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White Star Line

Companhia de navegação inglesa

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A Oceanic Steam Navigation Company, mais conhecida como White Star Line, foi uma companhia britânica de transporte marítimo que operou desde a metade do século XIX até meados do século XX. Ela se concentrava principalmente na operação de grandes navios transatlânticos em rotas entre o Reino Unido e a América do Norte, porém também possuía um certo número de embarcações que realizavam viagens para outras partes do mundo, principalmente Austrália e Nova Zelândia.

A White Star Line foi fundada em 1845 por John Pilkington e Henry Threlfall Wilson e começou seus serviços transportando imigrantes para a Austrália a bordo de pequenos navios. A empresa acabou entrando em falência e foi comprada em 1867 por Thomas Henry Ismay, que a renomeou oficialmente para Oceanic Steam Navigation Company, mas mesmo assim manteve as atividades comerciais sob o antigo nome. Ela então passou a se especializar no transporte de passageiros em luxuosas embarcações transatlânticas, começando pela Classe Oceanic na década de 1860. A White Star gradualmente ganhou prestígio internacional enquanto vários de seus navios batiam recordes de tamanho e ganhavam a Flâmula Azul de viagem mais rápida. Thomas Ismay morreu em 1899 e foi sucedido no comando da companhia por seu filho Joseph Bruce Ismay, que se juntou em 1902 à International Mercantile Marine Company do banqueiro norte-americano John Pierpont Morgan.

A empresa continuou a encomendar novos navios, construídos principalmente pelos estaleiros irlandeses da Harland and Wolff, deixando a velocidade de lado para se focar cada vez mais em tamanho e conforto. Essa ideologia foi aplicada na construção dos Big Four e principalmente na Classe Olympic. O naufrágio do RMS Titanic em abril de 1912 colocou a opinião pública contra a White Star Line e acabou levando a saída de Bruce Ismay da presidência. A companhia também perdeu diversos navios durante a Primeira Guerra Mundial, porém mesmo assim conseguiu se manter ativa pela década de 1920.

A White Star se separou da International Mercantile em 1927 e foi adquirida por lorde Owen Philipps, 1.º Barão Kylsant, junto com a Royal Mail Steam Packet Company, se tornando o maior grupo de transporte marítimo do mundo. A má gestão de Kylsant enfraqueceu a empresa, que acabou duramente atingida pela Grande Depressão. A White Star tentou vender muitos de seus navios a fim de se salvar e acabou sendo fundida em 1934 com sua rival Cunard Line, formando a Cunard-White Star Line. A empresa foi absorvida inteiramente pela Cunard em 1949, com seu último navio o MV Britannic sendo desmontado em 1960.

John Pilkington e Henry Threlfall Wilson, dois jovens que começaram suas carreiras náuticas na área de desmontagem de embarcações, criaram em 1845 uma empresa de fretamento de navios com sede em Liverpool, Reino Unido. No ano seguinte eles fretaram o brigue Elizabeth e lançaram em 26 de setembro sua primeira viagem para Montreal no Canadá. Pilkington e Wilson em seguida se engajaram no transporte de imigrantes para Nova Iorque nos Estados Unidos, continuando a utilizar embarcações fretadas. Em 1849 eles adquiriram seu primeiro navio próprio, um veleiro chamado Iowa, começando pouco depois a promover sua companhia como a "White Star Line of Boston Packets".

Pilkington e Wilson continuaram a adquirir mais embarcações, se beneficiando em 1851 da recente descoberta de ouro na Austrália. Muitas pessoas começaram a desejar imigrar para o país para participarem da resultante corrida do ouro, com a população local crescendo de 430 mil para 1,7 milhões de habitantes em apenas três anos. A essa altura os dois homens começaram também a enfatizar a segurança de seus navios. Além disso, grupos musicais foram sendo colocados nas embarcações a fim de tornarem mais agradáveis as austeras viagens nos veleiros de madeira. Como parte do negócio, a velocidade e o tamanho dos navios ficaram mais importantes. A empresa fretou em 1853 o RMS Tayleur, com Pilkington e Wilson realizando grandes apostas nele.

Essas esperanças logo foram decepcionadas. O Tayleur deixou Liverpool em 19 de janeiro de 1854 para sua viagem inaugural, porém logo ficou claro que seus equipamentos eram defeituosos e que sua tripulação em sua maior parte era incompetente para operá-lo de maneira adequada. O navio acabou batendo em rochas dois dias depois perto da costa da Irlanda e afundou, com aproximadamente metade das pessoas abordo morrendo. O naufrágio causou grande impacto na mídia, porém a maior parte da culpa caiu sobre a dona da embarcação a Charles Moore & Company, que não havia tomado as precauções necessárias antes do navio entrar em serviço, muito menos realizado testes marítimos. Isso permitiu que a White Star Line e o capitão John Noble saíssem ilesos do acidente.

Para compensar a perda financeira causada pelo Tayleur, a White Star comandou vários clippers, com o primeiro sendo o Red Jacket. O navio mostrou-se eficiente o bastante na linha australiana para garantir algum sucesso para a empresa, permitindo o fretamento de navios maiores e mais rápidos como o Shalimar, Sultana, Emma e White Star.

Entretanto, a companhia perdeu contratos postais em 1856 e Wilson insistiu no investimento de navios cada vez maiores a fim de manter a atenção do público. Pilkington tinha suas dúvidas e pouco depois deixou a empresa. Wilson o substituiu por James Chambers, renomeando a firma para H. T. Wilson & Chambers. A White Star continuou seus negócios apostando tudo em navios à vela, enquanto seus rivais diretos da Black Ball Line e Eagles Line se fundiram em 1858 para manterem-se na ativa após dificuldades causadas pelo advento da implementação de navios a vapor. Wilson durante esses anos prestou atenção no fluxo migratório, dirigindo de acordo as linhas da empresa para o Canadá ou para a Nova Zelândia. A White Star fretou em 1863 seu primeiro navio a vapor: o Royal Standard.

No ano seguinte, com o objetivo de melhorar suas linhas australianas, a White Star tentou se fundir com a Black Ball Line e a Eagles Line para formar a Oriental Navigation Company Limited, porém rumores de peculato acabaram frustrando o projeto. Uma nova tentativa de fusão, desta vez chamada de Liverpool, Melbourne and Oriental Steam Navigation Company Limited, sofreu um destino similar. Enquanto isso, a White Star sob o comando de Wilson contraiu vários empréstimos de grandes valores em diversos bancos para continuar a financiar novos navios, incluindo seu segundo vapor chamado Sirius. Desta vez, Chambers também ficou preocupado e deixou a companhia, sendo substituído por John Cunningham, porém o negócio não melhorou muito e a embarcação precisou ser vendida antes mesmo de entrar em serviço.

Em 1867, a dívida cada vez maior que empresa tinha com o Banco Real de Liverpool chegou em 527 mil libras esterlinas, um valor astronômico para a época e um praticamente impossível de ser pago. Os ativos da White Star foram liquidados ainda no mesmo ano e ela oficialmente declarou falência pouco depois. Sua bandeira e nome foram vendidos pelo valor de apenas mil libras e comprados pelo jovem empresário naval inglês Thomas Henry Ismay.

A compra da marca White Star Line foi finalizada em 18 de janeiro de 1868. Ismay já era dono de uma empresa de navegação chamada T. H. Ismay & Company, com todos os navios desta sendo transferidos para a nova White Star. Não demorou muito para embarcações com a bandeira da empresa começarem a voltar a navegar por todo o mundo. Ismay rapidamente desenvolveu a ambição de empregar tanto os veleiros quantos os novos navios a vapor, querendo modernizar completamente seu negócio. Foi nessa época que o comerciante teuto-britânico Gustav Christian Schwabese se ofereceu para financiar a iniciativa. Sua condição foi para que todas as novas embarcações da White Star fossem construídas pelos estaleiros da Harland and Wolff em Belfast, Irlanda, cujo sobrinho Gustav Wolff era um dos fundadores. Um acordo entre as duas empresas foi feito rapidamente para a construção de seis navios.

Uma nova empresa chamada Oceanic Steam Navigation Company foi criada em 6 de setembro de 1869 a fim de gerir esses novos navios, possuindo um capital de quatrocentas mil libras. O conjunto era administrado tanto pela T. H. Ismay & Company quanto por George Hamilton Fletcher, um novo parceiro de Ismay. William Imrie, amigo de Ismay, se juntou à empresa em 1870 e colocou a Oceanic sob a tutela de uma nova firma, a Ismay, Imrie and Company. Apesar dessa complexa organização de negócios, a companhia permaneceu conhecida pelo público e divulgada durante toda sua existência sob o nome de White Star Line. Logo surgiu a questão sobre qual linha Ismay lançaria seus novos navios e serviços. Em 1870, quatro empresas estavam firmemente estabelecidas na rota Nova Iorque–Liverpool: a Cunard Line, a Guion Line, a Inman Line e a mais modesta National Line. As características dos navios encomendados junto com a Harland and Wolff convencem Ismay de se arriscar e apostar no Atlântico Norte.

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