Teodósio I, dito o Grande (nascido Flávio Teodósio, desde 19 de Janeiro de 379, em latim Dominus Noster Flavius Theodosius Augustus à sua morte, Divus Theodosius) (Coca, Hispânia Tarraconense, 11 de janeiro de 347 - Milão, 17 de janeiro de 395), foi um imperador romano de 379 até a sua morte. Promovido à dignidade imperial após o Desastre de Adrianópolis, primeiro compartilhou o poder com Graciano e Valentiniano II. Em 392, Teodósio reuniu as porções oriental e ocidental do império, sendo o último imperador a governar todo o mundo romano. Após a sua morte, as duas partes do Império Romano cindiram-se, definitivamente, em Império Romano do Oriente e Império Romano do Ocidente.
No que diz respeito à política religiosa, tomou a decisão de fazer do cristianismo niceno a religião oficial do Império, mediante o Édito de Tessalônica de 380.
Teodósio nasceu na Hispânia, em Coca. Filho do conde Teodósio, foi o último líder de um Império Romano unido - após a divisão entre os seus herdeiros, o império nunca mais seria governado por apenas um homem. Seu reinado é conhecido principalmente pelo Édito de Tessalônica, que institui o cristianismo como religião oficial do império.
Acompanhou o pai à Britânia para ajudar a acabar com a Grande Conspiração em 368. No entanto, pouco depois, à volta da época da repentina caída em desgraça e execução de seu pai, Teodósio retirou-se para a Hispânia. A razão da sua retirada, e a relação (se é que a havia) entre a morte de seu pai não é clara. É possível que tenha sido demitido de seu cargo pelo imperador Valentiniano I depois da perda de duas das legiões de Teodósio perante os sármatas em finais de 374.
A morte de Valentiniano I em 375 criou um pandemônio político. Temendo mais perseguições devido às suas relações familiares, Teodósio retirou-se para as suas propriedades hispânicas, onde se adaptou à vida de um aristocrata provincial.
Desde 364 até 375, o Império Romano era governado por dois co-imperadores, os irmãos Valentiniano I e Valente; quando Valentiniano morreu em 375, os seus filhos Valentiniano II e Graciano, sucederam-no como governantes do Império romano do Ocidente.
O imperador Graciano nomeou Teodósio co-imperador do Império Romano do Oriente em 378, após a morte do imperador Valente, morto pelos godos na Batalha de Adrianópolis (378). Teodósio, após algumas campanhas inconclusivas, acabou por fazer um tratado pelo qual os godos preservavam sua independência política no interior do Império Romano em troca da obrigação de fornecerem tropas ao exército imperial. Este tratado seria uma das causas do enfraquecimento militar romano que levaria ao saque de Roma pelos mesmos godos em 410. Por sua vez Graciano foi assassinado numa rebelião em 383, após o que Teodósio designou o seu filho mais velho, Arcádio, co-augusto para o Oriente. Após a morte do irmão de Graciano, Valentiniano II em 392, a quem ele tinha apoiado contra várias usurpações, Teodósio acabou por tomar o Ocidente do império e governou como imperador único, após derrotar o usurpador Flávio Eugénio em 6 de setembro de 394, na batalha do rio Frígido. Nomeou co-augusto para o Ocidente o seu filho mais novo Honório (em Milão, a 23 de janeiro de 393).
Teve dois filhos, Arcádio e Honório, e uma filha, Pulquéria, da sua primeira mulher Élia Flacila. Arcádio foi o seu herdeiro no Oriente e Honório no Ocidente. Pulquéria e Élia Flacila morreram em 385.
De sua segunda mulher, Gala, filha do imperador Valentiniano I e sua terceira esposa Justina. Eles tiveram três filhos: um menino, Graciano, nascido em 388 e que morreu jovem, uma filha, Gala Placídia (392-450), que seria a mãe de Valentiniano III, e um terceiro filho, João, que morreu com a sua mãe durante o parto, em 394.
Política diplomática com os Godos
Os Godos e os seus aliados (Vândalos, Taifalos, Bastarnas e os nativos Carpianos) entrincheirados nas províncias da Dácia e Panônia inferior oriental absorveram a atenção de Teodósio. A crise gótica foi tão profunda que o seu co-imperador Graciano renunciou ao controlo das províncias ilírias e retirou-se para Tréveris na Gália para deixar que Teodósio actuasse sem impedimentos. Uma grande debilidade na posição romana após a derrota de Adrianópolis foi o recrutamento de bárbaros para lutar contra outros bárbaros. Para reconstruir o exército romano do Ocidente, Teodósio necessitava de encontrar soldados capazes e assim voltou-se para os homens mais qualificados que tinha à mão: os bárbaros recentemente estabelecidos no império. Isto causou muitas dificuldades na batalha contra os bárbaros pois os lutadores recentemente recrutados tinham pouca ou nenhuma lealdade a Teodósio.
Teodósio viu-se forçado ao caro trabalho de embarcar os seus recrutas para o Egito e substituí-los por romanos mais experientes, mas ainda existiam mudanças de alianças que produziram reveses militares. Graciano enviou generais para limpar as dioceses da Ilíria de godos (Panônia e Dalmácia), e Teodósio foi assim capaz de entrar em Constantinopla a 24 de novembro de 380, depois de duas campanhas. Os tratados finais com o resto das forças godas, firmados a 3 de outubro de 382, permitiram a amplos contingentes de godos principalmente tervíngios estabeleceram-se ao longo da fronteira danubiana meridional na província da Trácia e governarem-se a si mesmos com bastante amplitude. Os godos então estabelecidos dentro do império tiveram, como resultado dos tratados, obrigações militares de lutar pelos romanos como um contingente nacional, em oposição a estar totalmente integrados dentro das forças romanas. No entanto, muitos godos serviram nas legiões romanas e outros como federados, durante campanhas individuais; enquanto bandos de godos de lealdade duvidosa se converteram num fator desestabilizador nas lutas mortíferas pelo controlo do império. Nos últimos anos do reinado de Teodósio, um dos líderes emergentes chamado Alarico, participou na campanha de Teodósio contra Eugénio em 394, apenas para regressar ao seu comportamento rebelde contra o filho de Teodósio e sucessor no Oriente, Arcádio, pouco depois da morte de Teodósio.
Após a morte de Graciano em 383, o interesse de Teodósio centrou-se no Império Romano do Ocidente já que o usurpador Magno Máximo havia tomado todas as províncias do Ocidente salvo a Itália. A ameaça auto-proclamada era hostil aos interesses de Teodósio, já que o imperador reinante, Valentiniano II, inimigo de Máximo, era seu aliado. Teodósio, no entanto, foi incapaz de fazer alguma coisa com Máximo devido à sua inadequada capacidade militar e assim viu-se forçado a manter a sua atenção sem assuntos locais. No entanto, quando Máximo começou a invasão de Itália em 387, Teodósio viu-se forçado a entrar em ação. Os exércitos de Teodósio e Máximo encontraram-se em 388 em Petóvio e Máximo foi derrotado. A 28 de agosto de 388 Máximo foi executado.
Surgiram de novo problemas, depois de se encontrar Valentiniano enforcado em casa. O mestre dos soldados Arbogasto atribuiu-o a um suicídio. Arbogasto, incapaz de assumir o papel de imperador, elegeu Flávio Eugénio, anteriormente mestre de retórica. Eugénio começou um programa de restauração da fé pagã, e procurou, em vão, o reconhecimento de Teodósio. Em janeiro de 393, Teodósio deu a seu filho Honório o título de Augusto do Ocidente, aludindo à falta de legitimidade de Eugénio.
Teodósio fez campanha contra Eugénio. Os dois exércitos encontraram-se na batalha do Frígido em setembro de 394. A batalha começou a 5 de setembro de 394 com um assalto frontal total por parte de Teodósio contra as forças de Eugénio. Teodósio foi rejeitado e Eugénio pensou que a batalha estava acabada. No campo de Teodósio, a derrota do dia diminuiu a moral. Diz-se que Teodósio recebeu a visita de dois "cavaleiros celestiais vestidos todos de branco" que lhe deram ânimo. No dia seguinte, a batalha voltou a começar e as forças de Teodósio viram-se ajudadas por um fenómeno natural que produz ventos ciclónicos, que se dirigiram contra as forças de Eugénio, e romperam a linha.
O campo de Eugénio foi tomado de assalto e Eugénio foi capturado e pouco depois executado. Assim Teodósio converteu-se no único imperador.