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V-2

Míssil balístico guiado de longo alcance alemão

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O foguete V2 (sigla em alemão para "Vergeltungswaffe 2", "Arma de vingança 2"), ou simplesmente V2 (cujo codinome alemão original era A4), foi o primeiro míssil balístico guiado de longo alcance da história, tendo sido usado pela Alemanha Nazista durante as últimas fases da Segunda Guerra Mundial principalmente contra alvos britânicos e belgas como uma "arma de vingança" e designado para atacar cidades aliadas como retaliação aos bombardeios aliados de cidades alemãs. Recebeu este nome porque era uma arma alemã que se seguiu ao V-1, uma bomba voadora que voava como avião a jato. O foguete V-2 também se tornou o primeiro objeto artificial a viajar para o espaço cruzando a linha Kármán (limite do espaço) com o lançamento vertical do MW 18014 em 20 de junho de 1944.

A pesquisa sobre o uso militar de foguetes de longo alcance começou quando os estudos de pós-graduação de Wernher von Braun atraíram a atenção da Wehrmacht. Uma série de protótipos culminou no "A-4", que foi para a guerra identificado como "V-2". A partir de setembro de 1944, mais de 3 000 V-2 foram lançados pela Wehrmacht contra alvos aliados, primeiro Londres e depois Antuérpia e Liège. Os ataques de V-2 resultaram na morte de cerca de 5 000 civis e militares, e outros 10 000 trabalhadores forçados e prisioneiros do campos de concentração nazista de Mittelbau-Dora morreram como resultado de sua participação forçada no produção das armas.

O engenheiro mecânico alemão Wernher von Braun foi, ao lado de Arthur Rudolph, Kurt H. Debus e outros, um de seus principais desenvolvedores na estação experimental do exército alemão de Peenemünde. O verdadeiro nome do foguete era Aggregat-4 (A-4), mas ele ficou mais conhecido pelo nome Vergeltungswaffe 2 (Arma de Vingança 2, parte das Armas-V), dado pelo então ministro da propaganda Joseph Goebbels, já que as V2 eram lançadas como represália aos bombardeios aliados. Estima-se que cerca de 3 mil foguetes V-2 carregados com uma tonelada de amatol foram lançados sobre os inimigos da Alemanha.

Posteriormente à Segunda Guerra, von Braun fora transferido pelo serviço de inteligência militar americano para os EUA. Tanto o governo norte-americano quanto a URSS utilizaram a tecnologia desenvolvida para o foguete V2 como base para a corrida espacial e armamentista, culminando no desenvolvimento dos foguetes utilizados na primeira missão do programa espacial soviético, Vostok I, e dos foguetes Saturno, que impulsionaram as naves da Missão Apollo até a Lua.

Dificuldades do projeto do foguete

Até 1942 nenhum foguete grande havia deixado o solo, muito embora todo o funcionamento das V2 e dos futuros foguetes tenha sido descrito muito antes por pioneiros como Konstantin Tsiolkovsky (União Soviética) e Hermann Oberth (Alemanha). O norte-americano Robert Hutchings Goddard foi mais longe ao construir pequenos foguetes capazes de atingir grandes altitudes.

No entanto, nada se comparava ao desafio dos projetistas da V2: um foguete pesando 14 toneladas, lançado a 80 km de altitude, desenvolvendo para isto mais de meio milhão de cavalos-vapor, tudo isto reduzido em um motor de pouco mais de 1,65 m de comprimento e pesando 450 kg.

O projeto da V2 era máxima prioridade dos nazistas, já que o destino da Segunda Guerra Mundial pouco a pouco pendia para o lado dos aliados e apenas uma arma nova e excepcional poderia mudar este rumo (ver: Wunderwaffe).

No final da década de 1920, o jovem Wernher von Braun comprou uma cópia do livro de Hermann Oberth, "Die Rakete zu den Planetenräumen" ("O Foguete nos Espaços Interplanetários"). O primeiro programa experimental de foguetes em grande escala do mundo foi o Opel-RAK sob a liderança de Fritz von Opel e Max Valier, um colaborador de Oberth, durante o final da década de 1920, levando aos primeiros carros-foguete e aviões-foguete tripulados, que abriu caminho para o programa V2 da era nazista e para as atividades americanas e soviéticas de 1950 em diante. O programa Opel-RAK e as espetaculares demonstrações públicas de veículos terrestres e aéreos atraíram grandes multidões, bem como causaram entusiasmo público global num período que foi chamado de "Rocket Rumble" e tiveram um grande e duradouro impacto nos pioneiros dos voos espaciais posteriores, em particular em Wernher von Braun. A Grande Depressão encerrou essas atividades. Von Opel deixou a Alemanha em 1930 e emigrou mais tarde para a França e a Suíça.

A partir de 1930, von Braun frequentou a Universidade Técnica de Berlim, onde ajudou Oberth em testes de motores de foguetes a combustível líquido. Von Braun estava trabalhando em seu doutorado quando o Partido Nazista ganhou poder na Alemanha. Um capitão de artilharia, Walter Dornberger, conseguiu uma bolsa de pesquisa do Departamento de Artilharia para von Braun, que a partir de então trabalhou próximo ao local de teste de foguetes de combustível sólido existente comandado por Dornberger em Kummersdorf. A tese de Von Braun, "Construção, Teoria e Solução Experimental para o Problema do Foguete de Propelente Líquido" (datada de 16 de abril de 1934), foi mantida em sigilo pelo Exército Alemão e não foi publicada até 1960. No final de 1934, seu grupo havia lançado com sucesso dois foguetes que atingiram alturas de 2,2 e 3,5 km (1,4 e 2,2 mi).

Na época, a Alemanha estava muito interessada nas pesquisas do físico americano Robert H. Goddard. Antes de 1939, engenheiros e cientistas alemães ocasionalmente contatavam Goddard diretamente com questões técnicas. Von Braun usou os planos de Goddard de vários periódicos e os incorporou na construção da série Aggregat (A) de foguetes, cujo nome vem da palavra alemã para mecanismo ou sistema mecânico.

Após sucessos em Kummersdorf com os dois primeiros foguetes da série Aggregate, Von Braun e Walter Riedel começaram a pensar em um foguete muito maior no verão de 1936, baseado em um motor de empuxo projetado de 25 000 kg (55 000 lb). Além disso, Dornberger especificou os requisitos militares necessários para incluir uma carga útil de 1 tonelada, um alcance de 172 milhas (276,8 km) com uma dispersão de 2 a 3 milhas (3,22 a 4,82 km) e transportável usando veículos rodoviários.

Depois que o projeto A-4 foi adiado devido ao teste de estabilidade aerodinâmica desfavorável do A-3 em julho de 1936, Von Braun especificou o desempenho do A-4 em 1937, e após uma série de disparos de teste do modelo de teste em escala A-5, usando um motor redesenhado do problemático A-3 por Walter Thiel, O projeto e a construção do A-4 foram encomendados c. 1938–39. Durante 28-30 de setembro de 1939, a conferência "Der Tag der Weisheit" ("O Dia da Sabedoria") reuniu-se em Peenemünde para iniciar o financiamento de pesquisas universitárias para resolver problemas de foguetes.

No final de 1941, o Centro de Pesquisas do Exército de Peenemünde possuía as tecnologias essenciais para o sucesso do A-4. As quatro principais tecnologias para o A-4 eram grandes motores de foguete de combustível líquido, aerodinâmica supersônica, orientação giroscópica e lemes no controle do jato. Na época, Adolf Hitler não ficou particularmente impressionado com o V-2; ele opinou que era apenas um projétil de artilharia com um alcance maior e custo muito maior.

No início de setembro de 1943, Von Braun prometeu à "Comissão de Bombardeio de Longo Alcance" que o desenvolvimento do A-4 estava "praticamente completo/concluído", mas mesmo em meados de 1944, uma lista comleta de peças do A-4 ainda não estava disponível. Hitler ficou suficientemente impressionado com o entusiasmo de seus desenvolvedores e precisava de uma "arma milagrosa" para manter o moral alemão, então ele autorizou sua implantação em grandes números.

Os V-2 foram construídos na fábrica de Mittelwerk por prisioneiros de Mittelbau-Dora, um campo de concentração onde 20 000 prisioneiros morreram.

Em 1943, o grupo da resistência austríaca em torno de Heinrich Maier conseguiu enviar desenhos exatos do foguete V-2 para o Escritório de Serviços Estratégicos americano. Esboços de localização das instalações de fabricação de foguetes V, como as de Peenemünde, também foram enviados ao estado-maior aliado para permitir que os bombardeiros aliados realizassem ataques aéreos. Esta informação foi particularmente importante para a Operação Crossbow e a Operação Hydra, ambas missões preliminares para a Operação Overlord. O grupo foi gradualmente capturado pela Gestapo e a maioria dos membros foi executada.

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