Wilhelm (William) Nylander (Oulu, 3 de janeiro de 1822 — Paris, 29 de março de 1899) foi um liquenologista, botânico e entomologista finlandês, que se distinguiu no estudo da taxonomia dos líquenes.
Nascido em Oulu, no noorte da Finlândia, Wilhelm Nylader completou os seus estudos secundários em Turku no ano de 1839. Matriculou-se de seguida no curso de Medicina da Universidade de Helsínquia (ao tempo Universidade Imperial Alexandre da Finlândia, parte do Império Russo), graduando-se em 1847, com 25 anos de idade. Paralelamente à sua actividade médica, enveredou inicialmente pelo estudo da entomologia e depois pela botânica, disciplinas em que adquiriu vastos conhecimentos.
Na década de 1850, interessou-se cada vez mais pela botânica e, em particular, pelo estudos dos líquenes, ao tempo considerados parte do reino vegetal. Nylander era ativo na Societas pro Fauna et Flora Fennica e as suas publicações sobre a flora da região de Helsínquia e da Carélia são consideradas o ponto de partida da pesquisa florística finlandesa e o modelos para muitos dos estudos posteriores. Nylander trabalhou em Paris, como bolseiro, em vários períodos entre 1850 a 1857, onde se concentrou no estudo dos líquenes.
Quando em 1852 foi criada a cadeira de Botânica na Universidade de Helsínquia, por divisão da anterir cátedra de Botânica e Zoologia, Nylander candidatou-se a esta posição e foi escolhido. Alexander von Nordmann, que ocupava a anterior cadeira combinada, continuou como professor de Zoologia. Terminado o seu trabalho como bolseiro em Paris, Nylander foi nomeado para o cargo em 1857. Nesse período, em co-autoria com o Thiodolf Saelan, preparou um catálogo das espécies finlandesas de plantas e fungos e da sua distribuição geográfica, obra que foi publicada em 1859. Esta obra, ao estabelecer a distribuição natural de múltiplas espécies na Finlândia, esboçou as bases da estrutura da divisão provincial histórico-natural do país.
Nylander serviu como professor em Helsinque por apenas três anos, atá 1860, após o que permaneceu em licença sem vencimento e voltou para Paris, onde trabalhou como investigador independente. Naquela época, ganhou renome como líder mundial no estudo dos líquenes e publicou uma grande variedade de artigos científicos. Em 1863 renunciou ao seu lugar de professor em Helsínquia, sendo o posto ocupado por Sextus Otto Lindberg, que foi nomeado seu sucessor na cátedra.
Em 1863 mudou-se para Paris, cidade onde viveu até falecer em 1899. Em Paris, trabalhou como investigador independente no Museu Nacional de História Natural, dedicando-se à liquenologia, sendo considerado como um dos principais investigadores sobre os líquenes da segunda metade do século XIX.
A maioria das publicações de Nylander trata da ocorrência de líquenes em regiões todo o mundo e da sua descrição taxonómica. O estudos dos líquenes de algumas regiões, especialmente dos trópicos, até recentemente dependia das bases taxonómicas lançadas pelos trabalhos de investigação de Nylander. Ao todo, estima-se que tenha fotografado cerca de 3 000 espécies ou formas de líquenes. Produziu mais de 300 publicações científicas, totalizando mais de 4 000 páginas, nas quais descreve mais de 3 000 espécies de líquenes.
Nylander foi o pioneiro na utilização de reagentes químicos para estabelecer a taxonomia dos líquenes, especialmente na utilização do hidróxido de potássio, das tinturas de iodo e do hipoclorito de cálcio, técnicas que ainda são usadas em liquenologia como o «teste k» e o «teste C».
Foi o primeiro a demonstrar a relação entre a poluição atmosférica e o crescimento dos líquenes, uma importante descoberta que abriu caminho para a utilização do distribuição de algumas espécies e da sua taxa de crescimento como indicador biológico da qualidade do ar.
Nylander não aceitou a teoria proposta pelo liquenologista alemão Simon Schwendener, que viria a ser confirmada, de que os líquenes são uma simbiose entre fungos e algas. Tornou-se um oponente feroz dessa teoria, a ponto de cortar relações até mesmo com amigos de longa data, e não apenas com os proponentes da teoria, mas também com aqueles cientistas que no seu entender não se opunham a ela com o vigor suficiente.
Sem rendimentos estáveis, viveu em Paris com grandes dificuldades económicas, ficando progressivamente mais isolado e ao abandono. Ainda assim, enquanto na França, Nylander juntou uma coleção considerável de líquenes, que legou à Universidade de Helsínquia. A colecção está atualmente armazenada no Departamento de Micologia do Museu das Plantas de Helsínquia e compreende mais de 51 000 espécimes. A coleção ainda está em uso para fins taxonómicos.
O seu nome foi usado como epónimo para vários taxa: os géneros de líquenes Nylanderaria Kuntze, Nylanderiella Hue e Nylanderopsis Gyeln. e o género de algas Nylandera Har..
O seu irmão, Fredrik Nylander, também foi um reputado botânico.
Entre muitas outras, é autor das seguintes publicações:
1853 Collectanea lichenologica in Gallia meridionali et Pyrenaeis
1857 Monographia calicieorum: specimen Academicum
1858 Énumération générale des lichens, avec l'indication sommaire de leur distribution géographique
1858 Expositio synoptica pyrenocarpeorum