Vacina é uma preparação biológica que fornece imunidade adquirida ativa para uma doença particular. Uma vacina tipicamente contém um agente que se assemelha a um microrganismo causador de doenças e é muitas vezes feita de formas enfraquecidas ou mortas do micróbio, das suas toxinas ou de uma das suas proteínas de superfície. O agente estimula o sistema imunológico do corpo a reconhecê-lo como uma ameaça, destruí-lo e a manter um registro seu (memória imunológica) para que possa mais facilmente reconhecer e destruir qualquer um desses microrganismos que mais tarde encontre. As vacinas podem ser profilácticas (exemplo: para prevenir ou melhorar os efeitos de uma futura infecção por qualquer patógeno natural ou "selvagem"), ou terapêuticas (por exemplo, vacinas contra o câncer estão a ser pesquisadas).
A administração de vacinas é chamada vacinação e sua eficácia tem sido amplamente estudada e verificada; por exemplo, a vacina contra a gripe, a vacina contra o HPV e a vacina contra a varicela. A vacinação é o método mais eficaz de prevenção de doenças infecciosas, e a imunidade generalizada devido à vacinação é amplamente responsável pela erradicação mundial da varíola e pela restrição de doenças como poliomielite, sarampo e tétano em grande parte do mundo. A Organização Mundial de Saúde (OMS) relata que vacinas licenciadas estão atualmente disponíveis para prevenir ou contribuir para a prevenção e controle de 25 infecções.
Os termos "vacina" e "vacinação" são derivados de Variolae vaccinae (varíola da vaca), o termo inventado por Edward Jenner para denotar a varíola bovina. Em 1881, para homenagear Jenner, Louis Pasteur propôs que os termos fossem estendidos para cobrir as novas inoculações protetoras então em desenvolvimento.
Antes da introdução da vacinação com material de casos de varíola bovina (vacinação heterotípica), a varíola poderia ser prevenida pela inoculação deliberada do vírus da varíola, processo posteriormente referido como "variolação" para distingui-lo da vacinação contra a varíola. As primeiras sugestões da prática de inoculação para a varíola vêm da China durante o século X. Os chineses também praticaram o mais antigo uso documentado da variolação, que remonta ao século XV. Eles implementaram um método de "insuflação nasal" administrado por sopro de material de varíola em pó até as narinas. Várias técnicas de insuflação foram registradas ao longo dos séculos XVI e XVII na China. Dois relatórios sobre a prática chinesa de inoculação foram recebidos pela Royal Society em Londres em 1700; um pelo Dr. Martin Lister, que recebeu um relatório de um empregado da Companhia das Índias Orientais estacionada na China e outro pelo Dr. Clopton Havers.
Em algum momento durante o final da década de 1760, enquanto servia de aprendiz de cirurgião/boticário, Edward Jenner soube da história, comum nas áreas rurais, de que os trabalhadores de laticínios nunca teriam a doença, muitas vezes fatal ou desfigurante, porque já haviam tido varíola bovina, que tem um efeito muito suave em seres humanos. Em 1796, Jenner coletou pus da mão de uma ordenhadora com varíola bovina, raspou-a no braço de um menino de 8 anos e, seis semanas mais tarde, inoculou o menino com varíola, observando depois que ele não pegava a doença. Jenner estendeu seus estudos e em 1798 relatou que sua vacina era segura em crianças e adultos e poderia ser transferida de braço a braço, reduzindo a dependência de suprimentos incertos de vacas infectadas. Uma vez que a vacinação a partir da varíola bovina era muito mais segura do que a inoculação da varíola, esta última, embora ainda amplamente praticada na Inglaterra, foi proibida em 1840. A segunda geração de vacinas foi introduzida na década de 1880 por Louis Pasteur, que desenvolveu vacinas contra o cólera e o antraz. As vacinas do final do século XIX eram consideradas uma questão de prestígio nacional, com leis de vacinação obrigatória.
O século XX viu a introdução de várias vacinas bem-sucedidas, incluindo as contra a difteria, sarampo, caxumba e rubéola. As principais realizações incluíram o desenvolvimento da vacina contra a pólio na década de 1950 e a erradicação da varíola durante os anos 1960 e 1970. Maurice Hilleman foi o mais prolífico dos desenvolvedores das vacinas no século XX. À medida que as vacinas se tornaram mais comuns, muitas pessoas começaram a tomá-las como garantias. No entanto, as vacinas permanecem indescritíveis para muitas doenças importantes, como herpes, malária, gonorreia e HIV/AIDS.
Vacinas são, historicamente, o meio mais efetivo e seguro para se combater e erradicar doenças infecciosas. Limitações para sua eficácia, porém, existem. Algumas vezes, a proteção oferecida pela vacina falha porque o sistema imune humano não consegue responder adequadamente ou não responde. A falta de resposta imune envolve muitos fatores, como diabetes, uso de esteroides sintéticos ou HIV. Pode também haver um fator genético para a falha da vacina, se o sistema imune não possuir linhas de células B capazes de gerar anticorpos específicos para se ligar a um determinado patógeno. Mesmo que o organismo desenvolva os anticorpos, a proteção ainda pode não ser adequada, pois a imunidade pode se desenvolver muito devagar para ser efetiva a tempo, os anticorpos podem não destruir o patógeno completamente ou pode haver muitas cepas diferentes de patógenos, nem todos suscetíveis a uma resposta imune. Porém, até mesmo a imunidade parcial, tardia ou fraca pode mitigar a infecção, resultando em uma baixa taxa de mortalidade, baixa morbidade e total recuperação.
Adjuvantes imunológicos são normalmente usados para aumentar a resposta imune, particularmente para pessoas mais velhas, na faixa de 50 a 75 anos em diante, cuja resposta imune a vacinas possa ter enfraquecido devido à idade.
Sua eficiência ou performance depende de vários fatores:
a doença em si (algumas vacinas se apresentam de melhor maneira que outras dependendo da enfermidade);
a cepa da vacina (algumas vacinas são específicas ou mais eficazes contra determinadas cepas de doenças, como no caso da gripe);
se o calendário de vacinação foi seguido e aplicado corretamente;
resposta idiossincrática da vacina; alguns indivíduos não respondem a certas vacinas, o que significa que eles não geraram anticorpos mesmo depois de vacinados;
fatores externos como etnia, predisposição genética e idade.
Se o indivíduo vacinado ainda assim desenvolver a doença contra a qual foi vacinado em uma epidemia, a doença será menos virulenta para ele do que para uma vítima não vacinada. Existem importantes considerações a respeito da eficiência dos programas de vacinação:
cuidadoso mapeamento para antecipar o impacto que a campanha de imunização terá na epidemiologia de uma doença a médio e longo prazo;
supervisão prolongada para doenças relevantes seguindo a introdução da nova vacina na população;
manutenção de altos índices de imunização, mesmo que a doença esteja virtualmente erradicada.