Yamandu Schmidt Costa (Passo Fundo, 24 de janeiro de 1980) é um violonista e compositor brasileiro, reconhecido como um dos principais expoentes do violão de sete cordas. Sua produção musical abrange diversos gêneros, como choro, bossa nova, milonga, tango, samba e chamamé, sendo frequentemente mesclados em suas composições e arranjos.
Sua carreira obteve projeção nacional em 2001, após vencer o Prêmio Visa de Música Instrumental. Desde então, desenvolveu uma carreira internacional, com apresentações em diversos países e colaborações com artistas de diferentes nacionalidades. Foi premiado com um Grammy Latino e múltiplos Prêmios da Música Brasileira.
Yamandu Costa nasceu em uma família com forte envolvimento musical. É filho da cantora Clary Marcon e de Algacir Costa (1951-2022), multi-instrumentista e líder do grupo Os Fronteiriços, dedicado à música latino-americana. Criado em Guaíba, Rio Grande do Sul, começou a estudar violão aos sete anos com o pai, que o introduziu ao repertório folclórico da região do Pampa.
Posteriormente, aprimorou seus estudos com o violonista argentino Lúcio Yanel, radicado no Brasil, que se tornou seu mentor. Yanel o familiarizou com uma técnica mais refinada e com o repertório do folclore argentino. A relação entre os dois músicos foi tema do documentário Dois Tempos (2021).
Até a adolescência, seu repertório era focado na música folclórica do Cone Sul. Seu interesse pela música brasileira se aprofundou após ouvir a obra de Radamés Gnattali, o que o levou a estudar outros compositores como Baden Powell, Tom Jobim e, principalmente, Raphael Rabello, que se tornou sua principal referência no violão de sete cordas.
Início da carreira e reconhecimento
Em 1997, aos 17 anos, apresentou-se pela primeira vez em São Paulo, no Circuito Cultural do Banco do Brasil. A performance contribuiu para sua inserção no cenário musical nacional, e no mesmo ano recebeu o prêmio de músico revelação no Prêmio Açorianos de Música.
O ponto de virada em sua carreira ocorreu em 2001, quando venceu o 4º Prêmio Visa de Música – Edição Instrumental. A premiação resultou na gravação de seu primeiro disco solo, Yamandu, e em convites para festivais importantes, como o Free Jazz Festival.
Em 2005, sua participação no documentário franco-brasileiro Brasileirinho, do cineasta Mika Kaurismäki, sobre o choro, ampliou sua visibilidade internacional. Sua trajetória foi narrada na biografia Yamandu Costa: Violão Sem Fronteira (2023), de Ricardo Viel.
Entre 2007 e 2023, foi casado com a violonista clássica franco-venezuelana Elodie Bouny, com quem teve dois filhos, Benício e Horácio. O casal manteve a parceria musical, lançando o álbum Helping Hands em 2024. Desde 2018, Yamandu reside em Lisboa, Portugal.
O estilo de Yamandu Costa é descrito por analistas como híbrido, combinando a técnica e os ritmos de suas raízes sulistas com gêneros musicais brasileiros e elementos de improvisação do jazz. Sua abordagem performática frequentemente dispensa o uso de partituras, baseando-se na memória e na improvisação, o que confere um caráter espontâneo às suas apresentações.
O violão de sete cordas é o instrumento central de sua produção musical. Ele expandiu o uso do instrumento, tradicionalmente associado ao acompanhamento no samba e no choro, consolidando-o como um instrumento solista. Sua maneira de tocar é citada como influência por músicos de diferentes gêneros. O guitarrista Tosin Abasi, da banda Animals as Leaders, mencionou Yamandu como uma de suas referências.
Em 2012, a revista Rolling Stone Brasil o incluiu em uma lista de 30 dos maiores ícones da guitarra e do violão no Brasil.
A discografia de Yamandu Costa inclui álbuns solo e projetos colaborativos.
2000 – Dois Tempos (com Lúcio Yanel)
2004 – El Negro del Blanco (com Paulo Moura)
2005 – Música do Brasil Vol.I (DVD)
2005 – Yamandu Costa ao Vivo (DVD)