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Zelda Fitzgerald

Romancista, contista, poetisa, dançarina, pintora e socialite norte-americana

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Zelda Fitzgerald (Montgomery, 24 de julho de 1900 - Asheville, 10 de março de 1948) (née Sayre), foi uma romancista, contista, poetisa, dançarina, pintora e socialite norte-americana, além de esposa do escritor F. Scott Fitzgerald.

Zelda foi um ícone na década de 20, apelidada pelo marido de "primeira melindrosa americana". Depois do sucesso do primeiro romance de Scott, This Side of Paradise, os Fitzgerald viraram celebridades. Os jornais de Nova York os enxergavam como a concretização da Era do Jazz e da Geração Decadente: jovens, aparentemente ricos, belos.

Nascida no Alabama, ela era conhecida por sua beleza e vitalidade. Ela e o marido tornaram-se figuras emblemáticas durante a Era do Jazz. O sucesso imediato do primeiro livro de Scott, This Side of Paradise (1920), os levou a circular entre os altos círculos da sociedade, mas seu casamento foi marcado pelos excessos de bebida, pela infidelidade e por acusações mútuas.

Ernest Hemingway, por quem Zelda não nutria simpatia, a acusava pela queda na qualidade literária de Scott, sendo que Zelda contribuiu e muito com material para a ficção do marido. Depois de ser diagnosticada com esquizofrenia, ela foi continuamente internada em diversas clínicas. Scott morreu subitamente em 1940. Zelda morreu sete anos depois em um incêndio no Hospital Psiquiátrico de Asheville, na Carolina do Norte, onde era paciente.

Nascida em Montgomery, Alabama, no ano de 1900, Zelda era a mais nova de seis irmãos. Sua mãe, Minerva Buckner "Minnie" Machen (23 de novembro de 1860 — 13 de janeiro de 1958), escolheu seu nome em homenagem a personagens de duas histórias pouco conhecidas: "Zelda: A Tale of Massachussetts Colony" (1866), de Jane Howard, e "Zelda's Fortune" (1874), de Robert Edward Francillion. Nas duas histórias, Zelda é uma cigana. Quando criança, Zelda era mimada pela mãe, mas o pai, Anthony Dickinson Sayre (1858-1930) — um juiz da Suprema Corte do Alabama e um dos principais juristas do estado — era um homem severo e distante.

A família descendia dos primeiros moradores de Long Island, que se mudaram para o Alabama pouco antes da Guerra de Secessão. Na época do nascimento de Zelda, os Sayre eram uma família importante do sul dos Estados Unidos. Seu tio-avô, John Tyler Morgan, teve seis mandatos no Senado dos Estados Unidos; o avô paterno editava um jornal em Montgomery; o avô materno, Willis Benson Machen, cumpriu um mandato parcial como senador pelo Kentucky. Os irmãos de Zelda eram Anthony Dickinson Sayre Jr. (1894-1933), Marjorie Sayre (Sra. Minor Williamson Brinson) (1866-1960), Rosalind Sayre (Sra. Newman Smith) (1889-1979) e Clothilde Sayre (Sra. John Palmer) (1891-1986).

Zelda Sayre foi uma criança extremamente ativa. Ela dançava, fazia aulas de balé e gostava de ficar ao ar livre. Em 1914, passou a frequentar a escola Sidney Lanier High School. Ela era inteligente, mas não tinha interesse pelas aulas. Seu estudo do balé continuou durante o ensino médio, época em que teve uma vida social ativa. Embora bebesse, fumasse e passasse muito tempo com os garotos, ela continuou sendo uma líder na cena social da juventude local. Um artigo de jornal a respeito de uma de suas apresentações de dança citou-a dizendo que só queria saber de "garotos e de nadar".

Ela desenvolveu uma ânsia por atenção, buscando ativamente desrespeitar convenções — fosse dançando o Charleston ou vestindo um traje de banho justo e da cor da pele para incensar os rumores de que nadava nua. A reputação de seu pai funcionava como uma rede de proteção, o que evitou a ruína social de Zelda. Naquele tempo, a sociedade sulista americana esperava que as mulheres fossem delicadas, dóceis e transigentes. As excentricidades de Zelda chocavam as pessoas ao seu redor, e ela se tornou — junto à sua amiga de infância e futura estrela de Hollywood Tallulah Bankhead — um dos principais temas de fofoca em Montgomery. Seu etos foi resumido na citação adicionada abaixo de sua foto como formanda no ensino médio:Why should all life be work, when we all can borrow. Let's think only of today, and not worry about tomorrow.[Por que a vida deveria ser apenas trabalho, quando podemos pegar tudo emprestado. Vamos pensar somente no hoje, e não nos preocupar com o amanhã.]

Zelda e Scott se conheceram em julho de 1918. Ele passou a contatá-la diariamente e ia para Montgomery nos dias de folga. Ele falava sobre seus planos de ser famoso e enviou a ela um capítulo do livro que estava escrevendo. Estava tão encantado por Zelda que reformulou a personagem Rosalind Connage, de This Side of Paradise, para que se parecesse com ela. Ele escreveu: "qualquer crítica feita a Rosalind termina onde começa sua beleza". Também disse a Zelda: "a heroína se assemelha a você em mais do que quatro maneiras". Zelda era mais do que uma mera musa – depois que ela mostrou seu diário pessoal a Scott, ele copiou trechos inteiros em seu romance. O solilóquio do protagonista Amory Blaine no cemitério, que aparece na conclusão de This Side of Paradise, foi retirado diretamente do diário de Zelda.

O primeiro encontro de Scott e Zelda aconteceu numa estação de trem (que Scott mais tarde incluiu em The Great Gatsby). Scott não era o único homem cortejando Zelda, e a competição fez com que ele a quisesse ainda mais. No livro de registros que manteve meticulosamente durante toda a sua vida, ele mencionou, em 7 de setembro, que havia se apaixonado. No fim, ela também acabaria se apaixonando. Segundo a biógrafa Nancy Milford, "Scott atraiu algo em Zelda que ninguém antes dele havia percebido: um sentimento romântico de presunção, que era semelhante ao dele próprio".

O namoro foi brevemente interrompido em outubro, quando ele foi convocado para o norte. Ele tinha e expectativa de ser enviado para a França, mas foi designado para Camp Mills, em Long Island. Enquanto estava lá, o Armistício de Compiègne foi assinado. Ele voltou à base próxima a Montgmorey e, em dezembro, ele e Zelda se encontravam inseparáveis e apaixonados; Scott mais tarde descreveria o comportamento deles naquela época como "imprudência sexual". Em 14 de fevereiro de 1919, ele foi dispensado do serviço militar e partiu para Nova Iorque, onde se estabeleceu.

Os dois escreviam um para o outro com frequência e, em março de 1920, Scott enviou a Zelda o anel que pertencera à mãe dele, e eles noivaram. Muitos amigos e membros da família de Zelda ficaram receosos com o relacionamento. Eles não aprovavam o consumo excessivo de álcool por parte de Scott, e a família dela, que era episcopal, não gostava do fato de ele ser católico.

Em setembro, Scott já havia finalizado seu primeiro romance, This Side of Paradise, e o manuscrito foi rapidamente aceito para publicação. Quando soube que o romance havia sido aceito, Scott escreveu ao editor Maxwell Perkins solicitando a antecipação do lançamento: "Há muitas coisas que dependem do sucesso desse livro – incluindo, é claro, uma garota". Em novembro, ele voltou a Montgomery, triunfante com a novidade a respeito do romance.

Zelda aceitou se casar com ele assim que o livro fosse publicado; ele, por sua vez, prometeu levá-la para Nova Iorque com "toda a iridescência do princípio do mundo". This Side of Paradise foi publicado em 26 de março, Zelda chegou em Nova Iorque no dia 30 do mesmo mês, e, em 3 de abril de 1920, diante de um pequeno grupo de pessoas na Catedral de São Patrício, eles se casaram.

Scott e Zelda tornaram-se celebridades em Nova Iorque tanto pelo seu comportamento extravagante quanto pelo sucesso de This Side of Paradise. Eles foram obrigados a deixar o Hotel Biltmore e o Hotel Commodore devido à embriaguez. Certa vez, Zelda entrou na fonte da Union Square. Outro exemplo desse comportamento do casal data de quando conheceram Dorothy Parker: Zelda e Scott estavam sentados em cima de um táxi. Parker disse que "os dois pareciam ter acabado de sair caminhando de dentro do sol; sua juventude era impressionante. Todo mundo queria conhecê-lo". A vida social deles era regada a álcool.

Na vida pública, o efeito do excesso de álcool era apenas o de levar a eventuais cochilos quando chegavam às festas que frequentavam, mas, na vida privada, conduziu o casal a brigas cada vez mais severas. Para a satisfação de ambos, nas páginas dos jornais nova-iorquinos Zelda e Scott eram apresentados como ícones de juventude e sucesso – efants terribles da Era do Jazz.

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