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Zimbabwe

País de África

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O Zimbábue, Zimbabué ou Zimbabwe (em xona: Zimbabwe), oficialmente República do Zimbábue, é um país encravado no sul da África, entre os rios Zambeze e Limpopo. É limitado a norte pela Zâmbia, a norte e a leste por Moçambique, a sul pela África do Sul e a sul e oeste pelo Botsuana. A capital do país é a cidade de Harare. Com uma população de cerca de 15 milhões de habitantes, o Zimbábue tem 16 idiomas oficiais, sendo o inglês, o xona e o andebele setentrional os mais usados.

Desde o século XI, o atual Zimbábue tem sido o local de vários estados e reinos organizados, além de uma rota importante para a migração e o comércio. A Companhia Britânica da África do Sul de Cecil Rhodes demarcou o território atual durante a década de 1890; tornou-se a colônia britânica autônoma da Rodésia do Sul em 1923. Em 1965, o governo da minoria branca conservadora declarou unilateralmente a independência como a Rodésia. O Estado sofreu isolamento internacional e uma guerra de guerrilha de 15 anos com forças nacionalistas negras; isso culminou em um acordo de paz que estabeleceu a emancipação universal e a soberania de jure em abril de 1980. Robert Mugabe tornou-se primeiro ministro do Zimbábue em 1980, quando seu partido ZANU-PF ganhou as eleições após o fim do domínio da minoria branca, e tornou-se presidente do Zimbábue em 1987. Segundo o Departamento de Estado dos Estados Unidos, durante a era Mugabe o aparelho de segurança do estado foi responsável por violações generalizadas dos direitos humanos. Na década de 1990, a situação económica deteriorou-se significativamente sob o peso das sanções internacionais, levando o regime a aceitar uma política de "reajustamento estrutural" defendida pelas instituições financeiras internacionais. Em 15 de novembro de 2017, após mais de um ano de protestos contra seu governo, bem como a economia em declínio rápido de Zimbábue, Mugabe foi preso pelo exército nacional do país em um golpe de estado. Em 19 de novembro de 2017, o ZANU-PF demitiu Robert Mugabe como líder do partido e nomeou o ex-vice-presidente Emmerson Mnangagwa em seu lugar. Robert Mugabe acabaria por demitir-se na tarde de 21 de novembro de 2017, pressionado pelas manifestações populares, pelos militares e pela comunidade internacional.

Conhecido como "Joia da África" por sua prosperidade econômica, o Zimbábue, sob o período histórico segregacionista da Rodésia, pôde prover à minoria branca um dos melhores padrões de vida do continente africano, enquanto que a maioria da população negra permanecia empobrecida, marginalizada e confinada às terras menos produtivas. Após a derrota do regime segregacionista branco, o novo governo multiétnico comandado por Mugabe agiu fortemente para corrigir as desigualdades de raça e classe, com redistribuição de terras detidas pela minoria branca e promoção do desenvolvimento econômico. Porém, durante a década de 1980, as secas, inundações devastadoras, conflitos civis e falta de recursos humanos qualificados prejudicaram gravemente a economia, com o país estando em estado de declínio econômico desde a década de 1990, experimentando várias crises e hiperinflação ao longo do caminho. Segundo Mugabe, muitos dos problemas econômicos do Zimbábue ocorreram devido ao bloqueio de países capitalistas.

O país juntou-se à Comunidade das Nações, e saiu em dezembro de 2003. É membro das Nações Unidas, da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral, da União Africana (UA) e do Mercado Comum da África Oriental e Austral.

O nome "Zimbábue" deriva de um termo da língua xona primeiramente empregado para denominar o Grande Zimbábue, um complexo de amuralhados de pedra situados na região leste do país. Duas teorias diferentes abordam a origem da palavra. A mais comumente aceita sustenta que "Zimbábue" deriva de dzimba-dza-mabwe, traduzido do dialeto caranga do xona como "casas de pedras" (dzimba = plural de imba, "casa"; mabwe = plural de ibwe, "pedra"). Os xonas de dialeto caranga vivem ao redor do sítio arqueológico do Grande Zimbábue, na atual província de Masvingo. Já o arqueólogo Peter Garlake afirma que "Zimbábue" representa uma forma adaptada de dzimba-hwe, que significa "casas veneradas" no dialeto zezuru do xona, fazendo referência às casas ou túmulos dos chefes tribais.

O Zimbábue era anteriormente conhecido como Rodésia do Sul (1898), Rodésia (1965) e Zimbábue-Rodésia (1979). O primeiro uso moderno registrado de "Zimbábue", como termo de referência nacional, data de 1960, como uma proposta do nacionalista negro Michael Mawema, cujo Partido Nacional do Zimbábue se tornou o primeiro a usar oficialmente o nome em 1961. O termo "Rodésia" — derivado do sobrenome de Cecil Rhodes, o principal instigador da colonização britânica do território — foi considerado pelos nacionalistas africanos como inadequado devido à sua origem e conotações coloniais.

Segundo Mawema, os nacionalistas negros realizaram uma reunião em 1960 para escolher um nome alternativo para o país, propondo nomes como "Matixobana" e "Monomotapa" antes que a sua sugestão, "Zimbábue", prevalecesse. Inicialmente não estava claro como o termo escolhido seria usado — uma carta escrita por Mawema em 1961 refere-se a "Zimbabuelândia" —, mas "Zimbábue" prevaleceu em 1962 para se tornar o termo geralmente preferido do movimento negro nacionalista. Tal como muitos países africanos que conquistaram a independência durante a Guerra Fria, o Zimbábue é um nome etnicamente neutro.

Os registos arqueológicos datam de 500.000 anos os fragmentos da Idade da Pedra encontrados no atual Zimbábue. Os primeiros habitantes conhecidos do Zimbábue foram provavelmente o povo coissã, que deixou um legado de pontas de flechas e pinturas rupestres. Aproximadamente 2.000 anos atrás os primeiros agricultores de língua banta chegaram durante a expansão banta.

As sociedades proto-xona surgiram pela primeira vez no meio do vale do Limpopo no século IX antes de se mudar para o planalto do Zimbábue. O planalto zimbabuense acabou se tornando o centro dos estados xonas subsequentes, começando no século X. Nas cercanias do início do século X, o comércio se desenvolveu com comerciantes árabes na costa do Oceano Índico, ajudando a desenvolver o Reino de Mapungubue no século XI. Este foi o precursor das civilizações xonas mais impressionantes que dominariam a região durante os séculos XIII a XV. O Mapungubue foi substituído pelo Reino do Zimbábue, que existiu de aproximadamente 1200 até 1450. Este reino ainda mais refinado e expandido, desenvolveu uma impressionante arquitetura de pedra evidenciada pelas ruínas no Grande Zimbábue, sua capital, localizada perto de Masvingo, além de inúmeras outras localidades menores. Essas ruínas fazem parte de um dos principais sítios arqueológicos da parte sul da África e possui uma arquitetura de pedra seca única.

O Reino do Zimbábue foi o primeiro de uma série de estados comerciais sofisticados desenvolvidos no Zimbábue na época dos primeiros exploradores europeus, vindos de Portugal. Eles trocavam ouro, marfim e cobre por pano e vidro.

O reino do Zimbábue foi substituído inicialmente pelo Reino de Butua, com sua notável capital Cami, e depois pelo Império Monomotapa. Este último dominou fortemente a região de 1430 até cerca de 1760. O Império Monomotapa, governado pelos xonas, dominou grande parte da área conhecida como Zimbábue hoje, e partes do centro de Moçambique. É conhecido por muitos nomes, incluindo "Reino Mutapa", também conhecido como "Mwenemutapa", "Muenemutapa", ou ainda "Monomatapa". Sua economia sustentava-se na exploração das rotas comerciais estratégicas com os árabes e portugueses. Os portugueses procuraram monopolizar essa influência e iniciaram uma série de guerras que deixaram o império em quase colapso no início do século XVII.

Como resposta direta ao aumento da presença europeia no interior, emergiu um novo estado xona, conhecido como o Império Rozui. Confiando em séculos de desenvolvimento militar, político e religioso, os Rozui (que significa "destruidores") expulsaram os portugueses do planalto do Zimbábue pela força das armas.

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