Tuberculose, também conhecida como "tuberculose pulmonar", "tísica" ou "tísica pulmonar", é uma doença infeciosa causada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis (MTB). A tuberculose afeta geralmente os pulmões, embora possa também afetar outras partes do corpo. A maioria das infeções não manifesta sintomas, sendo nesses casos denominada tuberculose latente. Cerca de 10% das infeções latentes evoluem para tuberculose ativa. Se não for tratada, a tuberculose ativa causa a morte a metade das pessoas infectadas. Os sintomas clássicos da tuberculose ativa são tosse crónica com expulsão de sangue, escarro, febre, suores noturnos e perda de peso. A infecção de outros órgãos pode causar vários outros sintomas.
A tuberculose é transmitida por via aérea quando as pessoas com tuberculose ativa nos pulmões tossem, cospem, falam ou espirram. As pessoas com tuberculose latente não transmitem a doença. A infeção ativa é mais comum entre fumadores e pessoas com VIH/SIDA. O diagnóstico de tuberculose ativa é apoiado por radiografias torácicas, exames microscópicos e culturas de fluidos corporais. O diagnóstico de tuberculose latente baseia-se na prova da tuberculina ou análises ao sangue.
Entre as medidas de prevenção estão o rastreio de grupos de risco, deteção e tratamento atempados dos casos e vacinação com o bacilo Calmette-Guérin (vacina BCG). Os grupos de risco incluem as pessoas que partilham casa ou local de trabalho com pessoas com tuberculose ativa. O tratamento consiste na administração de vários antibióticos durante um longo período de tempo. A resistência antibiótica é um problema crescente, estando a aumentar o número de casos de tuberculose multirresistente (MDR-TB) e a tuberculose extensivamente resistente (XDR-TB).
Estima-se que cerca de um terço da população mundial esteja infectada com tuberculose latente. Todos os anos ocorrem novos casos de infecção em cerca de 1% da população. Em 2016 ocorreram em todo o mundo mais de 10 milhões de casos de tuberculose ativa, tendo sido a causa de cerca de 1,3 milhão de mortes. Isto faz com que a tuberculose seja a principal causa de morte por doenças infeciosas. Mais de 95% destas mortes ocorreram em países em vias de desenvolvimento, principalmente na Índia, China, Indonésia, Paquistão e Filipinas. Desde o ano 2000 que o número de novos casos em cada ano tem vindo a diminuir. Em muitos países africanos e asiáticos cerca de 80% da população apresenta prova de tuberculina positiva, enquanto nos Estados Unidos este valor é de apenas 5–10% da população. A doença está presente nos seres humanos desde a Antiguidade.
Entre seus sintomas, pode-se mencionar tosse com secreção, febre (mais comumente ao entardecer), suores noturnos, falta de apetite, emagrecimento, cansaço fácil e dores musculares. Dificuldade na respiração, eliminação de sangue (Hemoptise) e acúmulo de secreção na pleura pulmonar são características em casos mais graves.
A tuberculose extrapulmonar é uma forma da doença que afeta órgãos e tecidos fora dos pulmões. Apesar de ser menos comum que a tuberculose pulmonar, ela representa uma proporção significativa dos casos, especialmente em pessoas com imunossupressão, como aquelas vivendo com HIV, em tratamento com quimioterapia e aquelas submetidas a transplantes de órgão sólido. Os sinais e sintomas da tuberculose extrapulmonar variam de acordo com o órgão afetado, o que pode dificultar o diagnóstico precoce piorando o prognóstico nesses pacientes
Alguns dos principais tipos e seus respectivos sintomas são:
Tuberculose pleural ((a forma extrapulmonar mais comum): provoca dor torácica, febre e falta de ar. Ocorre devido ao acúmulo de líquido na cavidade pleural (derrame pleural).
Tuberculose ganglionar : caracteriza-se pelo aumento dos linfonodos, geralmente indolores, mais frequentes na região cervical. Pode haver supuração, infarto e fistulização dos linfododos com o tempo.
Tuberculose osteoarticular: afeta ossos e articulações, especialmente a coluna vertebral (mal de Pott). Os sintomas incluem dor local, limitação de movimentos e, em casos avançados, deformidades.
Tuberculose meníngea: uma forma grave que compromete as meninges, membranas que recobrem o cérebro. Os sintomas incluem febre, dor de cabeça intensa, rigidez de nuca, confusão mental, convulsões, déficits neurológicos focais, e, em casos severos, coma e morte.
Tuberculose geniturinária: pode causar dor lombar, hematúria (sangue na urina), frequência urinária aumentada e, em homens, dor testicular ou prostática.
Tuberculose abdominal: subdividida em tuberculose intestinal que pode se manifestar com dor abdominal, distensão, diarreia ou constipação, além de emagrecimento, a peritonite tuberculosa que pode manifestar-se com afecção do peritônio, resultando em ascite e dor abdominal difusa e tuberculose hepática em que o fígado ser atingido levando à icterícia, queda do estado geral e dor no quadrante superior direito do abdome.
Em todas as formas, podem estar presentes sintomas sistêmicos como febre vespertina, sudorese noturna, perda de peso e fadiga.
A tuberculose é transmitida pelos bacilos expelidos por um indivíduo contaminado quando tosse, fala, espirra ou cospe. A tuberculose se dissemina através de aerossóis no ar que são expelidas quando pessoas com tuberculose infecciosa tossem, espirram. Contactos próximos (pessoas que tem contato frequente) têm alto risco de se infectarem. A transmissão ocorre somente a partir de pessoas com tuberculose infecciosa activa (e não de quem tem a doença latente).
A probabilidade da transmissão depende do grau de infecção da pessoa com tuberculose e da quantidade expelida, forma e duração da exposição ao bacilo, e a virulência.
A cadeia de transmissão pode ser interrompida isolando-se pacientes com a doença ativa e iniciando-se uma terapia antituberculose eficaz.
A tuberculose resistente é transmitida da mesma forma que as formas sensíveis a medicamentos. A resistência primária se desenvolve em pessoas infectadas inicialmente com micro-organismos resistentes. A resistência secundária (ou adquirida) surge quando a terapia contra a tuberculose é inadequada ou quando não se segue ou se interrompe o regime de tratamento prescrito.