Yasser Arafat (c. agosto de 1929 – 11 de novembro de 2004), também popularmente conhecido por sua kunya Abu Ammar, foi um líder político palestino. Foi presidente da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) de 1969 a 2004, Presidente do Estado da Palestina de 1989 a 2004 e Presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP) de 1994 a 2004. Ideologicamente um nacionalista árabe e socialista, Arafat foi membro fundador do partido político Fatah, que liderou de 1959 até 2004.
Arafat nasceu de pais palestinos no Cairo, Egito, onde passou a maior parte de sua juventude. Estudou na Universidade do Rei Fuad I. Enquanto estudante, adotou ideias nacionalistas árabes e antissionistas. Opondo-se à criação do Estado de Israel em 1948, lutou ao lado da Irmandade Muçulmana durante a Guerra Árabe-Israelense de 1948. Após a derrota das forças árabes, Arafat retornou ao Cairo e atuou como presidente da União Geral dos Estudantes Palestinos de 1952 a 1956.
Na segunda metade da década de 1950, Arafat cofundou o Fatah, uma organização paramilitar que buscava substituir Israel por um Estado palestino. O Fatah operava em vários países árabes, de onde lançava ataques contra alvos israelenses. Na segunda metade da década de 1960, o perfil de Arafat cresceu; em 1967 ele se juntou à Organização para a Libertação da Palestina (OLP) e, em 1969, foi eleito presidente do Conselho Nacional Palestino (CNP). A crescente presença do Fatah na Jordânia resultou em confrontos militares com o governo jordaniano do Rei Hussein e, no início da década de 1970, o grupo se transferiu para o Líbano. Lá, o Fatah ajudou o Movimento Nacional Libanês durante a Guerra Civil Libanesa e continuou seus ataques a Israel, fazendo com que a organização se tornasse um alvo importante das invasões israelenses durante o Conflito no sul do Líbano de 1978 e a Guerra do Líbano de 1982.
De 1983 a 1993, Arafat se estabeleceu na Tunísia e começou a mudar sua abordagem do conflito aberto com os israelenses para a negociação. Em 1988, ele reconheceu o direito de Israel de existir e buscou uma solução de dois Estados para o conflito israelo-palestino. Em 1994, retornou à Palestina, estabelecendo-se na Cidade de Gaza e promovendo a autogovernança para os Territórios Palestinos. Envolveu-se em uma série de negociações com o governo israelense para acabar com o conflito entre ele e a OLP. Estas incluíram a Conferência de Madrid de 1991, os Acordos de Oslo de 1993 e a Cúpula de Camp David de 2000. O sucesso das negociações em Oslo levou Arafat a receber o Prêmio Nobel da Paz, ao lado dos primeiros-ministros israelenses Yitzhak Rabin e Shimon Peres, em 1994. Na época, o apoio do Fatah entre os palestinos diminuiu com o crescimento do Hamas e de outros rivais militantes. No final de 2004, após efetivamente ter sido confinado em seu complexo em Ramallah por mais de dois anos pelo exército israelense, Arafat entrou em coma e morreu. A causa da morte de Arafat continua sendo objeto de especulação. Investigações de equipes russa e francesa determinaram que não houve jogo sujo, enquanto uma equipe suíça determinou que ele foi envenenado radiologicamente.
Arafat continua sendo uma figura controversa. Palestinianos geralmente o veem como um mártir que simbolizou as aspirações nacionais de seu povo, enquanto muitos israelenses o consideravam um terrorista. Rivais palestinos, incluindo islamistas e vários radicais da OLP, frequentemente o denunciavam como corrupto ou demasiadamente submisso em suas concessões ao governo israelense.
Arafat nasceu no Cairo, Egito, em 4 ou 24 de agosto de 1929. Seu pai, Abdel Raouf al-Qudwa al-Husseini, um parente distante de Amin al-Husseini, o antigo Grande Mufti de Jerusalém, era um palestino da Cidade de Gaza, cuja mãe, avó paterna de Yasser, era egípcia. O pai de Arafat litigou nos tribunais egípcios por 25 anos para reivindicar terras da família no Egito como parte de sua herança, mas não teve sucesso. Ele trabalhava como comerciante de tecidos no distrito de Sakakini, religiosamente misto, no Cairo. Arafat era o segundo filho mais novo de sete crianças e era, junto com seu irmão mais novo Fathi, o único filho nascido no Cairo. Jerusalém era a casa de família de sua mãe, Zahwa Abul Saud, que morreu de uma doença renal em 1933, quando Arafat tinha quatro anos de idade.
A primeira visita de Arafat a Jerusalém ocorreu quando seu pai, incapaz de criar sete filhos sozinho, enviou Yasser e seu irmão Fathi para a família de sua mãe no Bairro Mughrabi da Cidade Velha. Eles viveram lá com seu tio Salim Abul Saud por quatro anos. Em 1937, seu pai os chamou de volta para serem cuidados por sua irmã mais velha, Inam. Arafat tinha uma relação deteriorada com seu pai; quando ele morreu em 1952, Arafat não compareceu ao funeral, nem visitou o túmulo do pai ao retornar a Gaza. A irmã de Arafat, Inam, declarou em uma entrevista ao biógrafo de Arafat, o historiador britânico Alan Hart, que Arafat era fortemente espancado por seu pai por ir ao bairro judeu no Cairo e frequentar serviços religiosos. Quando ela perguntou a Arafat por que ele não parava de ir, ele respondeu dizendo que queria estudar a mentalidade judaica.
Em 1944, Arafat matriculou-se na Universidade do Rei Fuad I e formou-se em 1950. Na universidade, ele discutia com judeus e lia publicações de Theodor Herzl e outros sionistas proeminentes. Em 1946, ele era um nacionalista árabe e começou a adquirir armas para serem contrabandeadas para a Palestina Mandatária, para uso por irregulares do Comitê Árabe Superior e das milícias do Exército da Guerra Santa.
Durante a Guerra Árabe-Israelense de 1948, Arafat deixou a universidade e, junto com outros árabes, procurou entrar na Palestina para se juntar às forças árabes que lutavam contra as tropas israelenses e a criação do Estado de Israel. Durante a guerra, Arafat teria atuado como intermediário na compra de armas para as tropas do Mufti de Jerusalém, Amin al-Husseini. No entanto, em vez de se juntar às fileiras dos fedayin palestinos, Arafat lutou ao lado da Irmandade Muçulmana, embora não tenha se filiado à organização. Participou de combates na área de Gaza (que foi o principal campo de batalha das forças egípcias durante o conflito). No início de 1949, a guerra estava diminuindo em favor de Israel, e Arafat retornou ao Cairo devido à falta de apoio logístico.
Após retornar à universidade, Arafat estudou engenharia civil e atuou como presidente da União Geral dos Estudantes Palestinos (UGEP) de 1952 a 1956. Durante seu primeiro ano como presidente da união, a universidade foi renomeada Universidade do Cairo após um golpe realizado pelo Movimento dos Oficiais Livres derrubar o Rei Farouk I. Naquela época, Arafat havia se formado com bacharelado em engenharia civil e foi convocado para lutar com as forças egípcias durante a Crise de Suez; no entanto, ele nunca chegou a lutar. Mais tarde naquele ano, em uma conferência em Praga, ele vestiu uma keffiyeh branca sólida — diferente da de padrão de rede de pesca que adotou mais tarde no Kuwait, que se tornaria seu emblema.
Em 1990, Arafat casou-se com Suha Tawil, uma cristã palestina, quando ele tinha 61 anos e Suha, 27. A mãe dela a apresentou a ele na França, após o que ela trabalhou como sua secretária em Túnis. Antes do casamento, Arafat adotou cinquenta órfãos de guerra palestinos. Durante o casamento, Suha tentou deixar Arafat em muitas ocasiões, mas ele proibiu. Suha disse que se arrepende do casamento e, se tivesse a escolha novamente, não o repetiria. Em meados de 1995, a esposa de Arafat deu à luz em um hospital de Paris uma filha, chamada Zahwa em homenagem à mãe de Arafat.
O nome completo de Arafat era Mohammed Abdel Rahman Abdel Raouf Arafat al-Qudwa al-Husseini. Mohammed Abdel Rahman era seu primeiro nome, Abdel Raouf era o nome de seu pai e Arafat o de seu avô. Al-Qudwa era o nome de sua tribo e al-Husseini o do clã ao qual os al-Qudwas pertenciam. O clã al-Husseini era baseado em Gaza e não é relacionado ao conhecido clã al-Husayni de Jerusalém; outros membros notáveis da família incluem Amin al-Husseini.