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Vitória da Prússia

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Frederica Amália Guilhermina Vitória (em alemão: Friederike Amalia Wilhelmine Victoria von Preußen; 12 de abril de 1866 – 13 de novembro de 1929) foi a quinta criança e segunda filha de Frederico III da Alemanha e da sua esposa Vitória, Princesa Real do Reino Unido, filha da rainha Vitória do Reino Unido. Para o público, ela sempre foi conhecida como princesa Viktoria, mas entre a família era chamada de “Moretta” ou “Pequena Vicky”.

A quinta filha do príncipe-herdeiro Frederico da Prússia e de Vitória, Princesa Real do Reino Unido, nasceu no dia 12 de abril de 1866 no Novo Palácio de Potsdam, em Potsdam, na Prússia. Foi uma altura conturbada tanto para a história da Alemanha como para a vida dos seus pais, uma vez que o Reino da Prússia estava prestes a entrar em guerra contra o Império Austríaco por causa da administração dos condados de Schleswig e Holstein, uma guerra que acabaria por dar origem ao Império Alemão e ficaria conhecida como Guerra Austro-Prussiana. Talvez devido às preocupações que a afectavam, a princesa Vitória deu à luz mais cedo do que se esperava, e entrou em trabalho de parto durante a viagem de comboio de Berlim para Potsdam, a sua residência de verão. A princesa quase nasceu no comboio, mas a sua mãe conseguiu aguentar até chegar ao palácio, embora, na altura da sua chegada, nada estivesse ainda pronto para o nascimento. A ama-de-leite ainda estava em Berlim e, à falta de roupas e mantas, a bebé foi embrulhada num saiote velho O pai de Vitória tinha sido nomeado comandante do Segundo Exército da Silésia e teria de partir no dia planeado para o baptizado da filha, que foi marcado para o aniversário da sua avó, a rainha Vitória do Reino Unido, no dia 24 de maio. Alguns dias antes, a mãe da bebé escreveu à rainha de Inglaterraː

O nosso baptizado vai ser tão triste, e, no dia seguinte, o meu Fritz parte para se juntar às suas tropas (...) não sei quando e onde o vou voltar a ver e não consigo descrever aquilo que sinto. Acho que o meu coração se vai partir. Ultimamente, é tudo uma incerteza, ruína e miséria.

A bebé foi baptizada com os nomes Frederica Amália Guilhermina Vitória. Algumas semanas depois, a 18 de Junho, o irmão mais velho de Vitória, o príncipe Segismundo, morreu em agonia de meningite. Não foi possível prestar cuidados médicos à criança, uma vez que todos os médicos da corte se encontravam com o exército na guerra. Três dias depois, a sua mãe escreveu à rainha Vitóriaː Agora já estou mais calma, pelo bem do Fritz e dos meus pequeninos, mas, ohǃ A cruz é muito pesada.

As primeiras semanas de vida de Vitória foram, naturalmente, marcadas pela perda do pequeno irmão que ela nunca conheceu. Em julho, a sua mãe enviou uma fotografia sua, na altura com três meses de idade, à rainha Vitória. Informou que a bebé era conhecida na família como "pequena Vicky" e acrescentou que era uma coisinha querida, bonita e pequenina, e tão alegre; dá gritinhos, risinhos e saltinhos e começa já querer sentar-se. Já lhe visto um saiote pequeno. Se não me lembrasse constantemente daquilo que perdi, ficaria muito contente e orgulhosa dela.

A morte de Segismundo continuou a afectar a princesa-herdeira durante bastante tempo. Um ano depois, enviou mais uma fotografia da sua filha mais nova à mãe, na qual a "pequena Vicky" aparecia vestida com roupas que tinham pertencido ao seu falecido irmãoː está a usar um chapéu de aba larga e um casaco que o irmãozinho dela vestiu muitas vezes o ano passado; era o que estava a usar quando adoeceu.

Depois de receber esta fotografia, a rainha Vitória ficou verdadeiramente alarmada com a filha que, nos termos da psicologia moderna, poderia ser descrito como uma espécie de colapso nervoso. Em resposta à carta, a rainha escreveu que achava preocupante o facto de a filha vestir a bebé com as roupas do irmão e que tinha um certo sentimento supersticioso quanto a vestir uma criança viva com as roupas que outra estava a usar quando morreu. Digo isto com todo o amor e afecto.

As palavras da rainha Vitória parecem ter surtido efeito e, a partir de então, a princesa-herdeira começou a melhorar gradualmente.

Logo que nasceu, Vitória ficou ao cuidado de uma ama inglesa, Mrs. Hobbs, o que fez com que, aos dois anos de idade, falasse apenas em inglês e não percebesse uma palavra de alemão. A pequena princesa era também extremamente tímida. Quando tinha dois anos, a sua mãe escreveu numa carta que a sua filha não conseguia sequer olhar directamente para estranhos e escondia-se atrás das suas saias ou das da ama e gritava com toda a força que tinha para que se fossem embora. É provável que este comportamento resultasse de alguns episódios traumáticos que sofreu por volta desta mesma altura. Em maio de 1868, um homem com distúrbios mentais invadiu o Novo Palácio em Potsdam quando Vitória e a família se encontravam a dormir. Os guardas conseguiram agarrá-lo antes de ele conseguir chegar aos aposentos das crianças, mas Vitória acordou com o barulho e começou a gritar aterrorizada. Dois anos depois, em Fevereiro de 1870, a família teve de ser evacuada do seu palácio em Berlim por causa de um incêndio a meio da noite e, finalmente, alguns meses depois, quando Vitória estava a passear de carruagem pela cidade com as amas, o seu irmão Valdemar, e as irmãs mais novas, outro louco invadiu a sua carruagem e sentou-se no colo de uma das amas. As crianças foram retiradas em segurança, mas o episódio também deixou as suas marcas.

Juntamente com os seus irmãos, Vitória foi criada entre as suas casas dos seus paisː o palácio que ficava na avenida Unter den Linden, em Berlim, e o Neue Palais em Potsdam. A sua mãe, a princesa-herdeira Vitória, teve mais liberdade para educar os seus filhos mais novos depois de dar dois herdeiros masculinos ao trono e reconheceu que tanto Vicky como os seus irmãos mais novos eram muito mais chegados aos pais do que os irmãos mais velhos. A princesa-herdeira era uma mãe muito afectuosa que adorava crianças pequenas, ao contrário da sua mãe, a rainha Vitória, mas, ao mesmo tempo, tinha expectativas muito elevadas para os seus filhos. Observava atentamente o seu comportamento, desenvolvimento e educação, algo que a colocava em confronto com os costumes e tradições da corte prussiana, onde os pais raramente se envolviam na educação dos filhos.

A princesa-herdeira nunca teve uma relação muito próxima com os seus sogros, o futuro imperador Guilherme I da Alemanha e a imperatriz Augusta e eles também nunca mostraram grande interesse pelos seus netos mais novos, que consideravam menos importantes do que os mais velhos. A recordação mais antiga que Vitória tinha da sua avó paterna era de uma ocasião em que ela lhe tinha gritado para não sair da sala onde estava aos saltinhos quando tinha três anos de idade. Por outro lado, sempre teve uma relação próxima com a sua avó materna, a rainha Vitória, que visitava com alguma regularidade em Inglaterra.

Quando tinha cinco anos de idade, a princesa Vitória da Prússia começou a receber as suas primeiras lições em casa com um horário exigente que começava às oito da manhã e só terminava ao final do dia, apenas com pausas de uma hora para estar com os pais e a pausa de almoço. Entre as aulas, a princesa e os irmãos praticavam também vários desportos, incluindo ginástica, dança e ténis. Este último era o que Vitória mais gostava e praticou-o o resto da vida. Na verdade, o desporto era mesmo o que a pequena princesa mais gostava de fazer, uma vez que nunca mostrou grande aptidão para disciplinas mais académicas, sendo descrita como uma aluna pouco empenhada e complicada.

Os professores das crianças foram todos escolhidos com cuidado. Vitória tinha uma preferência especial por uma das suas governantas, Miss Byng, a quem chamava "Minnie", embora também tivesse uma boa relação com a sua governanta alemã, Fraülin Poppe, que gostava muito de música e lhe deu as suas primeiras lições de canto, nas quais a ensinou a cantar músicas infantis alemãs. As lições de francês estavam a cargo de Mademoiselle Bujard, mas Vitória não era uma aluna empenhada. Mais tarde, no seu livro de memórias, a princesa admitiu que era preguiçosa e amuava com frequência, o que fazia com que a sua professora perdesse a paciência. Uma vez, a governanta ficou de tal forma exasperada que vestiu o casaco, pôs o chapéu na cabeça e disse que se ia embora. Quando voltou à sala alguns minutos depois, encontrou Vitória a chorar desolada e as duas fizeram logo as pazes. Estas governantas viviam todas no palácio e, além das lições que davam às suas alunas, eram também responsáveis por outras tarefas como, por exemplo, gerir o dinheiro que as princesas tinham sempre numa bolsa atada à cintura.

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