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Uruguaiana

Município brasileiro situado no estado do Rio Grande do Sul, próximo à divisa com a Argentina

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Uruguaiana é um município brasileiro situado na extremidade ocidental do estado do Rio Grande do Sul, junto à fronteira fluvial com a Argentina e Uruguai, a uma altitude de 66 metros acima do nível do mar. A cidade tem grande importância estratégica comercial internacional, tendo em vista que está localizada equidistante de Porto Alegre, Montevidéu, Buenos Aires e Assunção; bem como devido à importância na produção agropecuária nacional, ostentando a liderança na produção de arroz. É o terceiro maior município gaúcho e também da Região Sul em área, com mais de 5.700 quilômetros quadrados.

Uruguaiana possui três cidades-irmãs:

Paso de Los Libres, Argentina. (Desde 2007)

Beitunia, Estado da Palestina. (Desde 2018)

Port Chester, Estados Unidos. (Desde 2025)

Ocupação ameríndia e missões jesuítas

Toda a região do pampa gaúcho, na qual está contido o atual município, era ocupada, até o século XVI, predominantemente pelos indígenas charruas.

Dentro do contexto das missões jesuíticas na América, em 1657 foi criada a Estância Santiago (localizada no atual distrito de São Marcos) como parte do grande complexo da Redução de Japeju (Yapeyú), fundada em 1626 e situada do outro lado do rio Uruguai. Até a dissolução das missões, outros postos de gado foram erguidos na região de Uruguaiana para servir à Redução de Japeju, com algumas ruínas existindo até hoje. Posteriormente, a região passou a fazer parte do Reino de Portugal que, a partir de 1814, começa a distribuir sesmarias na região, e muitos desses novos proprietários utilizaram as antigas instalações das estâncias jesuítas.

No início do século XIX, a 30 quilômetros de Uruguaiana, existia uma localidade chamada Capela de Santana, onde funcionavam um posto fiscal e um acampamento militar e onde existiam alguns ranchos com moradores. No local, as tropas e os comerciantes costumavam atravessar o rio Uruguai. No ano de 1840, o povoado foi destruído por uma violenta inundação.

Por causa da inundação e procurando um local melhor para estabelecer-se, em 24 de fevereiro de 1843 a povoação foi restabelecida e refundada pelo governo farrapo no seu local atual. É a única cidade originada do movimento farroupilha. Sua emancipação ocorreu mais tarde, em 29 de maio de 1846, quando se desvinculou do município de Alegrete, ao qual anteriormente pertencia. Perto de sua emancipação, alguns viajantes da época relatam ter encontrado, no local, não uma cidade brasileira, mas sim uma hispano-francesa em suas relações de vida e comércio, apoiadas naquele tempo mais em Buenos Aires e Montevidéu do que Porto Alegre.

Ao emancipar-se e desenvolver-se, do outro lado da costa do rio Uruguai também se emancipou Paso de los Libres, município localizado na província de Corrientes, na Argentina.

As duas lanças de ouro situadas no primeiro quadrante do brasão da cidade simbolizam a fundação de Uruguaiana no contexto da Guerra Farroupilha. No segundo quadrante, a Medalha da Rendição representa a rendição das tropas paraguaias na cidade durante a Guerra da Tríplice Aliança. No terceiro, há uma corrente partida, significando a libertação dos escravos no município, ocorrida quatro anos antes da Lei Áurea. Por fim, no quarto quadrante, três faixas ondeadas de prata representam o Rio Uruguai, que deu nome à cidade..

Uruguaiana, como demonstrado no seu brasão, orgulha-se de ter sido uma das primeiras cidades do Brasil a libertar seus escravos. Em 31 de dezembro de 1884, antecipando-se à proclamação da Lei Áurea (1888), efetuou a abolição da escravatura no território municipal, conforme Ata da Sessão Extraordinária Comemorativa da Redenção dos Escravos da Cidade e Município de Uruguaiana.

Entretanto, como Uruguaiana é uma cidade encravada entre solos argentino e uruguaio, não foi tão fácil estabelecer as fronteiras do Brasil, tampouco manter-se a cidade sobre eterna paz. A cidade foi invadida em 5 de agosto de 1865 por tropas paraguaias sob ordens do ditador Francisco Solano Lopes, que ordenou a invasão dos estados do Rio Grande do Sul e Mato Grosso, em represália à intervenção militar brasileira no Uruguai. Era o início da Guerra do Paraguai, envolvendo tropas brasileiras, argentinas, uruguaias e paraguaias, tornando Uruguaiana eixo e palco de uma das batalhas mais importantes do conflito.[carece de fontes?]

O desfecho ocorreu em 18 de setembro, com a rendição dos paraguaios, após 44 dias do sítio da cidade pelas forças da Tríplice Aliança. Na época a cidade contava com cerca de 2 500 habitantes. Após a invasão e rendição dos paraguaios, a cidade encontrou a maioria das residências e demais estabelecimentos destruídos, porém, aos poucos, a cidade foi se recuperando e, em 1900, a cidade já possuía cerca de 23 194 habitantes.

Pelos anos de 1890 a 1900, a cidade era um ícone importante no comércio riograndense, sendo que, através de seus portos, circulavam materiais provindos da Europa. Os produtos vinham de Caseros e subiam o rio Uruguai via barcos, gerando um comércio alternativo ao de Porto Alegre.

Em 1892, a cidade aprovou sua primeira lei orgânica, sob o regime dos republicanos e, em 1896, foi nomeado o coronel Gabriel Rodrigues Portugal como seu primeiro intendente (prefeito).

Por ter sofrido várias incursões militares, se tornou uma importante peça no cenário militar da América Latina. É importante rota de cargas e tem bastante atividade turística. Atualmente, ostenta o título de maior porto seco da América Latina e terceiro maior do mundo.

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Uruguaiana | World in Stories