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Zacarias (comediante)

Ator e humorista brasileiro (1934–1990)

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Mauro Faccio Gonçalves (Sete Lagoas, 18 de janeiro de 1934 – Rio de Janeiro, 18 de março de 1990), mais conhecido pelo nome artístico Zacarias, foi um ator, comediante, cantor, apresentador e locutor de rádio brasileiro. Famoso por criar e interpretar o personagem homônimo, com o qual fez parte do célebre grupo humorístico Os Trapalhões durante 17 anos.

Iniciou sua carreira no teatro, em Belo Horizonte, depois transitou para programas de rádio e radionovelas. Mais tarde aceitou convites para trabalhar na televisão e atuou nas principais emissoras do país, como TV Excelsior, TV Tupi, Record e TV Globo, em humorísticos como A Cidade Se Diverte e Praça de Alegria. Em 1973 foi convidado por Renato Aragão para integrar o grupo Os Trapalhões, quarteto com o qual permaneceu até sua morte precoce, em 1990. Foi o último a se juntar ao grupo e o primeiro a falecer.

Considerado o único ator profissional de Os Trapalhões, Mauro alcançou sucesso nacional e participou em mais de 150 shows em diversas cidades e nas principais capitais brasileiras, além de atuar em filmes, comerciais e no programa de televisão. Em sua carreira musical solo, chegou a gravar dois discos, participou de comerciais do Banco Nacional e recebeu um prêmio por sua atuação na peça A Dama do Camarote (1970). Também foi protagonista do filme Deu a Louca nas Mulheres (1977), no qual Zacarias interpretava o personagem principal.

Mauro Faccio Gonçalves nasceu em 18 de janeiro de 1934, em Sete Lagoas, interior de Minas Gerais, filho de Mariano R. Gonçalves e Virginia Faccio Gonçalves. Era o primogênito de uma família de onze irmãos. Em sua cidade natal ficou conhecido como "Bidu", apelido dado por seus familiares.

Iniciou seus estudos em 1941, na escola Sagrado Coração de Jesus, e concluiu o ensino secundário em 1951, na Escola Estadual Maurilo de Jesus Peixoto, onde formou-se técnico em contabilidade. Desde cedo, Mauro já demonstrava seu lado artístico, criando teatrinhos de quintal com as roupas da família. Apesar de sua timidez, participava de diversas apresentações na escola. Durante essa época integrou um grêmio teatral em Sete Lagoas, atuando, escrevendo e produzindo peças que chamavam a atenção dos moradores locais.

Em 1954 estreou na rádio participando do programa de variedades Em Babozal Era Assim, transmitido pela Rádio Cultura de Sete Lagoas. Antes de se tornar ator profissional trabalhou como vendedor de sapatos, operário em uma fábrica de café e como contador e gerente em um banco. Em abril de 1957 mudou-se para Belo Horizonte com o objetivo de estudar arquitetura, mas desistiu dos estudos após receber um convite para trabalhar na Rádio Inconfidência.

1955–1973: Carreira na rádio e primeiros anos na televisão

Graças ao seu talento cômico e à notável habilidade de trocar de vozes — criando personagens distintos e imitando sons de animais com impressionante precisão — Mauro rapidamente se destacou na rádio. Participou de diversas radionovelas e programas na Rádio Inconfidência, sendo Arte Final o mais marcante de sua trajetória na emissora. De 1960 a 1963 foi eleito o melhor comediante de rádio em Minas Gerais.

O reconhecimento na rádio o levou a ser convidado para trabalhar na TV Itacolomi, onde se destacou por sua versatilidade, interpretando uma variedade de personagens e contracenando com artistas renomados, como Paulo Gracindo, Mário Lago e Mário Tupinambá, que participavam do programa Tribunal de Calouros.

Em 1963, Mauro recebeu um convite do diretor Wilton Franco para integrar o elenco da TV Excelsior, no Rio de Janeiro. Apesar da hesitação inicial em deixar Belo Horizonte, decidiu mudar-se para a capital fluminense e investir em sua carreira televisiva.

Cinco anos depois, em 1968, aceitou o convite de Manuel de Nóbrega para trabalhar em São Paulo, atuando nas emissoras TV Tupi e TV Record. Nessa fase participou dos humorísticos A Cidade Se Diverte e Praça da Alegria, onde criou o personagem "Moranguinho", um garçom atrapalhado e de trejeitos infantis — considerado um prelúdio do que viria ser o Zacarias. O personagem foi inspirado em uma figura real e popular de Sete Lagoas. Também na TV Tupi realizou dublagens de filmes estrangeiros, destacando-se por sua voz clara e expressiva.

Em 1970, atuou na peça A Dama do Camarote, pela qual recebeu o prêmio de Ator Revelação.

O talento de Mauro chamou a atenção de Renato Aragão, que contracenou ao seu lado nos programas da Record. Renato convidou Mauro para se juntar a ele, Dedé Santana e Mussum. Inicialmente, Dedé discordou do convite, alegando que Mauro tinha mais cara de "gerente de banco", mudando de ideia ao vê-lo entrar no cenário com uma peruca, dentes pintados e falando com uma voz fina e estridente, o que fez todos caírem na risada. Estava ali formado oficialmente o quarteto Os Trapalhões, no ano de 1973.

O nome "Zacarias" surgiu de uma esquete elaborada por Aragão e pelo roteirista Emanuel Rodrigues, no qual os Trapalhões contracenavam com um galo de mesmo nome. Na hora das gravações, o animal não parava de cacarejar e todos começaram a rir, dizendo que o canto do animal se assemelhava muito a risada de Mauro. Apesar de inicialmente não ter gostado, Mauro adotou oficialmente Zacarias como seu nome artístico a partir daquele dia.

Zacarias era um tímido e ingênuo mineirinho, que se vestia e comportava-se de modo infantil. Devido a isso, o personagem caiu nas graças das crianças brasileiras, que passaram a adorá-lo. Mauro que era calvo, usava uma peruca para compor o personagem e pintava os dentes, já que Zaca era banguelo. Com uma voz esganiçada e um riso inconfundível, o personagem entrava em desespero caso alguém (geralmente Didi) arrancasse sua peruca. O personagem também usava muitos suspensórios e roupas coloridas, o que o deixava ainda mais próximo das crianças.

Alteração do nome do personagem

Em 1988, Mauro alterou o nome de seu personagem para Zacaria. Segundo o mesmo, a opção de excluir a letra S, foi um pedido de seu guia espiritual, que disse que traria mais fama ao personagem, além de não difamar o Profeta Zacarias, já que muitas crianças, devido ao nome do personagem, confundiam o personagem bíblico com o trapalhão. A mudança acabou se revelando inócua, tendo em vista que os fãs e a mídia continuam a se referir ao personagem pelo nome tradicional.

Em sua vida particular, Mauro era descrito pelos amigos como uma pessoa tímida, reservada e caseira, quase um "eremita". O ator gostava de ficar em sua casa e em seu sítio no bairro de Jacarepaguá, onde costumava receber a visita de amigos e familiares durante as folgas das gravações. Considerava-se também uma pessoa ecológica, pois era adepto do cultivo de plantas e hortaliças.

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