O Volkswagen Kombi foi um veículo comercial ligeiro produzido pela empresa automotiva alemã Volkswagen, entre 1950 e 2013. Por força de um decreto, os carros a partir de 2014, deveriam ser dotados de freio tipo ABS e possuir Airbag frontal duplo (para o condutor e passageiro do banco dianteiro). O antigo projeto mostrou-se incompatível com as novas exigências da legislação. No Brasil, foi fabricada ininterruptamente entre 2 de setembro de 1957 e 18 de dezembro de 2013, sendo praticamente o automóvel mais antigo no mercado do país. É considerada a precursora das vans de passageiros e carga.
Sua construção robusta monobloco (chassi e carroceria trabalhando integralmente), suspensão independente com barras de torção, além da excêntrica posição do motorista no automóvel (sentado sobre o eixo dianteiro e com a coluna de direção praticamente vertical), o tornam um veículo simples e robusto, de baixo custo de manutenção. Sua motorização é um caso a parte: embora os modelos recentes possuam motores mais modernos, durante 50 anos o motor que equipou o veículo no Brasil foi o tradicional "boxer" com refrigeração a ar, simples e muito resistente. Tal durabilidade geralmente superava em muito a do resto do carro, sendo comum nas ruas brasileiras ver carros totalmente destroçados, porém com o motor rodando perfeitamente. A despeito disso, a Kombi é um carro que, se usado dentro das especificações padrão, pode durar um longo período.
O nome Kombi vem do alemão Kombinationsfahrzeug que quer dizer "veículo combinado" (ou "veículo multi-uso", em uma tradução mais livre). O conceito por trás da Kombi surgiu no final dos anos 1940, ideia do importador holandês Ben Pon, que anotou em sua agenda desenhos de um tipo de veículo inédito até então, baseando-se em uma perua feita sobre o chassi do Fusca. Os primeiros protótipos tinham aerodinâmica terrível, porém retrabalhos na Faculdade Técnica de Braunschweig deram ao carro, apesar de sua forma pouco convencional, uma aerodinâmica automotiva melhor que a dos protótipos iniciais com frente reta. Testes então se sucederam com a nova carroceria montada diretamente sobre a plataforma do Fusca, porém, devido a fragilidade do carro resultante, uma nova base foi desenhada para o utilitário usando toda a mecânica do Fusca, baseada no conceito de chassi monobloco. Finalmente, após três anos passados desde o primeiro desenho, o carro ganhava as ruas em 8 de março de 1950.
O grupo Brasmotor passou a montar o carro no Brasil em 1953 e a partir do dia 2 de setembro de 1957 sua fabricação - o que faz do veículo o primeiro Volkswagen fabricado no Brasil, e o que esteve por mais tempo em produção.
Em 2006 este veículo (modelo T2.5 Microbus) foi protagonista do filme Little Miss Sunshine, sendo que boa parte do filme é passada com cenas neste veículo.
A Kombi está (ou já esteve) disponível no Brasil como:
A versão Standard veio para o Brasil inicialmente com a designação Kombi - do alemão Kombinationsfahrzeug, refletindo a natureza multiuso desta versão em particular, que poderia ser utilizada como veículo de carga (sem os bancos) ou de passageiros/família (com os bancos). Posteriormente o nome acabou servindo para designar toda a linha no Brasil.
Durante a produção no Brasil, a versão Standard apresentou várias configurações, como a atual "Escolar" para doze passageiros, ou Luxo, apresentada nos anos 1950 e 60 como transporte para famílias; este nicho de mercado é hoje ocupado pelas "minivans" tais como a GM Spin. Mais recentemente, o tipo "Standard" ganhou o modelo "Lotação", logo após a legalização do uso deste tipo de veículo para transporte público.
A versão "Trailer" era uma versão "motorhome" produzida pela Karmann, baseada no modelo furgão.
Um modelo Diesel chegou a ser produzido no Brasil. Utilizava o motor do Passat (atualmente carros de passeio não podem ter motores Diesel no mercado interno), com cilindrada alterada para 1600cc, e um nada discreto radiador montado na dianteira. Aparentemente o radiador não foi bem dimensionado para o layout ou para o tipo de motor, pois o modelo não agradou nas vendas justamente por superaquecer, dentre outros problemas.
Todas as versões representadas acima estiveram disponíveis com todas as versões de carroceria - exceto a versão Pick-up, que saiu de linha em 2000, sem jamais terem passado pela segunda reestilização ou terem ganho o motor 1.400cc refrigerado à água, restando apenas as versões standard e furgão.
Na Europa, a VW-Bus, ou VW Transporter, começou a ser fabricada em março de 1950 com a designação VW Tipo-2 T1. Sua frente tinha um típico desenho em forma de V e um grande emblema da Volkswagen, além do para brisa dividido, basculante. Essa frente da carroceria era mais estreita e por isso as portas dianteiras tinham uma curvatura na parte frontal. A porta lateral traseira em duas partes, com abertura por dobradiças.
Em 1967, surge na Europa a atualização Tipo-2 T2, com nova frente de para brisa integral de vidro curvo e na mesma largura da parte posterior da carroceria. As portas dianteira deixam, portanto, de ter a curvatura na parte da frente e a porta de acesso ao compartimento traseiro passa a ser corrediça, com trilhos, além de outras mudanças estéticas e diversas melhorias mecânicas que lhe garantiram a fabricação até 1979, quando em seu lugar entra a Tipo-2 T3, uma completa revisão do mesmo conceito, com motor boxer e tração traseiros e cabine avançando sobre o eixo dianteiro, embora com carroceria e componentes de chassis totalmente novos.
A edição brasileira, entretanto, não acompanhou todas as mudanças da original alemã, tendo sido fabricada na versão T1 até 1975, quando foi reestilizada adotando a frente da T2, porém, mantendo-se a parte posterior da carroceria do modelo antigo e introduzindo as melhorias mecânicas paulatinamente ao longo dos anos seguintes, até a sua transformação completa em T2 que acontece, finalmente, em 1997.
A versão produzida no Brasil a partir de 1997 era praticamente o mesmo modelo então produzido no México: uma cópia da T2.5/Clipper alemã (produzida entre 1972 e 1979), com porta lateral corrediça, tampa do porta malas mais larga, redução do número de janelas laterais para três em cada lado, mas com a inovação do teto elevado. A versão mexicana, no entanto, ainda contava com um painel de plástico envolvente que proporcionava maior proteção para os passageiros - item que nunca equipou a Kombi brasileira.
Em dezembro de 2005 ocorreu a mais recente modificação implementada pela marca, com adoção de motorização refrigerada a água e instrumentos do painel semelhante aos automóveis "de entrada" da marca (Gol e Fox). A mudança de motorização, para se adequar aos novos padrões brasileiros de emissões, selou, de forma discreta, o fim do motor boxer refrigerado a ar, que impulsionou vários Volkswagen durante mais de setenta anos.
Embora sua robustez, confiabilidade e baixo custo não encontrassem adversários, a impossibilidade de instalação de ABS e airbags, obrigatórios no Brasil a partir de 1º de janeiro de 2014, fez com que a Volkswagen do Brasil encerrasse a sua fabricação ainda como líder de mercado.
Há um projeto em andamento de um novo veiculo com design baseado na Kombi, mas desta vez na nova plataforma de propulsão elétrica "MEB", previsto para 2025. A VW já anunciou que, a partir de 2022 começará produzir o novo veículo.