Neste Dia

Teodósio II

Flávio Teodósio (em latim: Flavius Theodosius Augustus; 10 de abril de 401 – 28 de julho de 450), chamado também Teodósi

Anúncio

Flávio Teodósio (em latim: Flavius Theodosius Augustus; 10 de abril de 401 – 28 de julho de 450), chamado também Teodósio II ou Teodósio, o Calígrafo, foi coimperador de 402 a 408 com seu pai Arcádio (r. 395–408), imperador sob regência do prefeito Antêmio entre 408 e 414, sob regência de sua irmã Pulquéria entre 414 e 416 e imperador solo de 416 até sua morte em 450. Em seu reinado, guerreou contra a Pérsia (421–422) do xá Vararanes V (r. 420–432) e foi atacado pelos hunos de Átila (r. 434–453). Consegue aplacar seus inimigos aceitando pagar alto tributo em ouro. Também é de seu reinado a fracassada expedição contra o Reino Vândalo da antiga África proconsular.

Para assegurar sua ascensão, já em 402 Arcádio nomeou o xá Isdigerdes I (r. 399–420) como seu guardião legal e em 404 nomeou o cubiculário Antíoco como seu tutor. Com a morte de Arcádio em 408, Isdigerdes envolveu-se na política imperial sob interesse legal de Teodósio, cuja tutoria fica com Antíoco e a regência com Antêmio. As fontes indicam que seu tio Honório (r. 395–423) também estava preocupado com o imperador infante e queria envolver-se nos assuntos da corte imperial. Em 414, Pulquéria assume a regência, que ainda duraria por mais 2 anos antes de Teodósio poder governar sozinho.

Durante seu reinado, foi dominado pelas figuras centrais que o cercavam em Constantinopla. Em 413, foram construídas as Muralhas de Teodósio, a segunda linha de defesa terrestre da capital, sob influência de Antêmio. Em 438, promulga o Código de Teodósio, uma compilação de leis do Império Romano desde 312 até o seu tempo. Teodósio também envolveu-se em duas importantes controvérsias cristológicas, o nestorianismo e eutiquianismo, e em 449 comissionou o Segundo Concílio de Éfeso para resolver tais questões. Falece em 28 de julho de 450, após sofrer um acidente de cavalo. Foi sucedido por Marciano.

Teodósio era filho do imperador Arcádio e sua esposa Élia Eudóxia e irmão de Arcádia, Flacila, Marina e Pulquéria. Nasce na capital imperial de Constantinopla em 10 de abril de 401. Como único varão do casal imperial, seu nascimento foi recebido com excitação por sua família e a população da capital. Foi batizado e coroado augusto em 10 de janeiro de 402. Diferente de seu pai, cuja infância quase nada se sabe, os primeiros anos de Teodósio foram bem atestados e indicam que teve um amplo preparo para assumir o lugar de Arcádio. Geoffrey S. Nathan avalia que ele foi treinado para não ser a figura passiva que seu pai foi.

Teodósio começou, como a maioria dos jovens de classes abastadas, com educação clássica, com gramáticos e depois retóricos. Era aparentemente bilíngue e mostrou interesse pela erudição, gozando do prazer de editar e corrigir manuscritos. Em 408, com 7 anos de idade, ascende ao trono com a morte de Arcádio, mas por sua tenra idade fica sob regência do prefeito pretoriano Antêmio e continuou seus estudos. Foi instruído em cavalaria, espadaria e outras artes marciais e sua educação moral foi seguida por Pulquéria, com aulas de ortodoxia, filantropia e ascetismo. Ela também lhe ensinou as sutilezas de sua posição: como se comportar fisicamente, controlar emoções e lidar com ministros e auxiliares. Nathan julga que a piedade de Pulquéria pode tê-lo deixado afastado das mulheres e que sua educação, em suma, pretendia torná-lo um bom imperador cristão.

Como seu pai e seu tio Honório (r. 395–423) no Ocidente, sua ascensão precoce indicava que seria incapaz de impor-se depois em seu reinado. Desde 402, Arcádio nomeou o xá Isdigerdes I (r. 399–420) como protetor legal de Teodósio. Isdigerdes brevemente envolveu-se nos assuntos imperiais e ameaçou declarar guerra se alguém além de Teodósio sucedesse Arcádio e por seu papel como guardião, o Império Bizantino e Império Sassânida mantiveram-se em paz até sua morte em 420. Em 403, Teodósio tornou-se cônsul pela primeira vez ao lado de Rumorido. Em 404, o cubiculário Antíoco foi nomeado tutor de Teodósio. Em 407, novamente tornou-se cônsul, dessa vez com Honório. Em 408, com a morte de Arcádio, Isdigerdes aprova que Antíoco ainda fosse seu tutor; Teófanes, o Confessor afirma, imprecisamente, que o xá enviou-o para Constantinopla nessa altura, quando, na verdade, ele já estava lá.

Em maio de 408, chegam notícias no Ocidente da morte de Arcádio. De acordo com as fontes, ao saberem disso, Honório e Estilicão planejaram viajar - separadamente - ao Oriente para apoiar o infante. Segundo Olimpiodoro, Honório pretendia nomear ministros leais para assegurar a segurança e trono de seu sobrinho, sobretudo por supostamente considerá-lo como filho e temer que seria vítima de golpe. A historiadora Meaghan A. McEvoy vê nesse episódio as circunstâncias da própria ascensão de Honório, então completamente dominado por Estilicão. Zósimo disse que, apesar do interesse deles de ir ao Oriente para se tornarem guardiões do infante, Estilicão convenceu Honório a abandonar o projeto afirmando que o tesouro imperial não custearia a viagem e que o usurpador Constantino III (r. 407–409) tomaria a Itália caso o imperador partisse. Meses depois, no mesmo ano, Estilicão foi executado. As fontes se dividem quanto as causas, mas várias afirmam que pretendia instalar seu filho Euquério no lugar de Honório ou mesmo Teodósio.

Com a fronteira oriental assegurada, Antêmio trabalhou para cimentar as relações com o Ocidente. Quando o generalíssimo Estilicão foi executado em 408, as relações com a corte de Ravena melhoraram muito. Em 409, Teodósio e Honório foram cônsules de novo e Constantinopla enviou 4 000 tropas para proteger Honório em Ravena contra os visigodos de Alarico I (r. 395–410). Apesar da ação ter sido infrutífera, permitindo o Saque de Roma em 24 de agosto de 410, a relação entre Ocidente e Oriente nunca foi tão íntima desde a morte de Teodósio I (r. 378–395).

Antêmio reforçou a frota do Danúbio, que protegia as províncias da Mésia Secunda e Cítia Menor, após a bem-sucedida expulsão da invasão de 408 do rei huno Uldino (r. 390–411) e conseguiu regularizar o suprimento de cereais da capital, oriundo principalmente do Egito. Antes disso, a falta de navios disponíveis provocou severa escassez e fome, a mais recente em 408. Em 409, reorganizou o transporte de cereais e autorizou competências fiscais aos transportadores; tomou medidas para obter cereais de outras áreas e criou fundos de emergência à aquisição e distribuição de cereais aos cidadãos. Tomou também medidas para garantir a coleta regular de impostos (409) e, em 414, emitiu um decreto no qual perdoou todas as dívidas dos anos 368-407.

Em 408, inicia a construção de uma nova muralha cerca de 1 500 metros a oeste da anterior, a chamada Muralha de Teodósio, cuja construção termina em 413. A muralha se estendia por 6,5 quilômetros entre o mar de Mármara e o subúrbio de Blaquerna, junto às margens do Corno de Ouro, e quase dobrou o tamanho da cidade, bem como garantiu um crucial suprimento de água. Em 414, Antêmio desaparece do cenário político, talvez por ter falecido ou por ser removido a mando de Teodósio, o que indicaria que novos poderes estavam crescendo na corte e influenciando o imperador.

Regência de Pulquéria (414–416)

Em 411, Teodósio de novo tornou-se cônsul, mas sem colega. Em 412, Teodósio reassume o consulado com Honório como colega. No mesmo ano, ou em 414, Pulquéria convenceu-o a demitir Antíoco. Em julho de 414, a regência foi assumida por ela, que torna-se augusta, enquanto a prefeitura pretoriana foi assumida por Aureliano. Em 415, consagra sua virgindade perpétua e convence suas irmãs a fazerem o mesmo, um movimento que lhe deu enorme autoridade moral para vigiar o crescimento e educação de Teodósio. Além disso, no mesmo ano, foi dedicado um retrato oficial no Augusteu de Constantinopla descrevendo Honório, Teodósio e Pulquéria e Honório e Teodósio reassumiram o consulado.

A autoridade de Pulquéria se manifestou numa administração fortemente pró-ortodoxa na qual, em nome do irmão, aprova leis contra judeus, pagãos e hereges. Pela primeira vez os pagãos foram oficialmente proibidos de ocupar cargos públicos e servir nas tropas e isso estabeleceria precedente importante no século seguinte para o afastamento de outros indesejáveis. Seus movimentos contra os judeus e sua religião eram particularmente onerosos: ordenou o fim da construção de sinagogas e a destruição das existentes onde haveria pouca ou nenhuma resistência. Também foi sob sua regência que ocorreu o assassinato da popular filósofa pagã Hipácia em Alexandria em 415 nas mãos de cristãos encorajados pelo arcebispo Cirilo (r. 412–444). Não é possível dizer com as fontes até que ponto as decisões eram aceitas por Teodósio, mas parece que não se opôs tenazmente à política cristã proativa. Em outras áreas do governo, a presença de Pulquéria foi mais branda, com as mudanças militares e administrativas sendo deixadas aos cuidados dos especialistas. Helião, por exemplo, foi feito mestre dos ofícios em 414 e manteve o posto por 13 anos.

Anúncio

Em breve no aplicativo World in Stories

Áudio, download offline, sem anúncios e muito mais.

Conhecer Premium
Teodósio II | World in Stories