Zinédine Yazid Zidane (Marselha, 23 de junho de 1972) é um treinador e ex-futebolista francês de origem argelina que atuava como meio-campista. Está sem clube.
Considerado um dos maiores jogadores da história do futebol, Zidane foi um clássico camisa 10, amplamente reconhecido como o principal nome do futebol francês e frequentemente comparado a Michel Platini. Durante sua carreira, defendeu grandes clubes como Juventus e Real Madrid, e foi uma das principais figuras da fase mais vitoriosa da Seleção Francesa, que conquistou a primeira Copa do Mundo, em 1998, e a Eurocopa de 2000 — a segunda da história da equipe, sendo a primeira conquistada na era Platini. Sua atuação foi fundamental na ascensão da França, que até então era vista como uma força média, para se tornar uma das grandes Seleções do mundo, um feito que chegou a ser comparado à "Queda da Bastilha" no esporte.
Zidane não era um jogador conhecido pela quantidade de gols, mas sim pela sua capacidade de armar jogadas. Tinha como características as passadas largas, o excelente domínio e o controle de bola, passes e lançamentos precisos, além de um drible eficaz, porém reservado para momentos necessários. No final do século XX, era visto como um "craque das antigas", sempre priorizando o coletivo e o brilho dos companheiros de equipe, ditando o ritmo do jogo e distribuindo assistências. Apesar de não ser um goleador, ficou marcado por ter sido o autor de dois gols na vitória da França contra o Brasil na final da Copa de 1998.
Reconhecido por sua habilidade em momentos decisivos, Zidane faz parte do seleto grupo de jogadores, incluindo Pelé, Vavá, Paul Breitner e Kylian Mbappé, que marcaram gols em duas finais de Copas do Mundo, com destaque para sua atuação na final de 2006. Ao longo de sua carreira, conquistou diversos títulos e prêmios individuais, incluindo três vezes o prêmio de Melhor Jogador do Mundo pela FIFA, empatando com Ronaldo no segundo lugar de mais galardões individuais.
Em 1999, a revista World Soccer o classificou como o 28º maior jogador da história. Também foi incluído na lista FIFA 100 (os 125 maiores jogadores vivos, celebrando os 100 anos da entidade) e ficou em primeiro lugar no Jubileu de Ouro, pesquisa realizada pela UEFA que elegeu os maiores jogadores europeus da história.
Além de sua carreira esportiva, Zidane também é embaixador da ONU na luta contra a fome e continua participando de jogos beneficentes.
Zidane é descendente de argelinos e vivia do sul da França quando iniciou a sua carreira nas categorias de base do Victório Mello Football Club, equipe inexpressiva que disputava campeonatos locais. Apenas uma temporada depois, acabou sendo levado ao não maior Septèmes-les-Vallons, onde permaneceu durante quatro anos. Sua grande habilidade vinha chamando a atenção de grandes equipes da Europa, até finalmente ser levado para um delas. Não para o clube do coração — o Olympique de Marseille, de sua cidade-natal –, e sim o Cannes. Foi para passar uma estadia de seis semanas de treinamentos, mas nunca retornou ao Septèmes-les-Vallons.
Apenas uma temporada após sua chegada aos Dragons Rouges, fazia sua estreia como profissional em maio de 1989, contra o Nantes de Marcel Desailly e Didier Deschamps, mais tarde seus companheiros na seleção. Seu primeiro tento como profissional demorou para acontecer, saindo apenas em 10 de fevereiro de 1991, o que lhe rendeu um carro vermelho — presente de Alain Pedretti, presidente do Cannes na época. Embora tivesse a má fama de jogar mal quando o Cannes mais precisava dele e de terminar rebaixado da Ligue 1 na temporada 1991–92, foi, depois dela, vendido ao Bordeaux, que pagou sete milhões de euros por seu passe[carece de fontes?]
No Bordeaux, conquistou seu primeiro título como profissional: a extinta Copa Intertoto da UEFA. Como jogador do clube, debutou em 1994 pela Seleção Francesa, mas só veio a ter maior projeção internacional em sua quarta temporada nos girondins: o clube, que não vivia sua melhor época, chegou à final da Copa da UEFA de 1996, deixando pelo caminho equipes como o Milan (que duas temporadas antes, fora campeão europeu do principal título do continente). Os franceses perderam o título para o Bayern de Munique de Jürgen Klinsmann, Lothar Matthäus e Jean-Pierre Papin, mas a campanha rendeu ao jovem Zidane uma transferência para a tradicional Juventus.
Curiosamente, antes de sua transferência para a equipe da Juventus de Turim, o então treinador do Blackburn Rovers na época, Ray Harford, demonstrava grande interesse na contratação de Zidane e seu companheiro de equipe, o também francês Christophe Dugarry. Porém, o presidente da equipe na época, Jack Walker, teria respondido: "Por que você deseja contratar Zidane quando temos Tim Sherwood", em alusão a um ídolo local na época. Outro fato curioso foi o interesse de Alex Ferguson, que na época já treinava o Manchester United e acompanhou a evolução de Zidane por algum tempo, chegando até mesmo a cogitar uma transferência do francês, na época ainda garoto do Bordeaux, para o Manchester United. Porém, devido a incertezas se haveria adaptação ao estilo de jogo do clube inglês, o técnico escocês acabou desistindo da sua contratação.
A equipe bianconera, comandada por Marcello Lippi, havia acabado de faturar a Liga dos Campeões da UEFA. O reforço, no início, seria atrapalhado pelas comparações com o compatriota Michel Platini, que fizera história no clube na década anterior. Mas não tardou a faturar títulos: sua primeira conquista na temporada foi a Copa Intercontinental, e esta competição teve um sabor especial: foi contra o River Plate, possibilitando-lhe uma partida contra o uruguaio Enzo Francescoli, de quem o francês tornara-se grande fã quando o sul-americano defendera o Olympique de Marseille. Além de ter batizado seu filho de Enzo, a idolatria havia feito Zizou usar regularmente para dormir a camisa do River que conseguira do ídolo ao final da partida. O meia terminou a boa temporada vencendo também a Supercopa da UEFA, dessa vez contra o Paris Saint-Germain de Raí e Leonardo.
Ao final da temporada, ganhou também o Scudetto. Só faltou-lhe a Liga dos Campeões da UEFA: a Juventus chegou pela segunda vez seguida (a primeira com Zidane) à decisão, mas perdeu para o surpreendente Borussia Dortmund. Ainda assim, sua temporada de estreia na Itália lhe renderia a premiação de melhor jogador estrangeiro do ano. A temporada seguinte, a de 1997–98 foi uma certa repetição: Zidane ajudou o clube a faturar novo título na Serie A, mas foi novamente vice na Liga dos Campeões, desta vez para o Real Madrid. Qualquer frustração foi superada semanas depois, em que ele foi o grande nome na inédita conquista francesa na Copa do Mundo FIFA de 1998. Terminaria aquele ano recebendo os prêmios de Melhor Jogador do Mundo pela FIFA e da France Football.
Porém, desde então, viveu um período de pouco brilho da Juventus, que em um jejum de quatro anos sem títulos. Na Serie A, a equipe ficou apenas em sexta em 1999, perdeu por um ponto para a Lazio o Scudetto de 2000 quando dependia apenas de si para faturá-lo, e por dois pontos para a Roma em 2001. Paralelamente, nos torneios europeus, a série de finais na Liga dos Campeões da UEFA foi também interrompida: a Juve foi parada nas semifinais em 1999 após ser derrotada de virada por 3–2 pelo futuro campeão Manchester United em plena Turim; disputando a Copa da UEFA em 2000, o clube caiu nas oitavas de final após ser goleado por 4–0 pelo Celta de Vigo; de volta à Liga dos Campeões da UEFA, a equipe deu vexame na volta à competição, terminando em último no seu grupo em 2001. Ainda assim, nesse período, Zidane foi reeleito em 2000 o Melhor Jogador do Mundo pela FIFA, pela conquista da Eurocopa daquele ano com a França.
A seca de conquistas da Velha Senhora se resolveria com o título italiano de 2002, mas sem seu maestro francês: ao fim da temporada 2000–01, ele, que declarara que planejava sair apenas para o Olympique Marselha, o clube do coração, transferiu-se para o Real Madrid. Viveria mais badalado na Espanha, mas foi entre os bianconeri que ele ganhou seus títulos mais importantes, tanto entre clubes quanto, paralelamente, na própria seleção, o que ele reconheceu ao declarar, ainda em 1998, que "foi na Juventus que aprendi a ganhar".