Neste Dia

Zico

Futebolista brasileiro

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Arthur Antunes Coimbra (Rio de Janeiro, 3 de março de 1953), mais conhecido como Zico, é um dirigente esportivo, ex-treinador e ex-futebolista luso-brasileiro que atuava como meio-campista. Amplamente considerado um dos maiores jogadores da história do futebol brasileiro, também é reconhecido por muitos especialistas, profissionais do esporte e, em especial, pelos torcedores do Flamengo, o maior jogador da história do clube, sendo um dos maiores futebolistas brasileiros desde Pelé, tendo ganhado a alcunha de Pelé Branco.

Destacou-se como o principal jogador do Flamengo nas décadas de 1970 e 1980, sendo peça central nas conquistas da Copa Libertadores da América e da Copa Intercontinental de 1981 pela equipe carioca, além dos títulos do Campeonato Brasileiro de 1980, 1982, 1983 e da Copa União de 1987 (um dos módulos do Campeonato Brasileiro daquele ano). Pela Seleção Brasileira, disputou as Copa do Mundo de 1978, 1982 e 1986.

Reconhecido por sua habilidade técnica, visão de jogo e eficiência nas cobranças de falta, recebeu diversos prêmios individuais ao longo da carreira, incluindo o de Melhor Jogador da América do Sul em 1977, 1981 e 1982.[carece de fontes?] Em 1981, foi eleito o melhor futebolista do mundo pela revista Guerin Sportivo, e em 1983, o jogador do ano pela World Soccer. É um dos brasileiros a figurar no Hall da Fama da FIFA — os outros são Pelé, Garrincha, Didi, Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho e Roberto Carlos. Em 2020, foi indicado pela FIFA como um dos elegíveis para o Time dos Sonhos da Bola de Ouro.

Zico também se destacou por sua capacidade goleadora, sendo o maior artilheiro da história do Estádio do Maracanã e um dos maiores artilheiros do futebol brasileiro. Após encerrar a carreira como jogador, atuou como treinador e dirigente esportivo, exercendo funções em clubes e organizações do futebol. Além de embaixador do Flamengo, ocupa o cargo de diretor técnico do Kashima Antlers.

Arthur Antunes Coimbra, caçula dos seis filhos do imigrante português de Tondela, José Antunes Coimbra — que era um fervoroso torcedor do Flamengo e foi goleiro amador na juventude — com a brasileira Matilde da Silva Coimbra, nasceu às 7h do dia 3 de março de 1953.

Pequeno e franzino, não foi difícil Arthur virar Arthurzinho e depois Arthurzico. Até que uma prima, chamada Ermelinda, reduziu carinhosamente para Zico. Sobre a carreira do pai, o próprio Zico afirmou:

"Ele era goleiro e na época tinha o futebol amador e o profissional. E ele sagrou-se tricampeão pelo Clube Municipal, de 1939 a 1941. Quando foi chamado para treinar no Flamengo, o patrão dele, torcedor do Vasco, ameaçou o emprego dele. Com isso, meu pai indicou Jurandyr, que era seu reserva no Municipal e acabou campeão carioca pelo Flamengo pouco tempo depois."

Além do pai, outros irmãos do Zico até chegaram a se tornar jogadores. Antunes e Nando, os mais velhos, não tiveram tanto destaque. As estrelas da família viriam depois. Primeiro com Edu, que teve seu talento descoberto pelo America-RJ, onde se profissionalizou em 1966.

Zico deu seus primeiros passos num pequeno time de futebol de salão formado por amigos e familiares, o Juventude de Quintino, do bairro de Quintino Bocaiuva, na zona norte do Rio de Janeiro. Além do Juventude, passou a praticar o esporte conhecido hoje como futsal no River Futebol Club, tradicional clube da Piedade, onde um dos professores era Joaquim Pedro da Luz Filho, mais conhecido como Seu Quinzinho. No River, mesmo ainda menino, o garoto já chamava a atenção.

Seu primeiro clube de futebol de campo foi o Flamengo, para onde se transferiu aos catorze anos de idade. Em 1967, o radialista Celso Garcia, vizinho e amigo da família Coimbra, assistiu uma partida de Zico em um torneio no River. Vestindo a camisa do Santos na ocasião, Zico marcou dez gols na goleada do seu time por 15–3. Torcedor do Flamengo, Garcia logo o levou para a escolinha de futebol do clube carioca.

Zico só estreou no time principal em 1971, em uma partida contra o rival Vasco da Gama, cujo placar terminou 2–1 para o time rubro-negro, em que o debutante deu o passe para Fio Maravilha marcar o gol da vitória. Se firmaria como titular na equipe apenas em 1974, depois de passar por uma intensa preparação física que incluía dedicação de boa parte de seu dia, desde quando chegou ao clube, em 1967 (quando ainda estava na escola), a um trabalho de fortalecimento muscular, à base principalmente de esteroides anabolizantes (de duas a três injeções, segundo o próprio Zico), devido ao corpo antes franzino. Em 1969, aos 16 anos, Zico foi mandado para a Bahia com um grupo de jogadores cariocas para realizar uma avaliação no Fluminense de Feira, mas foi reprovado por seu porte físico voltando ao Flamengo logo em seguida. E devido ao seu franzino corpo de início de carreira e de seu bairro de origem (Quintino), ganhou o carinhoso apelido de "Galinho de Quintino". Ainda atuando pelo time juvenil, participou de duas partidas pela equipe principal do Flamengo no Campeonato Carioca de 1972, o bastante para conquistar seu primeiro título como profissional. Ainda demoraria, entretanto, dois anos para firmar-se no elenco e enterrar a imagem de um jogador de físico fraco, que sucumbia à primeira pancada dos adversários.

Após esses dois anos, em 1974 — quando também recebeu a camisa 10 — Zico começava a exibir um futebol empolgante. Além dos dribles, lançamentos e arrancadas fulminantes em direção ao gol, demonstraria também a precisão nas cobranças de falta que batia, habilidade que seria uma de suas marcas registradas. Neste ano de 1974, conquistou seu segundo Carioca pelo Flamengo, o primeiro como titular e camisa 10, liderando uma jovem equipe em decisões contra as equipes mais experientes de Vasco e America (onde à época jogava seu irmão Edu). No Campeonato Brasileiro, recebeu sua primeira Bola de Ouro da revista Placar, sendo eleito pela publicação o melhor jogador do campeonato. Nos três anos seguintes, entretanto, Zico viu rivais comemorarem o título estadual: o Fluminense de Rivellino foi bicampeão em 1975 e 1976 e, mais dolorosamente, o Vasco de Roberto Dinamite levou a taça em 1977 após Tita, tendo a chance de dar o título a seu clube se convertesse sua cobrança, perder. A série de pênaltis prosseguiria e terminaria em vitória vascaína.

A partir de 1978, entretanto, o Flamengo ingressaria em um período áureo sob o comando em campo de Zico. Com um futebol quase perfeito, só possível de ser parado com violência, Zico conquistou um tricampeonato carioca, o terceiro do clube. Nas edições daquele ano, com as duas realizadas em 1979, mesmo ano em que o time conquistaria o prestigiado torneio amistoso Ramón de Carranza, o jogador marcou um dos gols e foi destaque na vitória por 2–1 sobre o Barcelona, que contava com nomes como Johan Neeskens, Allan Simonsen, Hans Krankl e Carles Rexach. Em 1979, ainda aos 26 anos, ao marcar seu 245º gol como profissional, em partida contra o Goytacaz, Zico superou Dida como o maior artilheiro da história do Flamengo. No ano seguinte, viria finalmente o inédito título no Campeonato Brasileiro. As finais foram contra o Atlético Mineiro de Reinaldo, Toninho Cerezo e Éder. Contundido, Zico não jogou a primeira partida, em que os alvinegros venceram por 1–0 no Mineirão. O meia retornou ao time no jogo de volta, no Maracanã, dando a assistência para o primeiro gol, marcado por Nunes, e fazendo o segundo na vitória por 3–2 contra o Galo, garantindo assim o primeiro título do Brasileirão conquistado pelo Flamengo. O troféu compensou a decepção no Campeonato Carioca, onde Zico viu os rivais Vasco e Fluminense decidirem o título. Ainda em 1980, Zico conquistaria com o Flamengo outros dois torneios amistosos europeus: o Torneio Astúrias e Algarve, com vitórias sobre Real Sociedad e Spartak Sófia; e um bi no Ramón de Carranza, passando por Dínamo Tbilisi e Real Betis.

Com o título nacional, o clube credenciou-se pela primeira vez para disputar a Copa Libertadores da América. Na primeira fase, por ter empatado em número de pontos com o Atlético Mineiro, uma partida de desempate foi marcada — o confronto ocorreu no Estádio Serra Dourada. A polêmica partida foi encerrada aos 37 minutos do primeiro tempo, pois o rival mineiro teve cinco jogadores expulsos pelo árbitro José Roberto Wright. O Flamengo foi declarado vencedor e avançou para a fase semifinal da competição, onde superou Deportivo Cali, da Colômbia, e Jorge Wilstermann, da Bolívia. Na decisão, encarou os chilenos do Cobreloa. Zico marcou os dois gols na vitória por 2–1 na partida de ida, no Maracanã. O jogo da volta, no Chile, foi marcado pela enorme violência dos rivais, especialmente de seu zagueiro Mario Soto, que agrediu com um anel afiado os flamenguistas Andrade e Lico. Os chilenos venceram por 1–0 e, pelo regulamento da época, o troféu seria decidido em campo neutro, que foi em Montevidéu, no Estádio Centenario. Zico novamente marcou os dois gols da vitória, dessa vez de 2–0, o segundo deles, a dez minutos do fim, em uma de suas mais inesquecíveis cobranças de falta. O título continental foi seguido por mais um Carioca, sobre os rivais do Vasco, em partida dedicada ao técnico Cláudio Coutinho, falecido antes do primeiro jogo da decisão. O Campeonato Carioca já havia reservado a alegria de ter imposto uma goleada de 6–0 sobre o Botafogo, devolvendo uma derrota de nove anos antes que ainda ressoava entre as duas torcidas. O ano mágico de 1981 terminava da melhor forma possível: da decisão estadual, o time foi para Tóquio enfrentar os britânicos do Liverpool na Copa Intercontinental.

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