Thomas Andrews, Jr. (Comber, 7 de fevereiro de 1873 – Oceano Atlântico, 15 de abril de 1912) foi um construtor de navios britânico que trabalhou na construção de várias embarcações, mais notavelmente os três transatlânticos da Classe Olympic. Ele nasceu e cresceu em uma família rica, tornando-se aprendiz nos estaleiros da Harland and Wolff, em Belfast, ainda jovem. Andrews gradualmente subiu na hierarquia através dos anos até chegar a diretor executivo da empresa.
Andrews foi encarregado em 1908 de projetar e supervisionar a construção dos três navios da Classe Olympic da White Star Line, então os maiores já construídos na história. Estes navios destacavam-se de seus contemporâneos por seu tamanho e luxo. Como engenheiro, eles representavam a consagração de sua carreira. Andrews esteve presente na viagem inaugural do RMS Olympic em 1911 a fim de prestar atenção nos mínimos defeitos para que eles pudessem ser consertados no navio seguinte, o RMS Titanic.
O Titanic iniciou sua primeira viagem em 10 de abril de 1912 depois de muitos meses de trabalho. Andrews embarcou novamente no grupo de garantia que consistia em nove trabalhadores e engenheiros para tomar nota de todas as imperfeições do navio. Entretanto, o Titanic colidiu com um iceberg na noite de 14 de abril e ele logo percebeu que a embarcação estava condenada. Andrews participou da evacuação dos passageiros durante o naufrágio, insistindo para que eles colocassem coletes salva-vidas e direcionando-os para os botes. Muitos relatos afirmam que ele teve uma conduta exemplar naquela noite. Andrews acabou morrendo no desastre, deixando uma esposa e uma filha pequena.
O escritor Shan Bullock publicou em junho de 1912 uma biografia elogiando Andrews, enquanto a família do engenheiro construiu um memorial em sua homenagem em sua cidade natal. Seu nome e dos homens do grupo de garantia também foram colocados em um memorial erguido em 1920 em Belfast. Andrews é até hoje considerado um dos heróis do Titanic, aparecendo em várias obras relacionadas ao navio e ao naufrágio.
Thomas Andrews, Jr. nasceu na cidade de Comber, Condado de Down, Irlanda, no dia 7 de fevereiro de 1873. Era filho de Thomas Andrews e Eliza Pirrie, que haviam se casado três anos antes. Ele tinha um irmão mais velho chamado John Miller, dois irmãos mais novos chamados James e William, e uma irmã mais nova chamada Eliza. Através de sua mãe, era sobrinho de William Pirrie, principal acionista e presidente dos estaleiros da Harland and Wolff em Belfast. A família Andrews desempenhava um papel importante na vida da cidade, tendo vários membros distintos através das gerações. Seu ancestral John Andrews levantou e comandou uma patrulha de voluntários durante os tumultuados anos de 1779–82. Outro John Andrews se tornou em 1857 o xerife local; foi ele também que criou a empresa têxtil John Andrews & Co. A companhia chegou a empregar cerca de seiscentos trabalhadores, existindo em Comber até os dias de hoje. William Drennan Andrews, irmão do pai de Thomas Andrews, era o chefe da família na época de seu nascimento. William se tornou juiz do Supremo Tribunal da Irlanda em 1882 e membro do Conselho Privado do Reino Unido em 1897. Thomas Andrews também era muito próximo de seu irmão John Miller Andrews, que posteriormente se tornou primeiro-ministro da Irlanda do Norte.
Andrews, chamado de "Tom" por sua família, foi educado até os onze anos de idade por um professor particular. John Miller afirmou que seu irmão sempre esteve particularmente ciente da sorte que tinha tido por ter nascido dentro de uma família rica. Andrews foi descrito como uma criança energética, corajosa e gentil, com seus pais afirmando que ele "nunca nos causou ansiedade em qualquer momento de sua vida". Ele entrou em 1884 na Real Instituição Acadêmica de Belfast, onde seu pai e tio também tinham estudado. Andrews não foi um aluno excepcional, mas se destacou nos esportes, especialmente hipismo e críquete. Ele ganhou um pônei Shetland em um de seus aniversários e quando jovem fazia cavalgadas com frequência. O críquete era uma tradição familiar dos Andrews, com a família tendo fundado o North Down Cricket Club em 1857 e cedido o terreno onde o time joga desde então. Andrews também dedicava muito do seu tempo à criação de abelhas. Entretanto, sua verdadeira paixão eram os navios (ao contrário de seus irmãos, que adoravam política). Por essa razão, sua família carinhosamente o apelidou de "Almirante". Os Andrews tinham uma casa de campo na Ilha de Braddock, onde o jovem Thomas praticava regatas no lago Strangford.
Andrews deixou a escola em maio de 1889 aos dezesseis anos de idade para ir trabalhar nos estaleiros da Harland and Wolff como aprendiz. Seus pais tiveram de pagar cem guinéus para arcar com o aprendizado do filho, um valor equivalente ao preço de três cabines de terceira classe em um navio de passageiros na época. Era um trabalho difícil, dificultado ainda mais porque seu tio Pirrie decidiu não fazer favoritismo com o sobrinho. Andrews subiu dentro da empresa graças às suas habilidades e esforços.
Todas as manhãs ele acordava às 4h50min para chegar no trabalho pontualmente às 6h. Seus primeiros três meses foram passados dentro de um depósito de carpintaria, em seguida passou um mês trabalhando na área de construção de móveis e outras instalações de bordo. Andrews então foi para o depósito principal da Harland and Wolff onde ficou por dois meses, seguido por cinco meses nos estaleiros navais, dois no sótão de moldes e dois com os pintores. Seguiram-se oito meses com os ferreiros, seis com os instaladores, três na companhia dos fabricantes de modelos até finalmente oito meses na forja. Andrews entrou em junho de 1892 no escritório de desenho técnico, onde aprendeu sobre o desenvolvimento dos projetos dos navios. Ele demonstrou grandes capacidades nessa última área e rapidamente ficou responsável por esse escritório. Andrews recebeu em fevereiro de 1893 a supervisão dos trabalhos de construção do SS Mystic, também apresentando no mesmo ano os projetos do SS Gothic da White Star Line. Durante 1894 ele se tornou o segundo administrador dos reparos do SS Coptic, que havia colidido com outro navio em Liverpool. Andrews conheceu o diretor executivo da Harland and Wolff em novembro do mesmo ano para discutir a restauração do SS Germanic. Ele então tinha apenas 21 anos de idade, porém já tinha uma carreira promissora pela frente. Andrews passou um total de dezoito meses dentro do escritório de desenho técnico, onde concluiu seus cinco anos como aprendiz.
Andrews continuou a trabalhar com os engenheiros depois de seu período de aprendizagem, realizando diferentes funções entre 1896 e 1900. Ele em seguida se tornou diretor de exteriores e responsável pelo departamento de reparos. Nessa capacidade ele supervisionou a reconstrução do SS Chine, que havia sofrido um acidente em Perim, e do SS Paris, que havia encalhado em algumas rochas submersas ao longo da Cornualha. Andrews também esteve envolvido na expansão do SS Scot e do SS Augusta Victoria, cortando-os ao meio e inserindo uma seção totalmente nova.
Depois de sucessivos anos de promoções, Andrews tornou-se em 1901 membro do Instituto de Engenheiros Navais. Em 1904 ele foi nomeado vice-diretor do escritório de desenho técnico e e no ano seguinte foi promovido a diretor executivo da Harland and Wolff. Andrews agora era responsável pelos projetos e supervisão de todos os navios que estavam no estaleiro. Ele tinha então apenas 32 anos de idade e treze anos de experiência na área. Andrews trabalhou em várias embarcações de 1899 a 1912. Muitas pertenciam a White Star Line, como o RMS Celtic, RMS Cedric, RMS Baltic, SS Laurentic, SS Megantic e RMS Adriatic. Mais notavelmente ele trabalhou nos reparos do SS Suevic. O navio tinha sido construído em 1901 e acabou batendo em rochas em 1907; a White Star queria economizar dinheiro e tentou recuperá-lo ao invés de simplesmente desmontá-lo. No entanto, para libertar o Suevic, as equipes de resgate tiveram de cortar fora sua proa. A Harland and Wolff acabou recebendo o contrato para reparar o navio, com Andrews ficando encarregado dos projetos. Foi a maior operação de reconstrução naval da história até então e um enorme feito técnico, com a embarcação ficando pronta para o serviço dezoito meses depois, em 1908. Fora dos navios da White Star, ele também trabalhou em embarcações pertencentes a outras companhias como a Holland America Line, Aberdeen Line e Red Star Line.