O USS Missouri é um couraçado que foi operado pela Marinha dos Estados Unidos e a terceira embarcação da Classe Iowa, depois do USS Iowa e USS New Jersey, e seguido pelo USS Wisconsin, USS Illinois e USS Kentucky, porém estes dois últimos não foram finalizados. Sua construção começou em janeiro de 1941 no Estaleiro Naval de Nova Iorque e foi lançado ao mar em janeiro de 1944, sendo comissionado na frota estadunidense em junho do mesmo ano. É armado com uma bateria principal composta por nove canhões de 406 milímetros montados em três torres de artilharia triplas, tinha um deslocamento carregado de mais de 58 mil toneladas e alcançava uma velocidade máxima de 32 nós.
O Missouri entrou em serviço nos últimos meses da Segunda Guerra Mundial e foi designado para a Guerra do Pacífico, onde participou das Batalhas de Iwo Jima e Okinawa e realizou ações de bombardeio contra o arquipélago japonês. Foi em seu tombadilho que a Rendição do Japão foi assinada em 2 de setembro de 1945, encerrando a guerra. O Missouri permaneceu no serviço ativo e encalhou em janeiro de 1950 na Baía de Chesapeake, sendo reflutuado semanas depois após grandes esforços. Ele lutou Guerra da Coreia entre 1950 e 1953, participando de operações de bombardeio litorâneo e escolta para porta-aviões. Foi descomissionado em fevereiro de 1955 e colocado na Frota de Reserva.
Ele foi modernizado em 1984, sendo equipado com lançadores de mísseis de cruzeiro e mísseis antinavio e novos equipamentos eletrônicos. Foi recomissionado em maio de 1986 e atuou no Golfo Pérsico escoltando navios-petroleiros de ameaças do Irã. O Missouri participou da Guerra do Golfo em 1991 dando suporte de artilharia. Foi descomissionado em março de 1992 e voltou para a Frota de Reserva, sendo removido do registro naval três anos depois. O navio foi doado em 1998 e transformado em um navio-museu em Pearl Harbor, no Havaí. Foi atracado próximo dos destroços do couraçado USS Arizona para simbolizar o começo e o fim do envolvimento dos Estados Unidos na Segunda Guerra.
A Classe Iowa foi projetada no final da década de 1930 em resposta às expectativas de uma guerra contra o Japão. Oficiais norte-americanos tradicionalmente preferiam couraçados lentos e muito bem armados e protegidos, porém os planejadores navais determinaram que uma frota assim teria dificuldades em trazer a frota japonesa mais rápida para uma batalha, especialmente os cruzadores de batalha da Classe Kongō e os porta-aviões da 1ª Frota Aérea. Estudos preparados durante o desenvolvimento da Classe North Carolina e da Classe South Dakota demonstraram a dificuldade para se resolver os desejos dos oficiais e planejadores dentro dos limites de deslocamento impostos pelo sistema do Tratado Naval de Washington, que controlava a construção de navios capitais desde 1922. A chamada "cláusula do escalonamento" do Segundo Tratado Naval de Londres de 1936 permitia um aumento de deslocamento padrão de 36 mil para 46 mil toneladas caso qualquer país signatário se recusasse a ratificar o tratado, o que aconteceu com o Japão.
O Missouri tem 270,4 metros de comprimento de fora a fora, uma boca de 33 metros, um calado de 11,5 metros e um deslocamento carregado de 58 460 toneladas. Seu sistema de propulsão é composto por oito caldeiras Babcock & Wilcox a óleo combustível que impulsionavam quatro turbinas a vapor General Electric, cada uma girando uma hélice. Este sistema tinha uma potência indicada de 214,9 mil cavalos-vapor (158 mil quilowatts) para uma velocidade máxima de 32,5 nós (60,2 quilômetros por hora). Sua autonomia era de quinze mil milhas náuticas (28 mil quilômetros) a quinze nós (28 quilômetros por hora). Foi projetado para ter uma tripulação de 117 oficiais e 1 804 marinheiros, porém ao final da Segunda Guerra Mundial este número tinha crescido para 189 oficiais e 2 978 marinheiros. Foi inicialmente equipado com duas catapultas de aeronaves no convés da popa e um guindaste para operar hidroaviões. Estes inicialmente eram Vought OS2U Kingfisher, mas foram substituídos em dezembro de 1944 pelo Curtiss SC Seahawk.
A bateria principal do Missouri consiste em nove canhões Marco 7 calibre 50 de 406 milímetros. Estes estão montados em três torres de artilharia triplas, duas ficam localizadas à vante da superestrutura, com a segunda torre sobreposta à primeira, enquanto a terceira fica na popa. Seu armamento secundário tinha vinte canhões de duplo-propósito calibre 38 de 127 milímetros montados em dez torres de artilharia duplas, instaladas cinco de cada lado da superestrutura. Seu armamento antiaéreo tinha oitenta canhões Bofors de 40 milímetros em vinte montagens quádruplas, nove em cada lateral e as duas restantes no topo da segunda e terceira torres de artilharia. Por fim, 49 canhões Oerlikon de 20 milímetros em montagens únicas foram distribuídos pelo comprimento do navio. O cinturão de blindagem tem 307 milímetros, enquanto o convés é protegido por uma blindagem entre 38 e 152 milímetros. A cidadela blindada é fechada por anteparas transversais de 330 a 368 milímetros de espessura. As torres de artilharia tem frentes de 495 milímetros e laterais de 241 milímetros, ficando em cima de barbetas com espessura entre 295 a 439 milímetros. A torre de comando é protegida por laterais de 439 milímetros.
O Missouri foi o terceiro navio da Marinha dos Estados Unidos nomeado em homenagem ao estado do Missouri. Foi autorizado pelo Congresso dos Estados Unidos em 1938, sendo encomendado em 12 de junho de 1940 com o número de casco BB-63. O batimento de quilha do Missouri ocorreu em 6 de janeiro de 1941 na Rampa de Lançamento 1 do Estaleiro Naval de Nova Iorque. Ele foi lançado ao mar em 29 de janeiro de 1944 diante de uma multidão de vinte a trinta mil espectadores. Foi batizado por Margaret Truman, sua madrinha e filha do então senador Harry S. Truman de seu estado homônimo. O próprio Truman discursou durante a cerimônia de lançamento. O processo de equipagem prosseguiu rapidamente e a embarcação foi comissionada em 11 de junho, com o capitão William M. Callaghan como seu primeiro oficial comandante.
O couraçado realizou seus testes marítimos iniciais próximo de Nova Iorque a partir de 10 de julho, então seguiu para o sul até a Baía de Chesapeake, onde iniciou um cruzeiro de testes e realizou treinamentos de combate. Durante este período operou junto com o cruzador de batalha USS Alaska, que também tinha entrado em serviço recentemente, mais vários contratorpedeiros de escolta. O Missouri partiu em 11 de novembro para a Costa Oeste dos Estados Unidos, passando pelo Canal do Panamá no dia 18 e continuando até São Francisco. Trabalhos adicionais de equipagem ocorreram no Estaleiro Naval de Hunters Point a fim de preparar o navio para uso como capitânia da frota.
O Missouri deixou São Francisco em 14 de dezembro e seguiu para Ulithi nas Ilhas Carolinas, onde juntou-se ao resto da frota em 13 de janeiro de 1945. Tornou-se o quartel-general temporário do vice-almirante Marc Mitscher. O navio então juntou-se à Força Tarefa 58, que fez uma surtida no dia 27 para lançar um ataque aéreo contra Tóquio em apoio a uma planejada operação contra Iwo Jima. O couraçado atuou como parte da escolta antiaérea do Grupo de Tarefas 58.2, centrado nos porta-aviões USS Lexington, USS Hancock e USS San Jacinto. Além de protegerem os porta-aviões, o Missouri e os outros couraçados atuaram como navios-tanque para os contratorpedeiros em escolta, já que a rede logística da frota não podia acompanhar a força de ataque nessas operações.
A força tarefa chegou próximo do litoral do Japão em 16 de fevereiro para o começo de uma série de ataques aéreos. A frota logo em seguida rumou para Iwo Jima, que foi invadida por forças terrestres do Corpo de Fuzileiros Navais três dias depois. Naquela tarde, enquanto patrulhava com os porta-aviões, o Missouri abateu uma aeronave japonesa, provavelmente um bombardeiro Nakajima Ki-49. A Força Tarefa 58 deixou a área no início de março e voltou para Ulithi a fim de reabastecer combustível e munição. Nessa mesma época o Missouri foi transferido para o Grupo de Tarefas 58.4, centrado ao redor do porta-aviões USS Yorktown.