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Zé da Luz

Escritor, alfaiate e poeta brasileiro

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Severino de Andrade Silva (Itabaiana, Paraíba, 29 de março de 1904 — Rio de Janeiro, 12 de fevereiro de 1965), mais conhecido como Zé da Luz, foi um alfaiate e poeta popular brasileiro, considerado um dos maiores expoentes da literatura de cordel e da chamada "poesia matuta" brasileira.

Filho de pais pobres — o pai era alfaiate e a mãe chamava-se Severina —, Zé da Luz teve que abandonar os estudos aos 11 anos de idade, quando cursava o terceiro ano primário. A morte do pai em 1913 forçou-o a assumir a profissão paterna como alfaiate para sustentar a família.

Seu irmão Sebastião Bastos de Andrade (1908-1984), também poeta e declamador, exerceu influência decisiva em sua vocação literária. Sebastião apresentava o programa "Mensagem para o Rancho" na Rádio Tabajara da Paraíba, onde declamava regularmente os poemas do irmão, contribuindo para sua popularização no Nordeste a partir de 1951.

Em 1936, após publicar Brasil Caboclo com apoio do governador Argemiro de Figueiredo (que fez a editora estatal A União imprimir a primeira edição), Zé da Luz mudou-se para o Rio de Janeiro. Trabalhou como alfaiate-cortador na loja "O Pavilhão", vizinha à célebre Livraria José Olympio — ponto de encontro de intelectuais como José Lins do Rego, Manuel Bandeira e outros escritores da segunda geração modernista. Essa vizinhança facilitou sua aproximação com os grandes nomes das letras brasileiras.

Aposentou-se por invalidez pelo Instituto dos Comerciários em 1951, permanecendo no Rio de Janeiro até sua morte em 1965.

Ai! Se Sêsse! — Seu poema mais célebre, escrito inteiramente no pretérito imperfeito do subjuntivo em linguagem coloquial sertaneja. O poema foi utilizado como questão do ENEM 2015 sobre variação linguística.

Brasi Cabôco — Poema-título que diferencia o Brasil das capitais do Brasil sertanejo autêntico

As Flô de Puxinanã — Paródia satírica de "Flô de Gerematáia" de Napoleão Menezes

Confissão de Caboclo — Poema trágico sobre analfabetismo e feminicídio

Na Morte do Mestre — Homenagem a Catulo da Paixão Cearense escrita em linguagem formal

Manuel Bandeira classificou Zé da Luz como pertencente a uma categoria de "poetas intermediários" — situados entre a poesia dos improvisadores sertaneiros e a poesia culta urbana, posição similar à de Catulo da Paixão Cearense. O poeta é considerado um dos maiores realizadores da "poesia matuta", estilo que se caracteriza pela declamação em linguagem regional com consciência artística refinada.

Suas principais características estilísticas incluem:

Linguagem coloquial reproduzindo o falar sertanejo (trocas fonéticas como "juntim" por "juntinho", "drumisse" por "dormisse")

Versos pensados para declamação oral

Predominância de redondilhas maiores (versos de 7 sílabas)

Rimas estruturadas para facilitar memorização

Tratamento cômico-irônico de temas sérios

Temas recorrentes: sertão nordestino, identidade nacional, crítica social, religiosidade popular, amor e desejo

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