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Wu Zetian

Imperatriz chinesa da dinastia Zhou

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Wu Zetian (em chinês simplificado: 武则天; chinês tradicional: 武則天; pinyin: Wǔ Zétiān); (Guangyuan, 17 de fevereiro de 624 - Luoyang, 16 de dezembro de 705), conhecida como Imperatriz Wu, foi a única mulher na história da China que ocupou o trono imperial. Embora outras mulheres tenham tido influência sobre o poder, com posição de imperatrizes consortes ou regentes, a Imperatriz Wu foi a única que reinou como soberana, chegando a proclamar a sua própria dinastia, a que chamou Zhōu (周), numa tentativa de que o seu reinado evocasse o esplendor idealizado da antiga dinastia Zhou. Esta nova dinastia interrompeu brevemente a dinastia Tang, que seria restaurada após a sua abdicação forçada, poucos meses antes da sua morte.

Seu nome em chinês, Wǔ Zétiān, é uma combinação do seu apelido Wu e do seu nome póstumo Zetian. O seu nome pessoal era Wǔ Zhào (武曌), nome que tomou quando se fez com o poder, e para ele que chegou a inventar um carácter, com o fim de ter um nome único. Antes era conhecida com nomes diversos: durante o seu reinado utilizou o nome de Shèngshén Huángdì (聖神皇帝 / 圣神皇帝), utilizando o título huángdì atribuído pelo primeiro imperador Qin Shi Huang, e que se traduz simplesmente como "Imperador".

Uma mulher pretender ocupar o posto de huángdì foi motivo para escandalizar muitos dos intelectuais da época, que viam na subida ao trono de uma mulher uma violação das normas do confucionismo. A Imperatriz Wu tentou calar estas críticas mediante o patrocínio do budismo, promovendo interpretações da doutrina budista que davam legitimidade ao seu reinado. Wu Zetian é retratado em Wu Shuang Pu (無雙 譜, Tabela de Heróis Inigualáveis) por Jin Guliang.

Zetian Wuhou (則天武后) era também outro nome pelo qual era conhecida, embora Zetian seja uma designação de um cargo e não um nome próprio, como comprova o Zetian Gate, em Luoyang (onde se proclamou huangdi):“ Se, como Imperatriz, o seu nome pessoal tivesse sido Zetian, seria tabu dar o mesmo nome à entrada do palácio. No entanto, não se sabe o seu verdadeiro nome próprio, pois, numa sociedade confucionista “o nome das mulheres já tinha sido há muito eliminado e eclipsado por um sistema social e político patriarcal.”

Filha de Wu Shihou, que detinha um cargo oficial, e Madame Yang (da linhagem da família imperial Sui), Wu Zhao pertencia à nobreza.

Por esta altura, apesar da sociedade chinesa ser uma sociedade patriarcal, as mulheres desfrutavam de uma relativa liberdade, comparando com outras épocas. Por essa razão, Wu Zhao teve a oportunidade de estudar a escrita e música chinesas. Isto vem-lhe a ser útil mais tarde, quando o imperador Taizong 太宗 aceita Wu Zhao no seu harém como uma consorte de nível cinco, que corresponde ao título “Senhora de Talentos” (Cairen 才人) , aos 13 anos. Wu Zhao, por esta altura, já demonstrava uma atitude bastante determinada como se vê neste excerto:“O imperador tinha um cavalo muito selvagem que ninguém conseguia dominar e então pediu às mulheres do seu palácio alguns conselhos. Wu respondeu, ‘Eu consigo controlá-lo [o cavalo], mas irei precisar de três coisas: primeiro, um chicote de ferro; segundo, um bastão de ferro; e terceiro, um punhal. Se o chicote de ferro não o levar a obedecer eu usarei o bastão de ferro para lhe bater na cabeça, e se isso não resultar eu usarei o punhal para cortar a sua garganta.”

Esta destreza feminina impressionou Taizong, empregando-a como sua secretária durante os próximos dez anos. Segundo o autor, Yuen Ting Lee, após a morte do imperador Taizong em 649, a “Senhora de Talentos” foi enviada para o templo budista Ganye. Mas ao invés de passar o resto da sua vida como uma freira budista, o filho de Taizong, Gaozong, que sucedeu a seu pai tornando-se imperador, visita-a no primeiro aniversário da morte do seu pai. Tendo sempre uma estima especial por Wu, o imperador afasta-a do templo e leva-a de novo para a corte, desta vez nomeando-a “Lady of Bright Countenance” (zhaoyi 昭裔). Levou pouco tempo até que tivesse dois filhos com Gaozong, algo que não tinha conseguido com Taizong, e que também não tinha conseguido a imperatriz Wang, mulher de Gaozong.

A imperatriz Wang, não conseguiu conceber qualquer filho com Gaozong, algo que Wu Zhao tinha feito com bastante sucesso. A relação entre as duas era tensa, pois não só Wu Zhao tinha concebido quatro filhos com o imperador, como também era uma das suas concubinas preferidas, devido ao seu elevado grau de inteligência. As histórias sobre o que terá levado à morte da imperatriz Wang envolvem Wu, concedendo-lhe uma personalidade bastante fria e até maquiavélica. A história mais popular conta da seguinte forma:“Pouco depois da Imperatriz Wang brincar com a bebé, Wu matou a sua própria recém-nascida e culpou a Imperatriz Wang do assassinato. Gaozong acreditou nisto e rapidamente dispensou a sua Imperatriz e promoveu Wu Zhao à mesma posição; ela imediatamente mandou Wang e Xiao para a morte e exilou os seus familiares e apoiantes.”

Desde cerca de 660 que a imperatriz tinha uma presença muito acentuada no trato de assuntos do governo, devido ao facto do imperador ter sofrido um AVC e ter perdido a visão. A imperatriz não detinha qualquer poder, o imperador ainda possuía a posição hierárquica mais elevada, mas acredita-se que as suas opiniões e conselhos eram preponderantes para o imperador. Este caso é conhecido como “governando por trás da cortina”:“A partir desta altura, cada vez que o imperador efetuava as suas taredas, a Imperatriz

Wu sentava-se por trás da cortina. Em qualquer dos temas

Do governo, ambos ouviam juntos todos

(“Comprehensive Mirror for Aid in Government”)

Enquanto imperatriz, Wu Zhao apercebeu-se do talento de uma jovem escrava na corte, Shangguan Wan’er. Esta jovem de 14 anos chamou a atenção da imperatriz através da sua inteligência e grande talento para a literatura. Esta jovem tornou-se rapidamente uma companhia permanente de Wu Zhao, ajudando-a a organizar competições de poesia, propondo o aumento da biblioteca imperial, e trazendo mais estudiosos para a corte. Esta é a razão pela qual existiram grandes poetas durante esta dinastia. Grande parte deles foram contemporâneos a Wu Zhao, pela simples razão de que se formaram durante o tempo em que Wu governava e preparava o caminho e formação destes autores.

Outra grande conquista da imperatriz adveio desta relação com Wan’er. O sistema de recrutamento de oficiais afastou-se dos critérios de integridade e de boa conduta, para critérios mais focados no talento e capacidades intelectuais. Desta forma o número de oficiais pertencentes a clãs poderosos diminuiu, dando lugar a estudiosos e talentosos aristocratas.

Nesta área a sua maior irreverência, como huangdi, foi a introdução de novos carateres chineses. Eram entre 10 e 30 carateres que pretendiam substituir alguns carateres clássicos. O carater “zhao” 曌 (de onde vem o seu nome Wu Zhao) era um dos novos carateres conhecidos como “Chinese Characters of Empress Wu” ou “Zetian Characters”. Apesar de estes terem desaparecido após a queda da sua dinastia, continuam a ser utilizados nalguns dialetos.

Este carater (曌) é de grande importância para a própria Wu Zhao. Pela primeira vez tinha um nome próprio, reconhecido por todos. Depois de vários títulos, como “Zetian, “Cairen”, entre outros, Wu era agora conhecida pelo seu nome: Wu Zhao - único na história da China.

Durante a sua governação, Wu também conseguiu expandir o território de uma forma espantosa, sem iniciar grandes conflitos ou guerras.

Em relação à agricultura, também muito foi feito durante a dinastia Zhou, como compilação de livros sobre agricultura, construção de sistemas de irrigação, redução de impostos, e outros medidas de reforma agrária.

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