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Tiblíssi

Capital e maior cidade da Geórgia

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Tiblíssi ou Tbilísi (em georgiano: თბილისი; romaniz.: T'bilisi, pronunciado: [tʰˈb̥ilisi] ()), antigamente mais conhecida por seu nome russo, Tíflis, é a capital e a maior cidade da Geórgia. Situada às margens do rio Cura, sua área é de 726 km², e sua população, de 1 152 500 habitantes. Como capital e cidade mais populosa do país, é o principal centro financeiro, corporativo, mercantil e cultural da Geórgia.

Fundada no século V por Vactangue I, rei georgiano da Ibéria, e elevada à posição de capital no século VI, Tiblíssi é um importante centro industrial, social e cultural e vem emergindo como uma rota de trânsito para projetos de energia e de comércio. Estrategicamente localizada no cruzamento entre a Europa e a Ásia, na histórica Rota da Seda, Tiblíssi foi disputada entre diversos impérios e potências rivais.

A cidade possui uma composição demográfica diversa e abriga, historicamente, povos de várias culturas, religiões e etnias. Embora seja majoritariamente cristã ortodoxa, a cidade é um dos poucos lugares do mundo em que se pode encontrar uma sinagoga e uma mesquita lado a lado, no Distrito do Banho. Recentemente, Tiblíssi foi o palco da Revolução Rosa, que levou à renúncia do presidente georgiano Eduard Shevardnadze.

Tiblíssi é servida por um aeroporto internacional. Suas atrações turísticas incluem a Catedral de Sameba, a Praça da Liberdade, a Catedral Sioni, o Parlamento da Geórgia, a Avenida Rustaveli, a Ópera de Tiblíssi e a Basílica Anchiskhati.

O nome da cidade vem da palavra em georgiano para o adjetivo "quente" (თბილი, "tbili"), em referência às fontes termais existentes na região. O nome usado pelos próprios georgianos para a cidade, "Tbilisi", pronunciada "Tbílissi", passou ainda na antiguidade para o armênio — como Teplis — e daí para o grego, sob a forma de Tiflis — forma que foi por igualmente adotada pelos russos, que dominaram a Geórgia ao longo de quase todo o último milênio, de modo que a versão russa do nome (Тифлис, pronunciada «Tíflis») tornou-se a nomenclatura oficial para a cidade em quase todas as línguas ocidentais, incluído o português.

Após ter a Geórgia conquistado sua independência em relação à Rússia, as autoridades georgianas passaram a repudiar a manutenção do uso da forma russa para o nome da cidade, recomendando aos demais países que passassem a usar a forma original georgiana — cuja transliteração direta, a caracteres latinos, conforme usado pela própria administração da cidade e pelo governo da Geórgia, é Tbilisi.

Antenor Nascentes ainda registra apenas a forma "Tiflis" em português para a cidade — que é, ademais, a grafia ainda usada em alemão, bem como a grafia oficialmente recomendada, em espanhol, pela Real Academia Espanhola. Como aponta Carlos Rocha, no Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, a indefinição quanto à grafia em português do nome da cidade leva à coexistência de ao menos quatorze formas utilizadas por diferentes meios de comunicação e imprensa nos países lusófonos: Tbilisi, Tbilissi, Tiblíssi, Tbilisse, Tebilíssi, Tbilísi, Tbilíssi, Tiblisi, Tiblissi, Tiblísi, Tblisi, Tblísi, Tblissi e Tblíssi — sem que haja, ainda, forma consensual.

Grande parte da imprensa brasileira tem empregado a transliteração direta, usada pelo governo georgiano e empregada no mundo anglófono, "Tbilisi", enquanto pelo menos parte da imprensa portuguesa tem seguido a transliteração francesa (que difere da transliteração inglesa apenas pela duplicação da letra "s", de modo a refletir a pronúncia original da última consoante como uma fricativa alveolar surda, e não sonora), usando a forma "Tbilissi". Por fim, a União Europeia, em suas publicações oficiais em língua portuguesa, passou a empregar exclusivamente — e a recomendar seu uso — a forma aportuguesada Tiblíssi, que foi adotada pelo Vocabulário Ortográfico Comum da Língua Portuguesa do Instituto Internacional da Língua Portuguesa, o vocabulário pós-Acordo Ortográfico de 1990, oficial em todos os países lusófonos que o têm em vigor.

Ademais da consoante surda (correspondente a -ss- intervocálico em português), a pronúncia georgiana tem sílaba tônica em "bi" e a subtônica em "li", de modo que a pronúncia local do nome da cidade corresponde a "Tbílissi" - proparoxítona.

A história de Tiblíssi se inicia por volta do século V. Durante os 1 500 anos de história, Tiblíssi foi um importante centro cultural, político e econômico na região do Cáucaso. A cidade estava no cruzamento de importantes rotas comerciais e era frequentemente ocupada por inimigos. De 1918 a 1921, tornou-se a capital da República Democrática da Geórgia, e mais tarde, a capital da República Socialista Soviética da Geórgia. Desde 1991, ano em que a Geórgia tornou-se independente da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), é a capital da Geórgia independente.

Segundo a lenda, a área da cidade era coberta por florestas, por volta do ano 458. Quando o rei Vactangue I caçava na floresta, o seu cervo se feriu. O animal ferido saiu correndo para uma fonte de água, onde se curou dos ferimentos e fugiu. Surpreendido por um evento como esse, o rei ordenou a construção de uma cidade no local. O nome de Tiblíssi, como já dito, vem do georgiano t'bili, que significa "quente", por causa das fontes de enxofre quente em seu território.[carece de fontes?]

De acordo com evidências arqueológicas, a área foi habitada por volta do IV milênio a.C.. Os primeiros sinais da presença humana documentados são da segunda metade do século IV, quando o reino de Varaz-Bacúrio ordenou a construção de uma fortaleza. No final do século IV, os persas foram apreendidos na fortaleza e, em seguida, em meados do século V, eles serviram como escravos para os reis de Cártlia. O rei Vactangue I provavelmente não fundou a cidade, mas sim reconstruiu e a ampliou. Presumivelmente, a capital georgiana estava situada nas proximidades.

Tiblíssi está na Transcaucásia na latitude 41° 43' Norte e longitude 44° 47' Leste. A cidade está localizada na Geórgia Oriental em ambas as margens do Rio Cura.

O clima de Tiblíssi pode ser classificado moderadamente como subtropical úmido. O clima da cidade é influenciado tanto pela seca, proveniente das massas de ar da Ásia Central, quanto pelas massas de ar oriundas do Mar Negro, a partir do oeste. Tiblíssi possui invernos relativamente frios e verões quentes. Devido aos limites da cidade com cadeias de montanhas e a proximidade de grandes massas de água (mares Negro e Cáspio), além do fato de que a maior cordilheira do Cáucaso bloqueia a intrusão de massas de ar frio da Rússia, Tiblíssi experimenta um micro-clima relativamente ameno em comparação com outras cidades que possuem um clima semelhante continental ao longo das mesmas latitudes.

A temperatura média anual em Tiblíssi é de 12,7 °C. Janeiro é o mês mais frio, com temperatura média de 0,9 °C . Julho é o mês mais quente, com temperatura média de 24,4 °C. A temperatura mínima já registrada foi de -24 °C e a máximo já registrada foi de 40 °C. A precipitação média anual é de 568 milímetros (22,4 in). Maio e Junho são os meses mais chuvosos (média de 84 milímetros (3,3 in) de precipitação cada), enquanto janeiro é o mais seco (média de 20 mm (0,8 in) de precipitação). A neve cai em média 15-25 dias por ano. As montanhas que cercam muitas vezes prendem as nuvens dentro e ao redor da cidade, principalmente durante a primavera e o outono, resultando em tempo chuvoso ou nublado prolongado. Ventos do noroeste dominam na maior parte ao longo do ano. Ventos vindos do sudeste também são comuns na influência da temperatura da cidade.

A fauna da área circundante da cidade é muito diversificada. Há animais como raposas, hienas, chacais e lobos. Registra-se também um grande número de répteis e aves. Em uma região com vista à proteção dos sistemas naturais e da biodiversidade, foi criado o Parque Nacional de Tiblíssi.

As dinâmicas históricas de crescimento da população etno-religiosa em Tiblíssi foi diversificada. Entre os séculos V e VII, a população de Tiblíssi foi crescendo rapidamente devido à transferência da capital de Misqueta para esta primeira. Durante o período de domínio árabe em Tiblíssi (séculos VII ao XI), a maior parte da população era muçulmana e a cidade passou a possuir traços de uma mistura de população árabe e não árabe, que se misturavam aos georgianos. Do século IX ao XVIII, a cidade desenvolveu-se rapidamente. Árabes e turcos passaram a compor a maior parte da população. Desde 1216 até o final do século XVIII, a população de Tiblíssi foi submetida a perseguição e extermínio dos invasores, levando a mudanças rápidas na composição étnica da população da cidade. Assim, nesta época a população de armênios variou de 26,3% a 36,6 % da população, enquanto os georgianos variavam entre 24,8% e 33,8 %. Os armênios também eram o maior grupo étnico na cidade entre 1864-1865, constituindo 47,2% da população, sendo que no referido período a participação dos georgianos representava 24,7% dos habitantes de Tiblíssi e os russos 20,7% dos habitantes. Outros povos representavam 7,4% do total de habitantes.

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