Neste Dia

Tetê Espíndola

Cantora, compositora e instrumentista brasileira

Anúncio

Terezinha Maria Miranda Espíndola, mais conhecida como Tetê Espíndola (Campo Grande, 11 de março de 1954), é uma cantora, compositora e instrumentista, considerada detentora de uma das mais belas e exóticas vozes nacionais. Ao longo de seus mais de 40 anos de carreira, ganhou inúmeros prêmios pelo seu trabalho voltado para a experimentação e recriação do universo ecológico brasileiro.

Nascida em Campo Grande, numa família que tornou-se icônica a partir da arte da maioria dos irmãos. Sete filhos de Alba Miranda Espíndola e Francisco Espíndola Neto, Humberto, Sérgio, Geraldo Espíndola, Alzira (Alzira E), Marcelo (Celito) e Marcos Jerônimo (Jerry Espíndola), assim como Tetê despontaram para a música. Tetê herdou de sua mãe a inspiração para a música. Na infância gostava de ouvir música clássica e aos oito anos já apreciava os conjuntos paraguaios que tocavam nas rádios. Ouvia The Beatles, Jovem Guarda, Janis Joplin e Bossa Nova, que marcaram sua adolescência.

Influenciada pela mãe e pelo irmão e artista plástico Humberto Espíndola, começou a desenvolver os dons artísticos entre as sessões de teatro que a mãe e o irmão encenavam em casa, para se divertir, e ouvindo rádio. Sua mãe cantava muito em casa, o que a fascinava. Sua veia artística também era influenciada por seus tios trigêmeos, irmãos de Alba, que se apresentavam tocando piano a seis mãos em diversos lugares, inclusive em um evento com a presença do então presidente Getúlio Vargas.

O primeiro dos irmãos a introduzir-se na música e aprender a tocar violão foi Sérgio, que ensinou a Geraldo, que por sua vez ensinou à caçula Tetê. Não se adaptando ao violão, passou a admirar um outro instrumento musical tocado por Geraldo. Em 1976, Tetê ganhou sua primeira craviola, um instrumento de doze cordas criado pelo cantor e instrumentista Paulinho Nogueira e, que nas palavras de Marta Catunda (2016) "o criador queria um instrumento que transitasse entre a música folclórica (viola caipira), de raiz, mais popular, e a música erudita (alaúde/cravo). Pretendia uma guitarra acústica, meio viola e alaúde, um híbrido de popular/caipira/erudito. Seu sobrinho Stênio Mendes dedicou-se ao instrumento alguns anos. Mas foi Tetê Espíndola que deu vida nova à craviola em sua carreira. Vem se dedicando a compor nesse instrumento há mais de 40 anos. A craviola convida para uma exploração mais livre que a do violão por ter um braço mais longo e pela sonoridade de suas cordas oitavadas. É um instrumento que proporciona aberturas inusitadas para a composição harmônica, esta salta do exercício cotidiano de tocar".

Em 1968, os irmãos Tetê, Geraldo, Celito, Sérgio e Alzira, com permissão dos pais, decidiram ganhar dinheiro e trabalhar no que gostavam e assim formaram o grupo LuzAzul e passaram a executar cantorias na estrada que liga Campo Grande a Cuiabá. En 1974 quando ela estava estudando em na Faculdade de Pedagogia da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMTE), conhece a Marta Catunda. E foi nos arredores de Mato Grosso do Sul, cantando com os irmãos, de cidade em cidade, que Tetê se descobriu, num local chamado Chapada dos Guimarães. Começou a testar sua voz cantando todos os dias.

Aos 14 anos, Tetê ganhou um festival de música em Campo Grande, com a canção "Sorriso", cuja letra fora escrita pelo irmão. A partir de então, Tetê começou a pensar em seguir carreira em outros estados. Após anos cantando para o público de Campo Grande, em 1977 o Grupo LuzAzul decide ir para São Paulo tentar carreira profissional. Vão primeiro Celito e Tetê. Eles chegam e começam a tocar em bares e boates. Os dois, vendo que estavam se consolidando, abriram espaço para os outros irmãos se transferirem de vez para a Capital Paulista.

Os irmãos fazem testes em diversas gravadoras e acabam aprovados, fechando contrato com a Polygram/Phillips, e a pedidos da própria gravadora, mudam o nome LuzAzul para Tetê e o Lirio Selvagem, lançando assim seu primeiro trabalho em 1978. Em 1979, o grupo de sucesso Tetê e o Lírio Selvagem se desfaz, e a gravadora decide lançar Tetê em um disco solo, Piraretã, em 1980. Esse disco marcou o encontro de Tetê com Arrigo Barnabé. Tetê foi a primeira a gravar uma canção dele, "Tamarana", em parceria com o Paulo Barnabé. A partir daí. os irmãos passam a seguir carreira solo, cada um gravando seus discos, mas os irmãos não pararam de gravar discos juntos.

Em 1981, ao lado de Arrigo Barnabé, defende no MPB Shell a valsa "Londrina", composta por Arrigo, que recebe o prêmio de melhor arranjo por Cláudio Leal. Em 1982, entre muitas experimentações sonoras feitas em de sessões com Stenio Mendes e Theophil Mayer (inclusive com exibição pela TV Cultura em um especial), surge o disco Pássaros na Garganta, lançado pela gravadora Som da Gente, no qual a estética do som é batizada por Arrigo Barnabé de "sertanejo lisérgico".

Em 1985, Tetê vence o Festival dos Festivais da Rede Globo com a canção "Escrito nas Estrelas", composição do marido Arnaldo Black com Carlos Rennó. Em 1986, como parte do cronograma da gravadora Barclay/Polygram, segue-se o disco Gaiola, a partir do qual executam uma turnê pelo Brasil. Além de cantar, Tetê também dubla, atua e participou do filme de animação Mônica e a Sereia do Rio (de Maurício de Sousa) gravada em Goiás e dirigido por Walter Hugo Khouri; e faz uma participação no curta Caramujo-Flor, de Joel Pizzini, junto com Almir Sater, Aracy Balabanian, Ney Matogrosso e outros artistas de Mato Grosso do Sul.

De acordo com Alan Silus (2020), Tetê é casada com Arnaldo Black, arquiteto e produtor cultural com quem teve dois filhos: o primeiro, Daniel Espíndola Black, mais conhecido como Dani Black, nascido em 8 de dezembro de 1987, seguiu a carreira artística da mãe, tendo gravado dois discos em estúdio: Dani Black (2011) e Dilúvio (2015) e dois discos ao vivo EPSP Ao Vivo (2013) e Ao Vivo no São Luiz (2017). A segunda filha, Patrícia Espíndola Black, nasceu em 19 de março de 1990, formou-se em Cinema e Audiovisual pelo Centro Universitário SENAC e cursa Mestrado em Cinema em Portugal. Diferentemente da mãe e do irmão, a arte de Patrícia não é a música: fez do vídeo sua prática profissional.

Na transição dos anos 1980 para os anos 1990 além da dádiva de ser mãe, Tetê foi a representante brasileira no Festival The Concert Voice, em Roma, no ano de 1988, em sua primeira viagem internacional. Em 1989, canta no New Morning (Paris) e no Festival de Jazz da Bélgica. Com uma bolsa da Fundação Vitae, em conjunto com Marta Catunda e Humberto Espíndola vão à Amazônia numa expedição em busca do "canto do uirapuru". Gravam uma série de sons de pássaros, que depois de catalogado, e parte das experimentações musicais feitas por Tetê na Amazônia, gera o disco Ouvir/Birds (1991).

Tetê passa alguns anos se dedicando à família, e em 1998, junto com a irmã Alzira, gravam o disco acústico só de canções regionais/tradicionais - Anahí. Quando então, aparece o disco Vozvoixvoice, dirigido e produzido por Phillipe Kadosch, no qual o conceito aplica-se em fazer da voz, todos os instrumentos (baixo, bateria, guitarra, sopros, etc.). Em 2003, Tetê participa em dois projetos junto com a família - Espíndola canta e O que virou, e em 2005 lança o disco Zencinema só com canções de Arnaldo Black.

Em 2006, realizou a expedição Água dos Matos, na região Centro Oeste, descendo de chalana os rios Cuiabá e Paraguai, oferecendo shows e oficinas gratuitas aos povos ribeirinhos, com seus irmãos Alzira e Jerry, e com a cantora Lucina Carvalho, os músicos Sandro Moreno, Alex Cavalheri e Marcelo Ribeiro dentre outros artistas. No mesmo ano e no ano seguinte participou de várias apresentações com a soprano Adélia Issa. Ainda em 2007 lança o disco Evaporar completamente produzido no Mato Grosso do Sul, desde a escolha de músicos à finalização do trabalho. Seu trabalho incorporou pesquisas realizadas com sons de pássaros, influência de temas regionais e fusões do acústico com o eletrônico.

Em 2014, lança pelo selo SESC um álbum duplo, contendo a versão remasterizada do LP Pássaros na Garganta (1982) com o CD inédito Asas do Etéreo (2012) comemorando os 30 de “Pássaros na Garganta” um trabalho histórico, um ícone da MPB, sinônimo de vanguarda e prestígio, deu a Tetê o prêmio da APCA como artista revelação. Uma obra musical que revela a gravura pós-impressionista do Centro-Oeste e teve o importante papel de colocar Tetê em evidência, apontando suas composições inovadoras e uma intérprete rara.

Anúncio

Em breve no aplicativo World in Stories

Áudio, download offline, sem anúncios e muito mais.

Conhecer Premium
Tetê Espíndola | World in Stories