Willian Souza Arão da Silva (São Paulo, 12 de março de 1992) é um futebolista brasileiro que atua como volante ou zagueiro no Santos.
Willian Arão começou nas categorias de base do Grêmio Barueri, onde se destacou e foi para a base do São Paulo em 2008. Dois anos depois, foi campeão da Copa São Paulo de Futebol Júnior, numa equipe que contava com nomes como Casemiro, Lucas Moura e Bruno Uvini.
Sua boa participação na Copinha daquele ano chamou atenção do poderoso empresário italiano Mino Raiola. O agente entrou em contato com o pai do atleta e o levou ao Espanyol, da Espanha.
Logo após a sua saída do São Paulo, Willian Arão foi contratado pelo Espanyol, de Barcelona. Com poucas chances, ora treinava no time principal, ora com o time B. Por problemas burocráticos, optou por voltar ao Brasil.
Apesar de não ter participado de nenhum jogo oficial pelo clube, Arão, em entrevista ao ESPN, disse que seu futebol evoluiu muito com o trabalho realizado com o então técnico da equipe, Mauricio Pochettino.
Retomou conversas com o Corinthians, que havia manifestado interesse em seu futebol anteriormente, e rapidamente acertou o contrato com o clube do Parque São Jorge, passando a treinar no CT, à espera da temporada 2012, com 19 anos na época.
No Timão, Arão era reserva de Ralf, um dos jogadores mais regulares do elenco, que quase nunca se lesionou ou era poupado pelo técnico Tite. Willian Arão ganhou quatro títulos como reserva: a Copa Libertadores da América e o Mundial de Clubes de 2012, além do Campeonato Paulista e da Recopa Sul-Americana de 2013. Foram 18 jogos disputados pelo clube alvinegro, com nenhum gol marcado.
Em 6 de agosto de 2013, Willian Arão foi anunciado como contratação da Portuguesa, assinando contrato por empréstimo até o fim do mesmo ano.
Foi emprestado para a Chapecoense no início de 2014. Marcou seu primeiro gol como profissional na vitória por 3–2 sobre o Atlético de Ibirama, na Arena Condá. Durante o recesso do Campeonato Brasileiro, a diretoria da Chape confirmou a liberação de William Arão, que retornou para o Corinthians.
Sem muito espaço no clube do Parque São Jorge, em 18 de setembro de 2014 foi cedido ao Atlético Goianiense. O volante disputou 13 partidas pelo Dragão e obteve destaque na Série B.
Ao ter seu contrato com o Timão terminado, em dezembro de 2014, Willian Arão foi anunciado pelo Botafogo como reforço para a temporada 2015. No clube carioca, ganhou rapidamente a titularidade, sendo o segundo jogador que mais atuou na temporada de 2015, atrás apenas do zagueiro Renan Fonseca. Se transformou no principal nome do meio-campo ao longo do ano, com boas atuações no Campeonato Carioca e na Série B. Sagrou-se campeão brasileiro da segunda divisão, sendo um dos principais nomes do clube da Alvinegro.
Após uma destacada temporada de 2015 pelo Botafogo, o clube tentou renovar o contrato do atleta. Desde agosto a equipe carioca vinha, sem sucesso, tentando renovar com o volante. Após várias tentativas infrutíferas, o Botafogo tentou exercer por duas vezes a cláusula de renovação automática constante no contrato do atleta com o clube (que previa renovação automática por mais um ano, em caso de depósito de 400 mil reais), depositando a quantia combinada na conta de Arão, que devolveu a quantia nas duas vezes.
Arão se valeu de uma mudança de regulamentação da FIFA que entrou em vigor em maio de 2015. A partir dali, estavam proibidos investidores em direitos econômicos de atletas, acabando com a chamada "terceira parte" em um contrato de futebol. A resolução da FIFA informava ainda que os contratos assinados entre janeiro e abril de 2015 — caso de Arão — teriam uma duração máxima de um ano. Já o Botafogo tinha uma outra visão jurídica do caso. O clube confiava na legalidade da cláusula, uma vez que o contrato com o jogador foi assinado em janeiro de 2015, antes da nova regulamentação da FIFA entrar em vigor. A regra não tem efeito retroativo, e o contrato está registrado na CBF e na Federação Carioca.
Como o atleta e o Alvinegro não chegaram a um consenso, o volante precisou ir à justiça para se desvincular oficialmente do clube.
Em dezembro de 2015, o atleta recebeu tutela antecipada que o permitiu se desligar do Alvinegro até o julgamento e deixou o caminho livre para se transferir para qualquer clube.
Em março de 2016, o caso foi julgado em primeira instância, que considerou nula a cláusula de renovação automática que havia em seu contrato. Assim, neste primeiro julgamento, a Justiça deu ganho de causa para o atleta. A Justiça entendeu que o contrato feriu a nova resolução da FIFA que proíbe investidores de ter direitos econômicos de atletas, considerando o próprio jogador como seu "investidor" e dono de parte do montante econômico na renovação. Em junho, o Botafogo recorreu em segunda instância no Tribunal Regional do Trabalho do Rio de Janeiro. O desembargador Bruno Louzada agendou uma audiência de conciliação para o dia 5 de setembro, em seu gabinete no TRT-RJ. Após analisar o processo, ele intimou não só o jogador e seu ex-clube, como também convocou o Flamengo, que originalmente não fazia parte do processo.
No mês de setembro, após a audiência de conciliação, o Flamengo sinalizou com uma oferta informal para tentar encerrar o caso. Além do empréstimo gratuito do meia Adryan, o Rubro-Negro acenou com R$ 3 milhões pelo aluguel de dez jogos no Estádio Nilton Santos.
Em fevereiro de 2017, o Tribunal Regional do Trabalho do Rio (TRT-RJ) julgou o caso, em segunda instância, e negou novamente provimento a recurso do Botafogo, confirmando por mais uma vez a sentença em favor do Arão. Mesmo com os julgamentos favoráveis ao atleta, ainda coube um último recurso no Tribunal Superior do Trabalho, em Brasília.