Xajar Aldur (em árabe: شجر الدر; romaniz.: Xajar Al-Dur/Al-Durr - "Árvore de Pérolas") (nome real: {{lang|ar|الملكة عصمة الدين أم خليل شجر الدر, Fatma al-Malikah ad-Din Umm-Khalil Xajar al-Durr; apelidada: أم خليل, Umm Khalil – "mãe de Calil"; m. Cairo, 1257) era a viúva do sultão aiúbida do Egito Sale Aiube que teve um papel crucial após a sua morte durante a Sétima Cruzada contra o Egito entre 1249 e 1250. Ela era considerada pelos historiadores e cronistas muçulmanos da época mameluca como sendo de origem turca. Ela se tornou a sultana do Egito em 2 de maio de 1250, marcando o final do reinado dos aiúbidas e o início da era dos mamelucos.
Xajar Aldur foi comprada como serva por Sale Aiube no Levante antes de ele se tornar sultão e o acompanhou com seus mamelucos em Caraque durante o período em que ele ficou preso em 1239. No ano seguinte, quando ele se tornou sultão, ela o acompanhou até o Egito e teve um filho com ele, Calil, que era chamado de Maleque Almançor. Ela era de origem turca e foi considerada muito bela, piedosa e inteligente pelos historiadores.
Em abril de 1249, Sale Aiube, o sultão aiúbida e marido de Xajar Aldur, que estava gravemente enfermo na Síria, retornou para o Egito e permaneceu em Ashmum-Tanah, perto de Damieta após saber que o rei da França Luís IX havia organizado um exército cruzado no Chipre e estava prestes a se lançar num ataque ao Egito. Em junho de 1249, os cruzados desembarcaram na cidade abandonada de Damieta às margens do rio Nilo. Sale Aiube foi carregado em sua maca até seu palácio na cidade melhor protegida de Almançora, onde ele morreu em 22 de novembro de 1249 após ter governado o Egito por volta de dez anos numa das mais desesperadoras situações na história da região. Xajar Aldur informou o emir Facradim Iúçufe ibne Xeique (comandante de todo o exército egípcio) e Tawashi Jamaladim Mucim (o eunuco que comandava o palácio) da morte do sultão, mas, como o país estava sob ataque cruzado, eles decidiram esconder a morte do rei dos cidadãos. O corpo já encaixotado do sultão foi transportado por barco, em segredo, até o castelo da ilha de al-Rudah, no Nilo e, apesar de o sultão morto não ter deixado nada em testamento sobre como deveria ser sua sucessão após sua morte, Fariçadim Aquetai foi enviado para Hasankeyf para convocar Turã Xá, que era o filho do sultão morto. Antes que ele morresse, o sultão assinou milhares de documentos em branco, que foram utilizados por Xajar Aldur e pelo emir Facradim para emitir decretos e dispensar as ordens do sultão e eles conseguiram convencer o povo e outros oficiais do governo que o sultão estaria apenas doente e não morto. Ela ordenou que a comida do sultão fosse preparada e enviada para sua tenda. Oficiais graduados, mamelucos e soldados do sultão receberam ordem — pela vontade do sultão — de jurarem lealdade ao sultão, a seu herdeiro Turá Xá e ao atabegue (comandante-em-chefe) Facradim Iúçufe.
As novidades sobre a morte de Sale Aiube alcançaram os cruzados em Damieta de alguma forma. Encorajados pela notícia da morte do sultão e pela chegada de reforços liderados por Afonso, Conde de Poitou, o irmão do rei Luís IX, os cruzados decidiram marchar em direção ao Cairo. Uma força cruzada liderada por outro irmão de Luís IX, Roberto I de Artois, cruzou o canal de Ashmum (conhecido hoje pelo nome de Albar Açaguir) e atacaram o campo egípcio em Gideila, a três quilômetros de Almançora. O emir Facradim foi assassinado durante o ataque repentino e a força cruzada avançou em direção da cidade de Almançora. Xajar Aldur concordou com o plano de Baibars para defender a cidade. A força cruzada foi aprisionada na cidade, Roberto d'Artois foi morto e a força cruzada, aniquilada por uma força egípcia em conjunto com a população da cidade lideradas pelos homens que estavam prestes a fundar um estado que dominará a região sul do Mediterrâneo por décadas: Baibars, Aibaque e Calavuno.
Em fevereiro de 1250, o filho do sultão morto, Turã Xá chegou ao Egito e foi entronado em Açalia por que não havia tempo para ir até o Cairo. Aliviada com a chegada de um novo sultão, Xajar Aldur anunciou a morte de Sale Aiube. Turã Xá seguiu direto para Almançora e, em 6 de abril de 1250, os cruzados foram completamente derrotados na Batalha de Fariscur, que terminou com a captura de Luís IX.
Com a Sétima Cruzada derrotada e Luís IX capturado, os problemas entre Turã Xá de um lado e Xajar Aldur com os mamelucos do outro começaram. Turã Xá, sabendo que não conseguiria assumir o poder completamente enquanto Xajar Aldur, os mamelucos e a velha guarda de seu falecido pai estivessem à sua volta, prendeu alguns oficiais e começou a trocar os mais antigos, incluindo o vice-sultão, por seus aliados que vieram consigo de Hasankeyf. Ele também enviou uma mensagem a Xajar Aldur enquanto ela estava em Jerusalém alertando-a e requisitando que ela lhe entregasse a riqueza e as jóias de seu finado pai, o que enfureceu a viúva e fez com que ela reclamasse com os mamelucos sobre a ingratidão e as ameaças de Turã Xá, enfurecendo-os também, principalmente seu líder, Fariçadim Aquetai. Além disso, Turã Xá abusava das bebidas alcoólicas e, quando bêbado, maltratava as servas do pai e ameaçava os mamelucos. Turã Xá foi finalmente assassinado pelos mamelucos em Fariscur em 2 de maio de 1250 e foi o último dos sultões aiúbidas.
Após o assassinato de Turã Xá, os mamelucos e emires se encontraram na dihliz (tenda real) do sultão e decidiram instalar Xajar Aldur como nova monarca com Izadim Aibaque como atabegue (comandante-em-chefe). Ela foi informada na Cidadela da Montanha (a residência do sultão), no Cairo e concordou. Xajar Aldur tomou o nome real de Malica Ismatadim Um Calil Xajar Aldur" com mais uns poucos títulos adicionais, como "Malikat al-Muslimin" ("Rainha dos Muçulmanos") e "Walidat al-Malik al-Mansur Khalil Emir al-Mo'aminin" ("Mãe de Maleque Almançor Calil, emir dos fiéis").
Ela passou a ser mencionada nas orações de sexta-feira com nomes como "Umm al-Malik Khalil" ("Mãe de Maleque Calil") e "Sahibat al-Malik as-Salih" ("Esposa de Maleque Sale"). Moedas foram cunhadas com seus títulos e ela assinava seus decretos com o nome "Walidat Khalil". A utilização dos nomes de seu finado marido e do filho morto foram tentativas de conseguir o respeito e a legitimidade que faltavam ao seu reinado como herdeira do trono sultânico.
Após prestar homenagem a Xajar Aldur e resolver sua situação, o emir Hoçamadim foi enviado até o rei Luís IX, que ainda estava preso em Almançora, e foi acordado que o rei poderia deixar o Egito vivo após pagar metade do resgate que se lhe havia imposto antes, tanto por sua vida quanto por Damieta. Luís entregou a cidade e viajou para Acre em 8 de maio de 1250, acompanhado de aproximadamente 12 000 prisioneiros de guerra.
As notícias sobre o assassinato de Turã Xá e a ascensão de Xajar Aldur como nova sultana alcançaram a Síria. Os emires da região foram convocados a irem ao Cairo prestarem homenagem a Xajar, mas se recusaram e o enviado do sultão em Caraque se rebelou abertamente. Os emires sírios em Damasco cederam a cidade para Nácer Iúçufe, o emir aiúbida de Alepo, e os mamelucos no Cairo responderam com a prisão dos emires que ainda eram leais aos aiúbidas no Egito. Além dos aiúbidas na Síria, também o califa abássida em Baguedade, Almostacim, desafiou o golpe mameluco no Egito e se recusou a reconhecer Xajar Aldur como monarca. A recusa do califa em reconhecer a nova sultana foi um grande obstáculo para os mamelucos no Egito, pois o costume durante a era aiúbida era que o sultão só poderia ganhar legitimidade após ser reconhecido pelo califa abássida. Os mamelucos decidiram então instalar Izadim Aibaque como novo sultão. Ele se casou com Xajar Aldur, que abdicou e passou para ele o trono após ter reinado no Egito como sultana por aproximadamente três meses. Apesar da curta duração, o governo de Xajar Aldur testemunhou dois importantes eventos da história da região: um, a expulsão de Luís IX do Egito, o que marcou o fim da ambição cruzada de conquistar a região sul da bacia do Mediterrâneo, e, dois, a morte da dinastia aiúbida e o nascimento do estado mameluco, que dominaria a região por décadas.