Xavier Hernández Creus, mais conhecido como Xavi (Terrassa, 25 de janeiro de 1980), é um treinador e ex-futebolista espanhol que atuava como meio-campista. Está sem clube.
Amplamente considerado um dos melhores meio-campistas de todos os tempos, era conhecido pelo seus passes, sua retenção de bola e pela visão de jogo. Xavi ingressou na La Masia, base do Barcelona, aos 11 anos de idade, e fez sua estreia pelo time principal contra o Mallorca, em 18 de agosto de 1998, aos 18 anos. Ao todo, ele disputou 767 partidas oficiais, um antigo recorde do clube, agora detido por Lionel Messi, e marcou 85 gols. Ele ganhou 25 títulos pelo clube, incluindo oito títulos da La Liga e quatro títulos da Liga dos Campeões da UEFA. Ele ficou em terceiro lugar no prêmio de Melhor Jogador do Mundo pela FIFA em 2009, bem como na Bola de Ouro do mesmo ano, e também ficou em terceiro lugar no seu prêmio sucessor, o FIFA Ballon d'Or, por duas vezes, em 2010 e 2011. Em 2011, foi segundo colocado no prêmio Melhor Jogador da UEFA na Europa. Em 2015, ele saiu do Barcelona para jogar no Al-Sadd, onde ganhou quatro títulos antes de se aposentar em 2019, tornando-se técnico do clube no mesmo ano.
Pela Espanha, Xavi ganhou a Copa do Mundo Sub-20 em 1999, e a medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Verão de 2000. Depois de fazer sua estreia pela Seleção Espanhola principal em 2000, ele jogou por 133 vezes pelo seu país e foi uma figura influente no sucesso da equipe. Ele desempenhou um papel fundamental na conquista da Copa do Mundo de 2010, bem como nas conquistas da Euro 2008 e da Euro 2012. Ele foi nomeado o Melhor Jogador da Euro de 2008, e foi escalado no Time do Torneio da Euro de 2008 e 2012. Com duas assistências na final da Euro 2012, Xavi se tornou o primeiro jogador na história a dar assistências em duas finais da Euro diferentes, depois de dar a assistência para o gol da vitória na final de quatro anos antes. Após a Copa do Mundo de 2014, Xavi anunciou sua aposentadoria da Seleção.
Xavi recebeu o prêmio de Melhor Playmaker do Mundo pela IFFHS por quatro vezes consecutivas, entre 2008 e 2011. Ele foi incluído na seleção da FIFA, chamada de FIFPro World XI, por seis vezes: de 2008 a 2013, e na Equipe do Ano da UEFA por cinco vezes: de 2008 a 2012. Em 2020, Xavi foi escalado no Ballon d'Or Dream Team, o maior XI de todos os tempos, publicado pela revista France Football. Xavi ganhou 32 títulos em sua carreira, o que faz dele o segundo jogador espanhol com mais títulos da história, atrás apenas de seu ex-companheiro de equipe, Andrés Iniesta. Em 2012, Xavi recebeu o Prêmio Príncipe das Astúrias. Após sua aposentadoria, Xavi tornou-se técnico em 2019 e assumiu o comando do seu último time como jogador, o Al-Sadd.
Em 1985, aos cinco anos de idade, Xavi começou a jogar numa escolinha de futebol, e nessa idade é comum que as crianças não tenham noção de posicionamento, portanto correm todos para o ataque, vão aonde a bola está. Só que o menino Xavi ficava parado no meio de campo e os adultos estranhavam esse comportamento. Certo dia seu pai lhe perguntou: "Filho, por que você está aí parado e não vai ao ataque como os outros meninos?", Xavi, com cinco anos de idade, respondeu: "Porque se eu não estiver aqui, a bola não chegará até lá".
Seis anos depois, em 1991, quando tinha 11 anos de idade, o pai de Xavi resolveu colocá-lo nas categorias de base do Barcelona.
Formado nas categorias de base do Barcelona (La Masia), inicialmente Xavi defendeu o Barcelona B entre 1997 e 1999. O meio-campista passou quase toda a sua carreira no clube do Camp Nou, onde chegou aos 11 anos de idade e permaneceu até 2015. Meia de grande visão de jogo, reflexo, qualidade técnica e passes extremamente precisos, estreou profissionalmente em 1998.
Naquele ano, a evolução de Xavi através das equipes de base chamou a atenção do então treinador Louis van Gaal, que lhe deu uma chance de estrear pela equipe principal do Barça no dia 18 de agosto de 1998, na final da Supercopa da Espanha contra o Mallorca. Logo em sua estreia, Xavi marcou seu primeiro gol pelo Barcelona. Em sua primeira temporada como profissional, conquistou seu primeiro título: a La Liga de 1998–99.
Com a sequência de lesões do então titular absoluto Josep Guardiola, que atuava na mesma posição, Xavi passou a atuar cada vez entre os titulares. A cada ano que se passava, ganhava cada vez mais oportunidades e sua evolução técnica era notável. Com a saída de Guardiola em 2001, não havia nenhum concorrente de peso para aquele setor do campo e Xavi tornou-se titular absoluto, atuando em quase todas as partidas da La Liga na temporada 2001–02. Virou uma peça-chave no meio-campo da equipe catalã e garantiu seu espaço na Seleção Espanhola, sendo convocado para a Copa do Mundo de 2002, realizada na Coreia e no Japão.
Tornou-se o vice capitão da equipe na temporada 2004–05, já que a braçadeira pertencia a Carles Puyol. Na temporada seguinte, 2005–06, Xavi rompeu os ligamentos do joelho esquerdo em um treinamento, e ficou fora de ação durante cinco meses, perdendo a maior parte daquela temporada e retornando às vésperas da final da Liga dos Campeões da UEFA, partida em que foi reserva por não estar em totais condições de jogo.
Na temporada 2008–09, Xavi foi fundamental para o Barcelona na conquista da tríplice coroa. Ele foi um dos principais jogadores da equipe durante esta conquista, atuando com excelência nas três competições: marcou um gol de falta na final da Copa do Rei, o quarto na vitória por 4 a 1 sobre o Athletic Bilbao. Pela La Liga, entre as muitas boas atuações, talvez a mais lembrada seja a vitória por 6 a 2 contra o Real Madrid, no chamado El Clásico, realizado em 2 de maio de 2009. Nesta partida, Xavi deu assistências para quatro dos seis gols de sua equipe (uma para Carles Puyol, uma para Thierry Henry e duas para Lionel Messi). O resultado do Barcelona no El Clásico foi crucial para a conquista do título da liga naquela temporada. Na reta final da temporada, Xavi ainda ajudou o Barcelona a vencer a final da Liga dos Campeões da UEFA contra o Manchester United, que terminou com o resultado favorável de 2 a 0 para os catalães, dando assistência para o segundo gol, de cabeça, marcado por Messi, aos 70 minutos de jogo. Xavi quase marcou o seu gol num forte chute de fora da área, que acertou em cheio o travessão. Ao final do torneio, Xavi foi eleito o melhor meio-campista da Liga dos Campeões da UEFA de 2008–09, somando este prêmio ao título coletivo da equipe do Barcelona na competição.
No dia 14 de fevereiro de 2009, Xavi igualou Carles Rexach na lista de mais jogos com a camisa do Barcelona, quando ele fez seu jogo de número 452, em sua 11ª temporada no clube. Ficou atrás apenas de Miguel Bernardo Bianquetti, o Migueli, que tem um total de 548 partidas entre 1973 e 1988. Ainda neste ano, foi finalista do prêmio de melhor jogador do mundo pela FIFA, perdendo para o seu companheiro de clube Lionel Messi. Por fim, em um ano de muitas conquistas, Xavi foi eleito o melhor do mundo pela IFFHS, organização reconhecida pela FIFA que é responsável por administrar e divulgar todos as estatísticas do futebol e também premia os melhores do mundo.
Ao final da temporada, renovou seu contrato com o clube até 2014. O novo contrato fez do seu salário um dos maiores dentre os jogadores do clube na época, recebendo cerca de 7,5 milhões de euros por ano. No total, Xavi acumulou 30 assistências em todas as competições na temporada.
Na temporada seguinte, 2009–10, Xavi continuou em excelente forma, liderando o meio de campo da equipe e sendo o líder de assistências da mesma. Ao fim da temporada, o jornal espanhol Marca colocou Xavi como o terceiro melhor jogador da La Liga naquela temporada, atrás apenas de Lionel Messi e Cristiano Ronaldo. Foi também eleito o segundo melhor jogador do Barcelona, em votação aberta aos torcedores. No dia 9 de junho de 2010, assinou um novo contrato com o clube, agora com opção de renovação automática até 2016, dependendo do número de jogos disputados.