a história da ascensão de Estêvão ao trono. Depois da morte de Henrique I, em 1135, a sucessão foi disputada entre os sobrinhos do rei — Estêvão e seu irmão mais velho, Teobaldo II — e a única filha legítima de Henrique ainda viva, Matilde, conhecida geralmente como imperatriz Matilde por causa de seu casamento com o imperador germânico Henrique V. O único filho legítimo de Henrique, Guilherme, havia morrido em 1120. Depois que Matilde enviuvou em 1125, ela retornou para a casa do pai, que a casou com Godofredo, conde de Anjou. Todos os magnatas da Inglaterra e da Normandia tiveram que jurar fidelidade a Matilde como herdeira de Henrique, mas, quando o rei morrei, Estêvão correu para a Inglaterra e se fez coroar antes de Matilde e de Teobaldo. Os barões normandos aceitaram Estêvão como duque da Normandia e Teobaldo II se contentou com as propriedades na França. Mas Matilde não se conformou e assegurou o apoio do rei da Escócia, David I, que era tio materno dela, e, em 1138, de seu meio-irmão, Roberto, 1º conde de Gloucester, um filho ilegítimo de Henrique.