Maria José de Castro Polessa (Rio de Janeiro, 22 de setembro de 1953) é uma atriz brasileira. Artista versátil, começou sua carreira na medicina ao mesmo tempo em que estudava para ser atriz, onde se consagrou e tornou-se conhecida por suas personagens intensas, tanto na comédia quanto no drama. Polessa é ganhadora de vários prêmios, incluindo um APCA, um Mambembe e três Prêmios Qualidade Brasil, além de ter recebido indicações para dois troféus Grande Otelo e dois Prêmios Shell.
Polessa fez sua estreia profissional na peça de drama Drácula (1973), Bram Stoker. No entanto, foi no papel de Mimi em Os Infortúnios de Mimi Boaventura (1974) que ela ganhou reconhecimento sendo eleita atriz revelação pela crítica carioca. Desde então, tornou-se assídua no teatro e recebeu aclamação, como em Chapeuzinho Amarelo (1980), Mabel Mabel (1982), O Beijo no Asfalto (1984), Rita Formiga (1986), A Mulher que Matou os Peixes (1994), pela qual levou um Mambembe, Não Sou Feliz, Mas Tenho Marido (2006) e Quem Tem Medo de Virgínia Wolf? (2013), sendo duplamente indicada ao Prêmio Shell pelas duas últimas.
Na televisão, sua estreia ocorreu em 1985 na minissérie Tudo em Cima, da Rede Manchete. Em telenovelas, Polessa teve personagens importantes em Top Model (1989), Explode Coração (1995), Porto dos Milagres (2001), A Lua Me Disse (2005), Beleza Pura (2008), Escrito nas Estrelas (2010), Cordel Encantado (2011), Salve Jorge (2012), Império (2014), A Força do Querer (2017) e Amor Perfeito (2023). Ela também obteve reconhecimento por suas atuações em seriados, cômicos e dramáticos, como O Portador (1991), As Noivas de Copacabana (1992), Memorial de Maria Moura (1994), pela qual recebeu um APCA, Decadência (1995), Hilda Furacão (1998), Garotas do Programa (2000) e O Bem-Amado (2011), pela qual venceu um Prêmio Qualidade Brasil.
No cinema, fez seu primeiro trabalho na comédia dramática Romance da Empregada (1988), em uma participação. Recebeu um prêmio no Festival de Gramado por sua atuação no curta-metragem Dedicatórias (1995). Polessa é reconhecida pela versatilidade, tendo atuado nos mais diversos gêneros, com destaque em As Alegres Comadres (2003), Achados e Perdidos (2006), pelo qual foi indicada ao Grande Otelo, Caixa Dois (2007), O Bem-Amado (2010), Irmã Dulce (2014), novamente nomeada ao Grande Otelo, O Amor no Divã (2016) e Minha Família Perfeita (2022).
Nascida no Rio de Janeiro em 22 de setembro de 1953, Maria José começou a trabalhar aos 17 anos de idade fazendo pesquisas de opinião nas ruas. Ao mesmo tempo, ingressou no curso de Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde se formou em 1977. Polessa sempre interessou-se pelo teatro, mas, por pressão familiar, optou por seguir uma carreira tradicional. Mesmo assim, dividia seu tempo com o teatro participando de algumas peças amadoras. Ainda por influência de sua família, ingressou no curso de pós-graduação em saúde pública. Só depois de concluir o curso conseguiu trocar tudo pelo teatro. Foi ao ingressar no Teatro O Tablado que teve um despertar pela atuação profissional.
1973—89: Formação artística e reconhecimento da crítica especializada
Polessa construiu sua carreira como atriz a partir de seus estudos na Aliança Francesa do bairro da Tijuca, no Rio de Janeiro. Formada em um grupo de teatro na Aliança Francesa de Copacabana, ela estreou sua atuação na peça Os Infortúnios de Mimi Boaventura, que foi apresentada nas sextas, sábados e domingos na Sala Molière, localizada no porão da escola, enquanto o restante da instituição permanecia fechado. A peça chamou a atenção dos críticos cariocas que assistia a peça, e Zezé recebeu o prêmio de atriz revelação em 1974 pelo seus desempenho como a protagonista "Mimi". Antes disso, ela já havia atuado em uma adaptação de Drácula (1973), de Bram Stoker, e Às Armas, de Miguel Oniga.
Em 1975 participou de Os Peixes da Babilônia, de Miguel Oniga, e em 1977 esteve no elenco da peça A Fabulosa História de Melão City, do grupo Contadores de Histórias, e na montagem de Balaço Barco, do grupo Saltimbancos. Em 1979, atuou na peça O Despertar da Primavera, do grupo Pessoal do Despertar e, em 1980, protagonizou Chapeuzinho Amarelo, de Chico Buarque. Esteve também no elenco de outras montagens, entre elas: Moço em Estado de Sítio, de Oduvaldo Vianna Filho (1982), Mabel Mabel (1982), O Círculo de Giz, de Bertolt Brecht (1983), A Família Titanic, de Mauro Rasi (1983), Folias do Coração, de Geraldo Carneiro (1983) e O Beijo no Asfalto de Nelson Rodrigues (1984).
Em 1985, estreia na televisão atuando na minissérie Tudo em Cima, da TV Manchete, escrita por Bráulio Pedroso e Geraldo Carneiro. Na trama, de suspense policial que investiga uma explosão que matou uma figura importante da sociedade, ela interpreta "Clara". Entre 1985 e 1986, atua no seriado Tamanho Família, que acompanha uma família de classe média enfrentando a crise brasileira com bom humor. Este foi o primeiro trabalho de Miguel Falabella como autor de séries humorísticas e tinha ainda no elenco Ivan Cândido, Suely Franco, Diogo Vilela e Elizabeth Henreid nos papéis principais.
Em 1986, retornou ao teatro protagonizando a peça Rita Formiga, de Domingos Oliveira. A personagem "Rita Formiga" da peça foi inspirada na atriz Maria Gladys, que nos anos 60, era vizinha do diretor, e costumava telefonar para Domingos de Oliveira, compartilhando histórias tão inusitadas e com uma alegria de viver tão genuína que ele decidiu gravá-las. Neste ano, também está em El Grande de Coca-Cola, de Naum Alves de Sousa, com Pedro Paulo Rangel. No ano seguinte, em 1987, integrou o elenco da peça Ensaio nº 4 - Os Possessos, de Dostoievski, e do musical Jou Jou Balangandãs, de Antônio Pedro. Nesse mesmo ano, fez sua estreia no cinema no filme Romance da Empregada, de Bruno Barreto, estrelado por Betty Faria, onde Polessa atua em uma participação especial como uma garçonete engraçada de uma festa onde a protagonista está.
Em 1988 participou da montagem de Noel Rosa: Um Musical, de Joaquim Assis, que tinha Pedro Cardoso no papel do cantor Noel Rosa, e foi agraciada com o Prêmio Mambembe pela sua participação em Delicadas Torturas, de Harry Kondoleon. No ano seguinte, é dirigida por Walmor Chagas no espetáculo O Santo e a Porca, comédia escrita por Ariano Suassuna e protagonizada por ela ao lado de Ítalo Rossi. Também em 1989, é contratada pela TV Globo e faz sua estreia na emissora com a personagem "Naná" no sucesso do horário das sete Top Model, novela de Walther Negrão e Antônio Calmon. Na trama, sua personagem é uma mulher atrapalhada e carente. Está no núcleo principal da novela e trabalha como secretária, babá e fiel escudeira de "Gaspar" (Nuno Leal Maia), ajudando-o a criar seus cinco filhos órfãos de mãe. Ela secretamente nutre uma paixão platônica por ele e disputa esse amor com a bela "Marisa" (Maria Zilda Bethlem).
1990—99: Projeção nacional e consolidação de seu espaço na TV
Em 1990, é convidada para o espetáculo especial Receita de Vinícius, que tem autoria e trilha sonora assinada por Vinícius de Moraes, e também está no elenco de Bukowski: Bicho Solto no Mundo, com Paulo José. Posteriormente, em 1991, foi escalada para o elenco de Vamp, mais um sucesso de audiência em parceria com Antônio Calmon. Na novela, ambientada em uma fictícia cidade do interior do país tomada por vampiros, interpretou "Silvia", proprietária de um restaurante na cidade, e fez par romântico com Paulo José novamente (anteriormente haviam trabalhado no teatro). Neste ano, também realizou uma participação especial no humorístico Doris para Maiores, apresentado por Dóris Giesse, onde havia uma esquete onde ela interpretava a androide "Dorfe", contracenando com Polessa, Diogo Vilela e Débora Bloch.
Ainda em 1991, interpreta "Vilma" na minissérie O Portador, que acompanha o empresário "Léo" (Jayme Periad), um homem que contraiu o vírus HIV devido a uma transfusão de sangue recebida após ser vítima de um acidente aéreo durante uma viagem a Manaus e agora luta contra os preconceitos sociais da doença e por descobrir de quem contraiu a doença. Entre 1992 e 1994, foi aclamada no teatro com o espetáculo infantil A Mulher que Matou os Peixes, baseado na obra de Clarice Lispector. Dividindo o palco com o pianista Marcelo de Alvarenga e com seu duplamente filho – na vida real e na peça – João Polessa Dantas, ela recebeu elogios por prender a atenção do público com o difícil trabalho do monólogo. Polessa recebeu os prêmios de melhor atriz pelo Prêmio Coca-Cola de Teatro Infantil e no prestigiado Troféu Mambembe.