Zdeňka Wiedermannová-Motyčková (Náklo, 17 de abril de 1868 – Brno, 16 de outubro de 1915) foi uma professora, editora de jornal e ativista pelos direitos das mulheres tcheca. Nascida em uma família de educadores progressistas, ela estudou para tornar-se professora e se formou em 1886. Sua educação católica a levou a ter mais valores conservadores que sua família, mas após lecionar por alguns anos, ela passou a reconhecer as disparidades entre mulheres e homens professores, bem como entre seus estudantes. Em 1898 ela já clamava publicamente por salários iguais para trabalhos iguais e fazia campanha por uma educação igual para meninos e meninas. Em 1902 Wiedermannová fundou e tornou-se presidente do Sindicato de Mulheres Professoras da Morávia, cujo foco era profissionalizar os padrões de ensino. No ano seguinte ela abriu uma instituição de ensino para meninas em Brno, esperando posteriormente incluir educação secundária lá. Como a Áustria-Hungria oferecia poucos fundos para a educação de meninas, ela deu palestras para cobrir os custos operacionais da instituição. Em 1908 ela finalmente fundou a primeira escola secundária para garotas na Morávia.
Naquele ano Wiedermannová fundou e tornou-se editora da revista Ženská revue (Crítica Feminina), que publicava artigos sobre o desenvolvimento do movimento feminino internacional. Em 1909 ela se aposentou da carreira de professora para focar no ativismo. Ela tornou-se uma das mais proeminentes feministas checas, dando mais de cem palestras durante a sua carreira. Ela fundou inúmeras associações femininas e em 1910 foi peça chave na criação de uma organização guarda-chuva regional, a Organização Progressista Feminina na Morávia, ativamente comprometida com o sufrágio feminino e a integração das mulheres em todos os segmentos da vida pública.
Wiedermannová-Motyčková foi uma manifestante ativa em vários comícios e participou de petições para garantir o voto das mulheres. Ela compareceu em conferências internacionais femininas e criou laços com feministas de outras partes das terras checas. Por meio de campanhas coordenadas, as ativistas tentaram promover mudanças eleitorais, mas sua cooperação acabou fracassando. Desde o início da Primeira Guerra Mundial, seu ativismo mudou de foco e ela passou a se concentrar na ajuda humanitária para os pobres e para as famílias dos soldados. Wiedermannová morreu em 1915, antes do direito ao voto ser concedido às mulheres em 1918. Ela é lembrada pelo seu trabalho para estabelecer uma educação mais ampla para as mulheres e, de forma mais geral, para melhorar a condição feminina na região da Morávia.
Zdeňka Maria e Hedvika Wiedermannová, filhas gêmeas de Františka e Osvald Wiedermann, nasceram em 17 de abril de 1868 em Náklo, no Margraviato da Morávia, Terras da Coroa da Boêmia na Áustria-Hungria. Sua irmã gêmea viveu apenas três meses. Ela tinha outros quatro irmãos: Ludmila, que também se tornaria ativa no movimento feminino morávio, Božena, Růžena e Jaroslav. Seu pai costumava usar a versão checa do seu nome, Osvald Vídrman, e era um professor e etnógrafo de música e costumes populares. Embora ela tenha sido criada em uma família progressista, sua educação católica inicialmente enraizou uma filosofia mais conservadora para Wiedermannová. Ela foi educada em uma escola católica e em 1886 formou-se em uma instituição formadora de professores em Olomouc.
Wiedermannová começou a lecionar em Frenštát pod Radhoštěm após a sua graduação. Ela foi transferida para Holešov e depois Fryštát, mas foi embora para Praga com seu noivo. Quando ele a deixou, ela fez uma tentativa de suicídio. Decidida a continuar em Praga, ela conheceu em 1895 um padre católico e acadêmico, Antonín Podlaha. Sua família, que era ativa no movimento anticlerical, a persuadiu a retornar à Morávia onde, no final do ano, ela começou a lecionar em Moravské Budějovice. Posteriormente ela trabalhou em Ostrava, e se estabeleceu em Přerov no ano de 1898. Wiedermannová sentiu-se aprisionada pelos padrões duplos da época, que permitiam às mulheres trabalhar, mas pagava-lhes tão pouco que muitas vezes eram forçadas a se casar.
Naquela época o conservadorismo religioso de Wiedermannová havia desaparecido, e em uma conferência de professores sediada em 1898 em Přerov, ela protestou publicamente contra os salários das mulheres. Quando a assembleia ridicularizou seu argumento de que homens e mulheres deveriam receber o mesmo pagamento pelo mesmo trabalho, Wiedermannová explicou que ela trabalhava tanto quanto seus colegas homens mas ganhava menos. Para trabalhar em prol da igualdade salarial, ela fundou em 1902 o Sindicato de Mulheres Professoras da Morávia, no qual atuou como presidente. O sindicato também pressionou por uma melhor formação acadêmica para professores e instrutores industriais, bem como por mais escolas normais e outras instalações educacionais para meninas.
Wiedermannová deixou Přerov e foi contratada como diretora da escola Světlá em Velké Meziříčí, o que a levou a formar relações com algumas das principais figuras da reforma educacional tcheca, incluindo František Drtina, Josef Machar, Tomáš Masaryk e Josef Úlehla. Ela conheceu Masaryk em 1903 em uma conferência de professores em Brno, onde ele era palestrante convidado. Ele tornou-se seu mentor e tentou persuadi-la a servir como editora da seção feminina do jornal Naše doba, com o objetivo de integrar o movimento feminino da Morávia à política. Embora ela não tivesse aceitado a oferta, ele mais tarde a ajudou na fundação da revista Ženská revue (Crítica Feminina). Também em 1903, ela fundou e tornou-se diretora de uma instituição de ensino para garotas em Brno. Como apenas 2,5 milhões de coroas — de um orçamento educacional total de 43 milhões — foram dedicados à educação das mulheres pelas autoridades austro-húngaras, Wiedermannová organizou eventos para arrecadação de fundos, incluindo uma série de palestras que foram muito populares e forneceram capital operacional para a instituição.
O objetivo de Wiedermannová era inaugurar uma instituição de ensino médio para garotas, mas ela não conseguiu garantir fundos adequados para a fundação de um ginásio, ou persuadir as autoridades a emitir diplomas para os graduados. Quando esse plano falhou, ela pediu ao governo que permitisse que meninas frequentassem o ginásio masculino, mas as autoridades eram contra a instrução mista. Eles só permitiam que as meninas assistissem às aulas como observadoras em três instituições, e apenas para aulas de história, matemática e física. Wiedermannová continuou a pressionar pela adoção de uma reforma curricular que oferecesse educação básica obrigatória, incluindo certificados para todos os graduados que cumprissem os requisitos educacionais básicos.
Já em 1904, mulheres progressistas como Wiedermannová começaram a protestar pelo direito ao voto, fazendo petições destinadas à legislatura por mudanças no código civil, e protestando contra a legislação que proibia mulheres casadas de lecionar. Também naquele ano, ela compareceu ao segundo congresso da Aliança Internacional pelo Sufrágio Feminino (hoje Aliança Internacional da Mulher), sediado em Berlim, onde ela deu uma palestra sobre educação secundária de garotas nas Terras checas. Em 1907, Wiedermannová deu uma palestra em Praga, Emancipace ženy od kněze (Emancipação de uma mulher de um sacerdote), na qual ela criticava a Igreja Católica por "abusar mulheres mental e emocionalmente", e argumentou que a educação monástica não fornecia instrução adequada ou preparava as meninas para a profissão docente. Embora um ginásio feminino tivesse sido permitido a abrir em Velké Meziříčí, Wiedermannová ainda não havia alcançado o seu objetivo para Brno. Seu excesso de trabalho a levou para uma doença, que a deixou com o coração fraco e impactou na sua audição.
Em 1908, artigos exigindo direitos iguais apareceram em periódicos femininos da Morávia e três mulheres foram propostas como candidatas à assembleia legislativa estadual. Wiedermannová fundou e tornou-se editora da Ženská revue, revista que publicava informações sobre o movimento feminino internacional, professoras e educação. A aprovação para a fundação da escola de ensino médio para garotas havia sido finalmente concedida, mas a instituição estava impedida de usar o termo "ginásio" até 1910. Naquele ano, ela começou a viver com outro professor, Vincenc Motyčka. Como católico ele era impedido de casar-se novamente pois era divorciado, então ele e Wiedermannová ficaram impossibilitados de formalizar sua relação. A comunidade conservadora ficou escandalizada com seu modo de vida, e pressionou para que ela se demitisse do seu cargo na escola.