Neste Dia

Tigres Tâmeis

Organização militante tamil no Sri Lanka de 1976–2009

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Os Tigres de Liberação do Ceilão Tâmil (em tâmil: தமிழீழ விடுதலைப் புலிகள், transl ISO 15919: tamiḻ iiḻa viṭutalaip pulikaḷ), comumente conhecidos como LTTE (abreviação do nome em inglês, Liberation Tigers of Tamil Eelam) ou Tigres Tâmeis, constituem uma organização política armada que pretende, através de uma violenta campanha secessionista, a autodeterminação do povo tâmil mediante a criação, no nordeste da ilha do Sri Lanka, de um Estado independente denominado Ceilão Tâmil. A campanha deu origem à Guerra Civil do Sri Lanka, um dos mais longos conflitos armados da história recente da Ásia.

Fundado no ano de 1976, trata-se do principal grupo separatista ligado à minoria tâmil. Seu principal líder foi Velupillai Prabhakaran, também conhecido como Prabaharan ou Thambi, que era procurado pela Interpol por terrorismo, assassinato, crime organizado e conspiração terrorista. Os Tigres Tâmeis alegavam lutar para proteger a minoria tâmil da discriminação nas mãos de seguidos governos da maioria cingalesa, que dominam o país desde a sua independência, e Prabakharan declarou, durante uma entrevista coletiva, que o LTTE ainda não estava pronto para reivindicar um estado independente, e que considerava que a independência seria uma possibilidade, a partir do reconhecimento político de uma pátria tâmil, de uma nacionalidade tâmil e do direito do povo tâmil à autodeterminação.

Os Tigres Tâmeis têm como uma de suas bases de apoio diversos membros da diáspora tâmil, bem como dos tâmeis que vivem no estado de Tamil Nadu, na Índia.

Os Tigres, que durante o auge de seu poder possuíam um núcleo de treinamento de milícias bem desenvolvido e organizado, ficaram notórios pela prática de atrocidades contra civis, incluindo sequestros e ataques intencionais, pela execução de ataques a autoridades de alto escalão, incluindo o assassinato de diversos políticos do Sri Lanka e da Índia, como Rajiv Gandhi, e por recrutar crianças-soldado. O LTTE inventou o cinturão suicida, e foi pioneiro no uso de homens-bomba como tática de combate. Também foram pioneiros no uso de mulheres nestes ataques suicidas, e também chegaram a usar aviões em alguns de seus ataques. O LTTE foi considerado uma organização terrorista por 33 países, entre eles o Canadá, Estados Unidos, Índia (desde o assassinato de Rajiv Gandhi, primeiro-ministro do país, no qual Prabakharan estaria envolvido), Austrália, Malásia e União Europeia. A ONU, entretanto, não emitiu nenhuma condenação formal. A inclusão da organização na lista de grupos terroristas, pela UE, provocou a expulsão dos membros europeus da Missão de Supervisão no Sri Lanka (SLMM), em 2002.

No decorrer do conflito o nordeste do território frequentemente trocou de mãos, passando do controle dos Tigres Tâmeis para as forças armadas do Sri Lanka, que se enfrentaram em combates ferozes no processo. As negociações de paz conseguiram interromper o conflito por quatro vezes diferentes, embora sem qualquer sucesso duradouro; no fim da última rodada de negociações, em 2002, os rebeldes tinham uma grande área sob o seu controle. No entanto, com o fim do processo de paz, em 2006, as forças armadas do país iniciaram uma grande ofensiva contra os Tigres Tâmeis, na qual conseguiram reconquistar a maior parte do território, limitando o LTTE a uma área de 1,5 km2 no distrito de Mullaithivu. O resultado desta ofensiva foi a virtual derrota militar do LTTE.

Em meio aos crescentes apelos para que os rebeldes se entregassem, o presidente do Sri Lanka, Mahinda Rajapaksa, declarou oficialmente a vitória militar sobre os Tigres Tâmeis, em 16 de maio de 2009, depois de 26 anos de conflito. O líder rebelde, Prabhakaran, teria sido morto por forças do governo. O LTTE admitiu a derrota no dia seguinte, com a declaração do chefe de relações internacionais da organização, Selvarasa Pathmanathan, no site oficial: "Esta batalha chegou ao seu amargo fim … Decidimos silenciar nossas armas. Nossos únicos arrependimentos são por não termos conseguido resistir por mais tempo".

O LTTE foi fundado em 5 de maio de 1976 por Velupillai Prabhakaran, como a entidade sucessora dos Novos Tigres Tâmeis (Tamil New Tigers, em inglês, conhecidos pela sigla TNT), um grupo militante notório pelo assassinato do prefeito de Jaffna, Alfred Duraiyappah, em 1975. Prabhakaran procurou "transformar o antigo TNT/novo LTTE numa força de combate de elite, impiedosamente eficiente e altamente profissional", que, como notou o expert em terrorismo Rohan Gunaratna, ele procurou fazer mantendo um pequeno número de soldados, um alto padrão de treinamento, e aplicando disciplina em todos os escalões". O LTTE atraiu muitos partidários entre jovens tâmeis desiludidos, que passaram a realizar ataques de pequeno porte contra diversos alvos governamentais, incluindo policiais e políticos locais.

O primeiro grande ataque do grupo foi realizado em 23 de julho de 1983, quando um veículo de transporte de tropas do Exército do Sri Lanka sofreu uma emboscada nos arredores de Jaffna. 13 soldados cingaleses morreram no ataque, o que levou à série de distúrbios, conhecidos como Julho Negro, contra a comunidade tâmil do Sri Lanka. Como resultado, mais jovens tâmeis juntaram-se aos grupos militantes para lutar contra o governo do Sri Lanka, no que é considerado o início da insurgência no país.

Inicialmente os Tigres Tâmeis cooperavam com outros grupos militantes tâmeis, com os quais partilhavam os mesmos objetivos. Em abril de 1984 o LTTE juntou-se formalmente a outra frente militante, a Frente Nacional de Liberação do Eelam (Eelam National Liberation Front, ENLF), uma união entre a Organização para a Liberação do Ceilão Tâmil (Tamil Eelam Liberation Organization, TELO), a Organização Revolucionária de Estudantes do Eelam (Eelam Revolutionary Organisation of Students, EROS), a Organização Popular para a Liberação do Ceilão Tâmil (People's Liberation Organisation of Tamil Eelam, PLOTE) e a Frente Revolucionária de Liberação do Povo Eelam (Eelam People's Revolutionary Liberation Front, EPRLF).

A TELO costumava advogar a visão indiana dos problemas, e apoiava o ponto de vista indiano durante as negociações de paz com o governo do Sri Lanka e os outros grupos. O LTTE colocou-se contra esta posição, afirmando que a Índia agia apenas motivada por seus próprios interesses; consequentemente, em 1986, o LTTE separou-se da FNLE. Os dois grupos passaram então a se enfrentar em luta armada pelos próximos meses. Após o confronto, quase toda a liderança da TELO e muitos de seus militantes foram mortos pelo LTTE. Poucos meses depois os Tigres Tâmeis atacaram os campos de treinamento da EPRLF, forçando-a a abandonar inteiramente a península de Jaffna.

O LTTE passou a exigir, então, que todos os insurgentes tâmeis restantes se juntassem ao grupo. Avisos foram espalhados, a este respeito, em Jaffna e Madras, na Índia, sede de muitos grupos tâmeis. Com dois dos principais grupos, a TELO e a EPRLF, já eliminados ou enfraquecidos, os grupos militantes tâmeis restantes, que eram cerca de 20, foram absorvidos pelo LTTE, o que fez de Jaffna uma cidade dominada pelo grupo.

A prática dos membros de grupo de carregar uma cápsula de cianureto, para consumo em caso de captura, era vista pelo povo tâmil como dedicação e sacrifício. Outra prática que aumentou o apoio do grupo pelos tâmeis foi o costume de fazer um juramento de lealdade, que afirmava a meta do grupo de estabelecer um Estado para os tâmeis do Sri Lanka.

Em 1987 o grupo fundou os Tigres Negros, uma unidade do LTTE responsável pela condução de ataques suicidas contra alvos políticos, econômicos e militares, e lançou o primeiro destes ataques contra um acampamento do exército do Sri Lanka, matando 40 soldados.

Em 1987, diante de um crescente descontentamento de sua própria população tâmil, e de ser obrigada a receber grandes números de refugiados, a Índia resolveu intervir diretamente no conflito pela primeira vez, inicialmente através da Operação Poomalai, onde pacotes de comida foram lançados por aviões sobre Jaffna. Depois das negociações que se seguiram, a Índia e o Sri Lanka assinaram o Acordo Indo-Cingalês. Embora o conflito fosse entre os tâmeis e os cingaleses, os dois países assinaram o acordo de paz sem se preocupar em influenciar cada uma das partes a assinar acordos de paz entre suas próprias facções internas. O acordo garantiu um certo grau de autonomia regional nas áreas tâmeis, com a Frente de Liberação Revolucionária do Povo Eelam (EPRLF, na sigla em inglês) mantendo o controle do conselho regional, e convocando os grupos militantes tâmeis a abandonar as armas. A Índia deveria também enviar forças de manutenção da paz ao Sri Lanka, mais especificamente a Força de Manutenção de Paz da Índia (Indian Peace Keeping Force, IPKF), parte do Exército da Índia, para assegurar o desarmamento e vigiar os atos do conselho regional.

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