Xogum (将(しょう)軍(ぐん), Shōgun; lit. "comandante do exército" em português), abreviação do termo japonês Seii Taishōgun (征(せい)夷(い)大(たい)将(しょう)軍(ぐん); lit. "Grande General Apaziguador dos Bárbaros"), foi um título militar, usado no período do Japão feudal, concedido diretamente pelo Imperador ao general que comandava o exército (enviado a combater os emishi, habitantes do norte do país). Até 1192, este título possuía nomeação temporária.
Quando os primeiros exploradores portugueses entraram em contato com os japoneses, durante o Período Nanban, em 1543, estes descreveram as condições japonesas em analogia, comparando o imperador ao papa, que possuía grande autoridade simbólica mas pouco poder político e o xogum aos governantes europeus seculares, como por exemplo, o Sacro Imperador Romano. Assim, os portugueses chegaram a usar o termo "imperador" em referência ao xogum, por exemplo, no caso de Toyotomi Hideyoshi, a quem os missionários chamaram de "Imperador Taicosama" (de Taiko e do sama honorífico). Atualmente xogum é comparado com termos como "ditador militar" ou "generalíssimo" com a finalidade de explicar as suas funções a um público não familiarizado com a história do país.
Desde o século XII até 1868 o xogum constituiu-se como o governante de facto de todo o país, embora teoricamente o Imperador fosse o legítimo governante e depositasse a autoridade no xogum para governar em seu nome. Durante este tempo, o Imperador viu-se obrigado a delegar completamente qualquer atribuição ou autoridade civil, militar, diplomática e judiciária a quem detivera tal título.
Ao governo comandado por um xogum, ou a ditadura militar exercida por um xogum, denominado em português como xogunato, em japonês como bakufu (幕(ばく)府(ふ), lit. "governo da tenda"), originalmente representava a tenda de onde o xogum liderava seu exército durante as batalhas. Durante a história do Japão existiram três governos xogunatos, com o primeiro a estabelecido em 1192 por Minamoto no Yoritomo, conhecido como "Xogunato Kamakura". Tal governo era controlado por apenas três membros do clã Minamoto, pois o poder fora usurpado pelo clã Hōjō, que sob o título de regentes nomeavam crianças e jovens para xoguns, que removiam do poder ao cumprirem os vinte anos.
O segundo xogunato é conhecido como "Ashikaga" e foi fundado em 1338 por Ashikaga Takauji. Durante este xogunato, quinze membros do clã Ashikaga mantiveram o cargo até Oda Nobunaga, um proeminente estratega militar do período Azuchi-Momoyama, remover o xogum em 1573. Oficialmente o governo de Yoshiaki durou até 1588, quando este renunciou ao seu cargo, embora a maioria dos historiadores assegurem que o xogunato de facto terminou em 1573.
O terceiro e último foi o "xogunato Tokugawa", instituído oficialmente por Ieyasu Tokugawa em 1603 e culminou em 1868, depois da renúncia ao cargo de Tokugawa Yoshinobu, quando o Imperador Meiji retomou o seu papel como protagonista na vida política do país e a figura do xogum foi abolida.
O termo "xogum" (将軍, Shōgun; lit. "Comandante do exército"), integrado pelos kanji 将(しょう), que significa "comandante" e 軍(ぐん) que significa "exército", é a abreviação do título histórico Seii Taishōgun (征夷大将軍; lit. "Grande General Apaziguador dos Bárbaros"), que era utilizado para se referir ao general que comandava o exército enviado a combater as tribos do norte do Japão. Depois do século XII, o termo utilizou-se para designar o líder dos samurais.
A administração de um xogum é chamada de "xogunato", originalmente bakufu (幕府) em japonês, e significa literalmente "governo desde a maku". Durante as batalhas, o chefe do exército samurai costumava estar sentado numa cadeira de tesoira dentro de uma tenda semiaberta chamada maku que exibia o seu respectivo mon ou brasão. A aplicação do termo bakufu ao governo do xogum mostra um simbolismo sumamente forte e representativo.
Historicamente utilizaram-se termos similares a Seii Taishōgun com diferente grau de responsabilidade, embora nenhum de eles alcançasse a importância de Seii Taishōgun. Alguns deles foram:
Seito Taishōgun (征東大将軍; lit. "Comandante-em-chefe para a pacificação do Leste")
Seisei Taishōgun (征西大将軍; lit. "Comandante-em-chefe para a pacificação do Oeste")
Chinjufu Shōgun (鎮守府将軍; lit. "Comandante-em-chefe do quartel central de pacificação")
Seiteki Taishōgun (征狄大将軍; lit. "Grande General subjugador dos bárbaros")
Mochisetsu Taishōgun (持節大将軍; lit. "Grande General de cargo temporário")
Sekke Shōgun (摂家将軍; lit. "Grande General conselheiro")
Mia Shōgun (宮将軍; lit. "Grande General do palácio")
O Seii Taishōgun do Período Heian (794–1185)
Originalmente, o título Seii Taishōgun era dado a comandantes militares durante os primórdios do Período Heian durante as campanhas militares contra os Emishi que resistiam ao governo da Corte Imperial em Kyoto. O mais famoso desses xoguns foi Sakanoue no Tamuramaro, que conquistou os povos Ainus em nome do Imperador Kammu. Após os Aino terem sido subjugados ou enviados a Hokkaido.