Zhu Xi (朱熹; Zhū Xī; 1130–1200) foi um filósofo, professor e funcionário público chinês da dinastia Song do Sul. Um dos principais pensadores do neoconfucionismo, reinterpretou a tradição de Confúcio e deu a ela uma influência duradoura. Também se dedicou à história, ao estudo da natureza e à caligrafia chinesa.
Reuniu e comentou quatro textos clássicos que passaram a formar os Quatro Livros. Seus comentários se tornaram referência para gerações de estudantes e foram adotados nos exames imperiais, usados para selecionar funcionários do governo. Durante séculos, sua interpretação desses textos orientou o ensino na China.
Para Zhu Xi, estudar não era apenas guardar palavras na memória. Era preciso ler com atenção, observar as coisas e examinar a própria conduta para aprender a agir melhor. Ao relacionar o conhecimento à formação moral, procurou explicar tanto os padrões que via no mundo quanto as escolhas das pessoas.
Ele levou essas ideias às academias onde ensinou e ao trabalho que exerceu no governo. Embora tenha sofrido perseguição política no fim da vida, sua obra ganhou prestígio após sua morte. Seus ensinamentos circularam pela Coreia, pelo Japão e pelo Vietnã; seus livros ainda são lidos e discutidos, e sua memória permanece em templos e cerimônias.
Zhu Xi descendia da família Zhu de Wuyuan, na antiga prefeitura de Huizhou, associada a Zhu Gui, que viveu no período das Cinco Dinastias e Dez Reinos. A tradição familiar traçava a ascendência até Zhu Jingze, funcionário e historiador da época da dinastia Tang. Wuyuan pertencia anteriormente a Anhui e passou a Jiangxi em 1952.
Seu nome de cortesia era Yuanhui, também registrado como Zhonghui. Usou ainda os nomes Hui'an, Kaoting, Huiweng, Ziyang Xiansheng, Ziyang Fuzi, Cangzhou Bingsou e Yungu Laoren. É conhecido também como Zhuzi, ou "mestre Zhu", e pela antiga grafia ocidental Chu Hsi.
Seu pai, Zhu Song (1097–1143), passou no exame jinshi e ocupou cargos no governo da dinastia Song. Sua mãe era Zhu Wuniang (祝五娘). A biografia de Zhu Xi na História da dinastia Song registra o pedido feito por Zhu Song, pouco antes de morrer, para que o filho estudasse com Hu Xian, Liu Mianzhi e Liu Zihui.
Zhu Song se opôs às negociações de paz da corte Song com os jurchéns. A História da dinastia Song relata que o chanceler Qin Hui reagiu às críticas e que Zhu Song foi afastado para um cargo em Raozhou, que não chegou a assumir antes de morrer. Ensinou o filho em casa e lhe indicou estudiosos com quem deveria prosseguir a formação.
Zhu Xi nasceu na residência da família Zheng, em Youxi, na atual província de Fujian, no 15.º dia do nono mês do quarto ano da era Jianyan, correspondente a 18 de outubro de 1130. O lugar passou a ser chamado Academia Nanxi. Na infância, estudou o Clássico da Piedade Filial. Uma biografia antiga conta que observava os trigramas desenhados na areia e perguntava ao pai o que sustentava o céu.
Depois da morte do pai, em 1143, recebeu apoio de Hu Xian, Liu Zihui e Liu Mianzhi. Em 1148, foi aprovado no exame jinshi da turma de Wang Zuo. Voltou à terra da família em 1149 para visitar os túmulos ancestrais e recuperar terras destinadas aos ritos familiares. Seu primeiro posto foi o de secretário distrital em Tong'an, exercido de 1153 a 1156. Ali cuidou da arrecadação, da administração local e da escola, para a qual redigiu normas de conduta. Procurou Li Tong em 1153 e tornou-se formalmente seu discípulo em 1160. Ao longo da carreira, ocupou cargos provinciais, foi chamado à corte por pouco tempo e ensinou em academias. Recebeu os títulos de funcionário da Biblioteca Baowen e de nobre de Wuyuan, além de incumbências ligadas aos arquivos imperiais.
Zhu Xi casou-se com Liu Qing, também chamada Liu Qing Siniang, filha de Liu Mianzhi. Ela morreu em 1176. O casal teve três filhos, Zhu Shu, Zhu Ye e Zhu Zai, e cinco filhas. Entre elas, Zhu Xun casou-se com Liu Xuegu, Zhu Dui com Huang Gan, discípulo de Zhu Xi, e outra filha com Fan Yuanyu. As fontes sobre a família divergem na identificação e na ordem de nascimento das filhas; por isso, não é seguro atribuir uma posição a cada uma delas.
Em 1167, depois de uma inundação e de uma escassez de alimentos em Chong'an, Zhu Xi e Liu Ruyu conseguiram grãos das autoridades para socorrer os moradores. No ano seguinte, surgiu a proposta de conservar os grãos devolvidos pelas famílias na própria comunidade. O celeiro permanente, ou shecang, foi concluído em 1171 e concedia empréstimos de grãos para o período anterior à colheita. A cobrança de juros provocou críticas, e Zhu Xi alterou as condições propostas para safras ruins. Em 1182, defendeu a adoção do modelo em outras localidades; a corte aprovou a ideia, mas a falta de financiamento oficial limitou sua aplicação.
Em 1179, Zhu Xi foi nomeado para administrar Nankang, após duas décadas sem um cargo público permanente. Restaurou a Academia da Caverna do Veado Branco, na região do monte Lu, estabeleceu regras para os estudantes e convidou Lu Jiuyuan a lecionar ali, em 1181. Lü Zuqian escreveu um relato sobre a academia. Zhu Xi também lecionou na Academia Yuelu, em Hunan. A manutenção das escolas, a agricultura e as finanças locais fizeram parte de seu trabalho administrativo.
Em 1194, deixou a administração de Tanzhou e foi chamado à corte para ensinar os clássicos ao imperador Ningzong. Uma carta escrita no caminho para a capital trata da transferência de assuntos da administração local a um subordinado. Sua passagem pela corte durou cerca de 40 dias: ensinou, apresentou propostas políticas e discutiu ritos da corte, antes de ser afastado em meio a disputas políticas.
Em 1195, após a queda do chanceler Zhao Ruyu, Zhu Xi e outros homens próximos dele passaram a ser atacados por Han Tuozhou. A corte condenou seus ensinamentos como "falso saber", afastou adeptos de cargos públicos e deu início à perseguição chamada proibição de Qingyuan. Zhu Xi disse, nos últimos anos, que sua cabeça parecia sempre ameaçada. Em 1196, o censor Shen Jizu fez acusações pessoais contra ele, entre elas a de manter duas religiosas como concubinas. A denúncia fazia parte da disputa política da época e não deve ser tomada como fato comprovado.
Zhu Xi morreu em Kaoting, Jianyang, no nono dia do terceiro mês do sexto ano de Qingyuan, correspondente a 23 de abril de 1200. Um grande número de discípulos e admiradores compareceu a seu funeral. A corte iniciou medidas para reabilitá-lo em 1208 e, no fim do ano chinês de 1209, concedeu-lhe o nome póstumo Wen, do qual deriva a denominação Zhu Wengong. Em 1227, o imperador Lizong deu-lhe postumamente o título de grão-preceptor e o nomeou duque de Xin, posteriormente duque de Hui, pelo trabalho de comentário aos Quatro Livros. Em 1241, uma tabuleta em sua homenagem foi colocada no templo de Confúcio em Qufu. Nos períodos Ming e Qing, sua posição entre os sábios homenageados no templo foi elevada.
Zhu Xi ensinou durante décadas em escolas e academias e manteve uma extensa correspondência com outros estudiosos. Seus comentários e edições de textos antigos, bem como as conversas anotadas pelos alunos, ocupam dezenas de volumes. Ele entendia o estudo, a reflexão e a conduta como trabalhos contínuos de formação moral.
Zhu Xi editou o Grande Aprendizado e A Doutrina do Meio, antes partes do Clássico dos Ritos, e os leu junto aos Analectos de Confúcio e ao Mêncio. Na abertura do Grande Aprendizado, atribuiu o texto principal a Confúcio, transmitido por Zengzi, e os comentários aos discípulos deste. Sua interpretação dessa origem textual não é aceita sem reservas pela crítica histórica. A coleção dos Quatro Livros passou a ser estudada ao lado dos Cinco Clássicos e, sob as dinastias Yuan, Ming e Qing, ocupou o centro dos exames para o serviço público.