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Thomas Mann

Romancista de Reich Alemão

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Paul Thomas Mann (Cidade Livre de Lübeck, 6 de junho de 1875 – Zurique, 12 de agosto de 1955) foi um escritor, romancista, ensaísta, contista e crítico social alemão.

Tendo recebido o Nobel de Literatura de 1929, é considerado um dos maiores romancistas do século XX. Irmão mais novo do também romancista Heinrich Mann, Thomas Mann teve seis filhos: o escritor Klaus, a atriz Erika, o historiador Golo Mann, a ensaísta Monika Mann, o violinista e literato Michael Thomas Mann e a cientista Elisabeth Mann.

Nascido no seio de uma tradicional família da então Cidade Livre de Lübeck, na região histórica da Holsácia, ao norte do Império Alemão, atual Lübeck, estado de Schleswig-Holstein, Alemanha, Thomas Mann era filho do político e comerciante Johann Heinrich Mann (1843–1892) e de sua esposa, a brasileira Júlia da Silva Bruhns (1851–1923). A família de Thomas Mann detinha ali um negócio havia várias gerações.

Em 1892 (aos 17 anos de idade) morreu o seu pai e, como consequência, os negócios da família foram abandonados. No ano seguinte, escreveu alguns textos em prosa e artigos para a revista "Der Frühlingssturm" (a tempestade de primavera) da qual Thomas era co-editor. Na mesma época, apaixona-se por Wilri Timppe, filho de um de seus professores. Anos mais tarde, inspirar-se-ia em Timppe para criar Pribslav Hippe, personagem de A Montanha Mágica.

Em 1894 (aos 19 anos de idade) junta-se à mãe em Munique, cidade católica do sul da Alemanha. Júlia tinha mudado para Munique com o resto da família um ano antes e se instalado no bairro boêmio de Schwabing. Rapidamente, a Senhora Mann tornou-se uma agitadora cultural e oferecia saraus literários e festas em sua casa.

Apesar de seus evidentes desejos homossexuais, Mann se apaixonou por Katia Pringsheim, filha de uma rica família industrial, judia secular, em 1905. Mais tarde, ela se juntou à fé luterana de seu marido. O casal teve seis filhos.

Em Munique, Mann fez um estágio não remunerado numa sociedade de seguros, mas acabou por abandonar essa atividade em 1895, tornando-se escritor livre. Entre 1896 e 1898, Thomas Mann faz uma longa visita à Palestrina (Itália), em visita ao seu irmão mais velho Heinrich Mann, também ele um romancista, e que se tornou famoso mais cedo do que Thomas. Thomas acompanha o irmão nos seus passeios a Roma e por outros lugares da Itália. Thomas Mann começou a trabalhar no manuscrito de Buddenbrooks quando ainda estava na Itália. De volta a Munique, tornou-se um dos editores do jornal satírico-humorístico "Simplicissimus".

Por essa época, apaixonou-se por Paul Ehrenberg, um amor conturbado e não correspondido, mas que ele definiria mais tarde como a "experiência central de seu coração". Resolve servir o exército, mas se arrepende. A família intervém e corrompe um médico para conseguir afastá-lo por falsos problemas de saúde.

Em 1901 é editado Buddenbrooks. Thomas Mann torna-se famoso. Curiosamente, o editor (Fischer Verlag) tentou convencer Thomas Mann a encurtar o livro. Thomas Mann não assentiu e o livro foi publicado na íntegra. Em jeito de retrospectiva, Thomas Mann disse que julgava que o livro iria passar despercebido e seria possivelmente o fim da sua carreira literária. A realidade foi bem diferente, como ele conclui com ironia.

Segundo Mayer (1970, p. 30), é a partir de Os Buddenbrooks (1901) que se torna um dos escritores mais notáveis do século XX no plano internacional.

Em 11 de fevereiro de 1905 casou-se com Katia Pringsheim, filha de uma proeminente e secular família judia de intelectuais. Katia era neta da activista pelos direitos da mulher Hedwig Dohm. Nos anos seguintes nascem seus filhos Erika, Klaus, Golo (na verdade Angelus Gottfried Thomas), Monika, Elisabeth e Michael.

Durante a Primeira Grande Guerra, Thomas Mann entra em conflito com o irmão Heinrich Mann. Thomas acolheu com agrado a entrada da Alemanha na guerra. Tomava-se por patriota. Defendeu a política do Kaiser Guilherme II, em oposição directa a Heinrich Mann, postado ao lado da França e da "Zivilisation" (termo de Thomas). Thomas Mann chegou a penhorar a casa que possuía em Bad Tölz em 1917 a favor do esforço de guerra. A mãe, Júlia da Silva Bruhns, escreveu aos irmãos tentando amenizar o conflito. A perspectiva de Thomas Mann ao longo deste período encontra-se sumariada no ensaio «Considerações de um Apolítico» (1918) e no romance A Montanha Mágica, escrito entre 1912 e 1924.

Em 1911, concebeu a novela Morte em Veneza, durante uma estada no Lido de Veneza. A obra foi publicada no ano seguinte, 1912, e, embora menos diretamente autobiográfica que Os Buddenbrooks, “trata-se da obra mais confessional de Thomas Mann”.Em 1929, Thomas Mann torna-se ainda mais famoso, recebendo o Nobel de Literatura. O júri justifica-se aludindo a Buddenbrooks. Nenhuma menção a A Montanha Mágica, romance em que o escritor revela simpatias democráticas.

Emigrou da Alemanha Nazista para Küsnacht, próximo a Zurique, na Suíça, em 1933, ano da chegada de Hitler ao poder. Durante o regime nazista, o jornal Völkischer Beobachter (Observador Popular) publicava as chamadas listas de expatriados. Os nomes de Thomas Mann, sua mulher e seus filhos mais novos constavam da lista número 7. Dos mais velhos – Erika e Klaus – já havia sido retirada a cidadania alemã.

Após ter perdido a nacionalidade alemã, em 2 de dezembro de 1936, Thomas Mann permaneceu na Suíça até 1938, quando então mudou-se para os Estados Unidos. Inicialmente, trabalha como convidado em Princeton, mas o ambiente académico o entediava. Decidiu então mudar para Pacific Palisades, Estados Unidos, em 1941. Em 1944, obteve a cidadania estadunidense. Tornou-se uma figura política reconhecida, constando que Franklin D. Roosevelt chegou a cotar seu nome para assumir o governo alemão na pós-guerra.

Diante da perseguição aos intelectuais emigrados perpetrada durante o mccarthismo, Mann retornou à Europa em 1952. Viveu em Kilchberg, próximo de Zurique, na Suíça, até a sua morte, em 1955. Encontra-se sepultado em Kilchberg Village Cemetery, Kilchberg, Zurique na Suíça.

Sua descendência de uma família da alta burguesia sempre fora salientada por Mann. Ao falar dessa classe, o autor se refere à burguesia da Idade Média, à “antiga tradição de que se sente profundamente imbuído, tradição de trabalho leal e minucioso, visando à perfeição absoluta nos detalhes e no todo”.

Thomas Mann ganhou repercussão internacional aos 26 anos, com sua primeira obra, Os Buddenbrook (Buddenbrooks), um romance que conta a história de uma família protestante de comerciantes de cereais de Lübeck, ao longo de três gerações. Fortemente inspirado na história de sua própria família, o romance foi lido com especial interesse pelos leitores de Lübeck que descobriram ali muitos traços de personalidades conhecidas. A publicação deste livro valeu a Thomas Mann uma reprimenda de um tio, que o acusou de ser um "pássaro que emporcalhou o próprio ninho".

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