Usbequistão ou Uzbequistão, oficialmente República do Usbequistão (em usbeque: Ўзбекистон Республикаси; romaniz.: Oʻzbekiston Respublikasi), é um país duplamente encravado localizado na Ásia Central, composto de doze províncias, uma república autônoma e a capital Tasquente. A língua oficial é o uzbeque. A área é de 448.978 km². A população atual do país é de mais de 37,5 milhões de pessoas. A moeda é soma. O Usbequistão é um estado laico com uma forma constitucional de governo semipresidencial. O Usbequistão é membro da Organização dos Estados Turcos, CEI, ONU, OSCE, SCO. A religião principal é o islamismo, e a maioria dos uzbeques são muçulmanos. O Usbequistão faz fronteira com o Cazaquistão ao norte, o Quirguistão a nordeste e leste, o Tajiquistão a sudeste, o Afeganistão ao sul e o Turcomenistão a sul e oeste.
A região onde o país atualmente situa-se fez parte do Canato Túrquico e, posteriormente, do Império Timúrida, sendo conquistada no início do Século XVI por nômades turcomanos. Seu território foi anexado pelo Império russo na segunda metade do século XIX e em 1924 tornou-se uma das repúblicas da União Soviética, a República Socialista Soviética Uzbeque. Três meses antes da dissolução da URSS, declarou sua independência no dia 31 de agosto de 1991.
O Usbequistão é oficialmente uma república democrática, laica, constitucional unitária com uma herança cultural diversa. O país tem como língua oficial o uzbeque, língua túrcica escrita no alfabeto latino e falada nativamente por cerca de 85% da população; o russo, no entanto, também é muito utilizado. 81% dos habitantes do país são uzbeques, seguidos por russos (5,4%), tajiques (4,0%), cazaques (3,0%), e outras minorias étnicas (6,5%). A maioria da população denomina-se muçulmana, sem seguir algum ramo específico. O Usbequistão é membro da Comunidade dos Estados Independentes (CEI), da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), da Organização das Nações Unidas (ONU) e da Organização para Cooperação de Xangai (OCX). Embora seja oficialmente uma república democrática, organizações não governamentais de direitos humanos costumam definir o país como "um Estado autoritário com direitos civis limitados".
A economia do país depende principalmente da produção de commodities, tais como algodão, ouro, urânio e gás natural. Apesar do governo declarar que uma transição para uma economia de mercado é um de seus principais objetivos, ele continua a exercer grande controle sobre a economia do país.
O nome "Uzbegistán" é mencionado pela primeira vez no século XVI, por Mirza Muhammad Haidar Dughlat, um princípe, comandante militar, político e historiador do Mogulistão. Três raízes competem quanto à origem do adjetivo "stão", que acompanha o nome do país e que, na família das línguas iranianas, significa "terra de". Essas três raízes consideram que o adjetivo pode significar "livre", "independente" ou o "próprio senhor" (do turcomano: "próprio") ou bek ("mestre" ou "líder"); pode ser, ainda, uma homenagem a Oguz Cagã, também conhecido como Ogus Begue, tratando-se, portanto, de um epônimo; e por último, há a possibilidade de a origem do adjetivo ser uma contração de "Uğuz", amalgamado com "bek", "oguz-líder". Todas às três origens têm a sílaba e o fonema meio sendo cognata com o título turco Beg.
O lugar costumava ser escrito como Ўзбекистон em cirílico, a escrita usada durante o regime soviético.
O território do Usbequistão foi povoado desde o segundo milénio a.C. Existem achados arqueológicos de ferramentas e monumentos de homens primitivos nas regiões de Fergana, Tasquente, Bucara, Corásmia e Samarcanda.
As primeiras civilizações existentes no Usbequistão foram a Sogdiana, Báctria e Corásmia. Os territórios destes estados foram integrados no império persa aqueménida no século IV a.C., de que fizeram parte durante vários séculos. Desse facto resulta que parte da cultura persa tenha sido preservada no Usbequistão até aos dias de hoje, onde muitos uzbeques falam persa bem como russo, além de uzbeque.
Em 327 a.C., Alexandre, o Grande conquista Sogdiana e Báctria, casando-se com Roxana, filha de Oxiartes, um chefe de Sogdiana. Contudo, segundo reza a história, a conquista em pouco ajudou Alexandre pelo que a resistência popular foi intensa, causando danos ao seu exército nesta região.
Em 1220 os seus territórios foram tomados por Gengis Cã, passando a integrar o Império Mongol.
No século XIV, Tamerlão subjugou os mongóis e criou um império. As suas campanhas militares estenderam-se até ao Médio Oriente. Tamerlão derrotou ainda o sultão otomano, Bajazeto I. Tamerlão visionava constituir a capital do seu império em Samarcanda, uma cidade de população predominantemente tajique. A imagem de Tamerlão seria tomada mais tarde como referência histórica na construção da identidade nacional uzbeque.
No início do século XIX perto de 3 200 km separavam a Índia Britânica das regiões extremas da Rússia Czarista. Grande parte desse território intermédio permanecia por cartografar.
O Império Russo iniciou então a sua expansão e estendeu-se pela Ásia Central. O período do "Grande Jogo" é geralmente considerado como o período decorrente entre 1813 e a Convenção Anglo-Russa de 1907.
Nesta região, a sua entrada deu-se após uma vitória fulgurante do general Mikhail Tcherniaev. Eles subjugam inicialmente em 1884 os canatos de Bucara e de Quiva, e seguidamente o Leste do atual Usbequistão, incluindo Tasquente (1865). Os territórios conquistados foram reagrupados num ajuntamento administrativo sob o nome de Turquestão Ocidental. Em março de 1876, o Canato de Cocande sucumbe por seu turno às mãos dos russos.
O Usbequistão como nação única e distinta apenas existe desde 27 de outubro de 1924, quando diversas entidades territoriais da Ásia Central foram reunidas na República Socialista Soviética Uzbeque. Em 1925, o Usbequistão integra a URSS.
Durante a Segunda Guerra Mundial, o Usbequistão acolheu várias centenas de milhares de famílias soviéticas em fuga das invasões Nazistas a ocidente, entre os quais muitos órfãos da guerra, o que veio acelerar a russificação da república, principalmente a capital, Tasquente. Uma parte das indústrias pesadas da parte europeia da URSS evacuou-se também para o Usbequistão. Essas fábricas permaneceram no Usbequistão após o final da guerra, contribuindo para a industrialização da república.
No dia 31 de agosto de 1991, o Usbequistão declarou a sua independência, mesmo que relutante, marcando o 1 de setembro como feriado nacional. Subsequentes tensões étnicas levaram perto de dois milhões de Russos a abandonar o país para a Rússia. Os uzbeques de etnia russa não têm qualquer estatuto legal na Rússia nem em qualquer outro país e encontram-se portanto espalhados pelo mundo, particularmente na Europa e Estados Unidos.
No dia 13 de maio de 2005 violentos protestos ocorreram em Andijan no seguimento da detenção de 23 muçulmanos acusados de serem fundamentalistas islâmicos. Os manifestantes tomaram de refém perto de trinta pessoas. Os soldados dispararam então sobre a multidão provocando um número elevado de mortos. O número exato de vítimas não é consensual, pelo que ao número oficial de 176 vítimas mortais, outras versões apontam para a ordem do milhar.