A Usina Hidrelétrica de Belo Monte é uma usina hidrelétrica (UHE) brasileira da bacia do Rio Xingu, próximo ao município de Altamira, no norte do estado Pará. A capacidade instalada da usina é de 11 233 MW e sua quantidade média de geração de energia é de 4 571 MW por mês.
Sua construção durou pouco mais de 8 anos e gerou diretamente mais de 30 mil empregos. Sua hidrologia acompanha a da bacia do Sul-Sudeste, não sendo complementar a esta. Desta forma, em crises como a de 2021 a usina gera menos em momentos de seca.
Em capacidade instalada, a usina de Belo Monte é a quarta maior hidrelétrica do mundo, atrás apenas das chinesas Três Gargantas (20 300 MW) e Xiluodu (13 800 MW) e da brasileira/paraguaia Itaipu (14 000 MW), sendo a maior usina hidrelétrica inteiramente brasileira.
A UHE Belo Monte é uma usina do tipo fio d'água e não possui reservatório de acumulação de água. A usina possui dois reservatórios de regularização, com área total de 478 km², sendo 274 km² do leito original do Rio Xingu. Os dois reservatórios são o Reservatório Xingu, com 359 km², e o Reservatório Intermediário, com 119 km².
Seu custo foi estimado pela concessionária em 26 bilhões de reais, ou seja 5,7 milhões de reais por MW efetivo. O leilão para construção e operação da usina foi realizado em abril de 2010 e vencido pelo Consórcio Norte Energia com lance de R$ 77,00 por MWh. O contrato de concessão foi assinado em 26 de agosto do mesmo ano e o de obras civis em 18 de fevereiro de 2011. O início de operação da usina estava previsto para 2015, mas a primeira turbina da usina entrou em operação somente em abril de 2016.
Para compensar o impacto ao meio ambiente, o consórcio Norte Energia já realizou mais de cinco mil ações nos últimos nove anos em cinco municípios da região onde se encontra Belo Monte, totalizando R$ 6,3 bilhões em investimentos.
Desde seu início, o projeto de Belo Monte encontrou forte oposição de ambientalistas brasileiros e internacionais, de algumas comunidades indígenas locais e de membros da Igreja Católica. Essa oposição levou a sucessivas reduções do escopo do projeto, que originalmente previa outras barragens rio acima e uma área alagada total muito maior. Em 2008, o CNPE decidiu que Belo Monte seria a única usina hidrelétrica do Rio Xingu.
Em 27 novembro de 2019, foi acionada a última turbina da usina, dando início à plena operação do empreendimento, tendo como capacidade total de geração 11 233 megawatts (MW) e 4 571 MW de energia assegurada, quantidade que pode ser comercializada pela empresa, que poderá atender 60 milhões de consumidores de 17 estados. Belo Monte havia exigido cerca de R$ 40 bilhões de reais em investimentos públicos e privados para ser concluída.
O projeto prevê a construção de uma barragem principal no Rio Xingu, localizada a 40 km acima da cidade de Altamira, no Sítio Pimental, formando o Reservatório do Xingu. A partir deste reservatório, parte da água seria desviada por um canal de derivação de 20 km de comprimento e 200 m de largura para um reservatório intermediário, localizado a aproximadamente 50 km de Altamira na região cercada pela Volta Grande do Xingu. (O projeto original previa dois canais de derivação, mas foi alterado em 2009 para um canal apenas.) Este reservatório seria criado fechando os escoadouros da região por 27 diques menores. Toda a área dos reservatórios é de 516 km², dividida entre os municípios de Vitória do Xingu (248 km²), Brasil Novo (0,5 km²) e Altamira (267 km²). A área a ser alagada é apenas parte desse total, pois este inclui a calha atual do Rio Xingu.
O vertedouro principal fica na barragem do Sítio Pimental, com vinte comportas de 20 m × 22,3 m, com vazão máxima total de 62 000 m³/s. Nesse local está prevista também uma escada para peixes para permitir a piracema. (O projeto original previa um vertedouro complementar no Sítio Bela Vista, entre o Reservatório Intermediário e o Xingu, que foi eliminado em 2009.)
A usina vai ter duas casas de força. A casa de força principal será construída no Sítio Belo Monte, pouco a montante da vila de mesmo nome. Ela terá dezoito turbinas hidráulicas tipo Francis com potência instalada total de 11 000 MW e vazão total de 13 950 m³/s. Embora a barragem principal tenha apenas 35 m de altura, o declive natural do rio no trecho de vazão reduzida faz com que a queda líquida (o desnível total da água entre os reservatórios e a saída das turbinas) seja de 87 m. A casa de força complementar será construída junto à barragem principal, no Sítio Pimental, e terá seis turbinas de tipo bulbo com potência total instalada de 233,1 MW, queda líquida de 11,4 m e vazão total turbinada de 2 268 m³/s.
O trecho de cerca de 100 km do Rio Xingu entre o Reservatório do Xingu e a casa de força principal terá a vazão reduzida em decorrência do desvio pelo canal. Foi estabelecido um hidrograma para a operação da barragem que garante para este trecho de vazão reduzida um nível mínimo da água, variável ao longo do ano, a fim de assegurar a navegabilidade do rio e condições satisfatórias para a vida aquática.
1975: iniciados os Estudos de Inventário Hidrelétrico da Bacia Hidrográfica do Rio Xingu.
1980: a Eletronorte começa a fazer estudos de viabilidade técnica e econômica do chamado Complexo Hidrelétrico de Altamira, formado pelas usinas de Babaquara e Kararaô.
1989: durante o 1º Encontro dos Povos Indígenas do Xingu, realizado em fevereiro em Altamira (PA), a índia Tuíra Kayapó, em sinal de protesto, levanta-se da plateia e encosta a lâmina de seu facão no rosto do presidente da Eletronorte, José Antônio Muniz, que fala sobre a construção da usina Kararaô (atual Belo Monte). A cena é reproduzida em jornais e torna-se histórica. O encontro teve a presença do cantor Sting. O nome Kararaô foi alterado para Belo Monte em sinal de respeito aos índios.
1994: O projeto é remodelado para tentar agradar ambientalistas e investidores. Uma das mudanças preserva a Área de Proteção Indígena Paquiçamba de inundação.
2001: divulgado um plano de emergência de US$ 30 bilhões para elevar a oferta de energia no país, o que inclui a construção de quinze usinas hidrelétricas, entre elas, Belo Monte. A Justiça Federal determina a suspensão dos Estudos de Impacto Ambiental (EIA) da usina.
2002: contratada uma consultoria para definir a forma de venda do projeto de Belo Monte. O presidente Fernando Henrique Cardoso critica ambientalistas e diz que a oposição à construção de usinas hidrelétricas atrapalha o País. O candidato à presidência Luiz Inácio Lula da Silva lança um documento intitulado O Lugar da Amazônia no Desenvolvimento do Brasil, que cita Belo Monte e diz que "a matriz energética brasileira, que se apoia basicamente na hidroeletricidade, com megaobras de represamento de rios, tem afetado a Bacia Amazônica".