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Três Pontas

Município brasileiro localizado na região sul de Minas Gerais

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Três Pontas é um município brasileiro localizado na região sul de Minas Gerais. É uma cidade com praticamente todas as ruas da zona urbana asfaltadas e serviços de água e esgoto para quase toda população. Com uma área de 689 quilômetros quadrados, o município possui cerca de cinquenta e quatro mil habitantes, sendo que na zona urbana residem aproximadamente quatro quintos desse total. A MG-167 é a única rodovia que dá acesso ao município, mas a Rodovia Fernão Dias, uma das principais rodovias do país, se encontra a menos de cinquenta quilômetros da cidade.

O município não possui relevo muito acidentado, com altitude média em torno de novecentos metros em relação ao nível do mar. Contudo algumas formações se destacam na topografia, como a Serra de Três Pontas, lugar muito conhecido tanto pelo seu formato peculiar quanto pela sua beleza natural. Os ribeirões das Araras e da Espera são os principais cursos d'água que cortam o município, desaguando ambos na Represa de Furnas. Os rios Verde e Sapucaí passam no extremo limite sul e formam a extremidade meridional da Represa de Furnas. Os dois rios se encontram no distrito do Pontalete. Três Pontas está situada na Bacia Hidrográfica do Rio Grande.

O clima ameno o ano todo propicia o cultivo do café, que é a maior riqueza econômica do município (conhecido por ser um dos maiores produtores nacionais), visto que no solo três-pontano não são encontrados recursos minerais de importância. No município também se encontram o distrito do Pontalete, que é banhado pela represa de Furnas, muito procurado por turistas devido a suas belezas naturais, e o povoado do Quilombo Nossa Senhora do Rosário (antigamente chamado de Martinho Campos). A cidade faz parte do circuito turístico Vale Verde e Quedas D'Água.

Desde a emancipação política, em 1841, o município sempre mostrou um períodos de intenso desenvolvimento urbano e social. Nesse contexto a atuação de algumas pessoas foi fundamental. Dentre as mais notáveis, destaca-se a de Padre Victor, pároco na segunda metade do século XIX, que realizou diversas benfeitorias pela cidade. Atualmente existe o processo de canonização do sacerdote, e no dia de sua morte (23 de setembro) milhares de romeiros visitam a cidade para agradecer por graças alcançadas. Também o processo de beatificação da Madre Tereza Margarida do Coração de Maria, fundadora carmelita, conhecida pelos três-pontanos como "Nossa Mãe", o que evidencia, também a forte ligação do município com a religiosidade.

O nome da cidade tem origem no formato peculiar da serra de mesmo nome localizada no atual município, que era utilizada como ponto de referência pelos tropeiros e escravos fugidos que passavam pela região. Esses escravos formaram, no pé da serra, o Quilombo do Cascalho, que foi destruído na época das sesmarias, em que o território passou a ser dividido em fazendas. Algumas cartas de concessão de sesmarias fazem referência à montanha, utilizada como marco natural para demarcação de terras. Esses documentos mostram que a região era conhecida antes de 1750.

Até os anos de 1880, os cidadãos nascidos em Três Pontas eram denominados três-pontenses. A partir dessa época, contudo, o gentílico três-pontano passou a ser o mais utilizado, e é o que permanece até hoje.

Não existem indícios de povoamento de indígenas na região de Três Pontas. Os primeiros a desbravarem essa região possivelmente estavam à procura de ouro, mas não o encontraram. Um dos principais pontos de referência dos viajantes, entre tropeiros e escravos, que cruzavam o território era a Serra de Três Pontas. Um fato que favoreceu a formação de quilombos no atual município foi a destruição do Quilombo do Ambrósio entre 1740 e 1746. Localizado provavelmente entre os municípios de Cristais e Ibiá, durante o ataque dos brancos, muitos negros conseguiram escapar e se refugiaram em várias regiões, inclusive no atual município, onde se conhece duas formações, o Quilombo do Cascalho próximo à serra e outro menor às margens do Ribeirão das Araras, próximo de onde hoje está situado o Quilombo Nossa Senhora do Rosário. Os habitantes brancos da região, a partir de então, passaram a se sentir ameaçados e exigiram providências do governo, que enviou alguns capitães, dentre eles Bartolomeu Bueno do Prado, a fim de exterminar as povoações quilombolas, o que foi feito em 1760. Com os quilombos destruídos, mais povoadores chegaram a região, requerendo sesmarias.

Em 5 de outubro de 1768 foi construída por alguns sesmeiros a Capela de Nossa Senhora d'Ajuda (onde hoje se encontra a igreja de mesmo nome), com a licença do Bispado de Mariana. Em torno da ermida começou a surgir um arraial, que passava a ser denominado com o nome da padroeira da capela. O primeiro casamento no arraial foi realizado em 1777. Em seu testamento, Bento de Brito, dono das terras onde iniciou-se a urbanização, referiu-se ao arraial com a denominação de São Gonçalo, mas esse nome não se popularizou. Neste período, a vila crescia em ritmo lento.

Em 14 de julho de 1832, o arraial foi elevado a freguesia e passou a ter um juiz de paz e um pároco, uma vez que no mesmo dia foi criada a Paróquia de Nossa Senhora d'Ajuda. Em 1° de abril de 1841, devido ao desenvolvimento da povoação, adquiriu a condição de vila, graças à influência do Coronel Antônio José Rabelo Campos. O território da freguesia foi então desmembrado do município de Lavras e passou a ser formado pelos distritos de Três Pontas, Varginha, Carmo do Campo Grande (atualmente Campos Gerais), Dores de Boa Esperança e São Francisco de Aguapé (atualmente Guapé). Em 10 de fevereiro de 1842 foi criada a primeira Câmara Municipal e em 1852, o Padre Francisco de Paula Victor assume a direção da paróquia da vila. No mesmo ano é criado o primeiro cemitério da vila. Até então os corpos eram sepultados no adro ou no interior da igreja. O cemitério se encontrava onde hoje está o Ginásio Poliesportivo Aureliano Chaves.

No dia 22 de abril de 1850 foi criada a comarca de Três Pontas. Contudo, cinco anos depois, em 1855 a mesma foi suprimida, e o município passou a fazer parte da comarca do Rio Verde, com sede em Campanha. Esse foi um grande golpe que atrasou o crescimento da cidade. Em 1873 a comarca foi restaurada.

Em 3 de julho de 1857 a vila recebeu o título de cidade. Nos anos de 1880 foram construídos os primeiros encanamentos de água da cidade. Existiam dois jornais periódicos na época: "Estrela Mineira" e "Despertador". Dois três-pontanos receberam títulos nobiliárquicos por Dom Pedro II: o Tenente Coronel Antônio Ferreira de Brito (Barão da Boa Esperança) e Major Antônio Luís de Azevedo (Barão do Pontal). Em 1889, o Barão da Boa Esperança presidia o Partido Conservador e João Ferreira de Abreu Salgado o Partido Liberal. Nessa fase de transição para a República, foi criada, em fevereiro de 1890 uma Intendência Municipal para governar a cidade. Em 1893 a cidade exercia grande influência na política sul mineira, mas começava a perder espaço e até 1947 praticamente não recebeu nenhuma ajuda do Estado ou do Governo.

As estradas que ligavam Três Pontas a outros municípios estavam em péssimas condições na época. Existia um projeto que criaria um ramal ferroviário que partindo da estação da Espera, passaria por Três Pontas, Nepomuceno e entrocaria em Lavras com outra ferrovia, mas forças políticas contrárias desviaram o ramal para outras regiões. Três Pontas já teve um ramal ferroviário construídos com recursos próprios do município, a Estrada de Ferro Trespontana que foi inaugurado em 1895, cujo terminal ficava onde hoje se encontra a Prefeitura Municipal. Esse ramal era muito importante para a economia municipal, visto que no primeiro quarto do século XX, a cultura do café se consolida no município. A ferrovia foi desativada em 1964 devido, entre outros motivos, à inundação de parte da linha pela Represa de Furnas.

No dia 23 de setembro de 1905, morre o vigário Francisco de Paula Victor, que dedicou grande parte de sua vida a serviço do povo três-pontano e contribuiu muito com o crescimento da cidade. Em 1912, com recursos próprios, houve uma intensa mobilização popular para resolver os problemas da cidade. Em 1914 a cidade comemorou a chegada da rede elétrica e a criação de uma rede pública de abastecimento de água. Também aconteceram significativas mudanças na paisagem urbana, com a remodelação de praças e ruas e foram criadas estradas para Boa Esperança, Varginha, Nepomuceno, Pontalete , Santana da Vargem e Campos Gerais. No ano de 1918, a pandemia de gripe espanhola, que já havia dizimado milhões de pessoas pelo mundo, chegou ao município, causando várias mortes. Foi criado um pronto socorro na Fazenda da Formiga, para onde foram levados os doentes. Dessa forma, foram salvas muitas vidas.

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