biografias

Charles Darwin

Biólogo e naturalista inglês (1809–1882)

7 min de leitura01/01/2024
Anúncio

Charles Robert Darwin FRS FGRS FLS FLZ (pronúncia em inglês: ['dɑːrwɪn]; ocasionalmente aportuguesado em Carlos Darwin. Shrewsbury, 12 de fevereiro de 1809 – Downe, 19 de abril de 1882) foi um naturalista, geólogo e biólogo britânico, célebre por seus avanços sobre evolução nas ciências biológicas. Juntamente com Alfred Wallace, Darwin estabeleceu a ideia que todos os seres vivos descendem de um ancestral em comum, argumento agora amplamente aceito e considerado um conceito fundamental no meio científico, e propôs a teoria de que os ramos evolutivos são resultados de seleção natural e sexual, onde a luta pela sobrevivência resulta em consequências similares às da seleção artificial.

Seu livro de 1859, A Origem das Espécies, causou espanto na sociedade e comunidade científica da época, mas conseguiu grande aceitação nas décadas seguintes, superando a rejeição que os cientistas tinham pela transmutação de espécies. Já em 1870, a evolução por seleção natural tinha apoio da maioria dos intelectuais. Sua aceitação quase universal, entretanto, não foi atingida até à emergência da síntese evolutiva moderna entre as décadas de 1930 e 1950 quando um grande consenso consolidou a seleção natural como o mecanismo básico da evolução. A teoria de Darwin é considerada o mecanismo unificador para explicar a vida e a diversidade na Terra.

Em seus primeiros anos, Darwin recusou cursar medicina na Universidade de Edimburgo; ao invés disso, focou-se em pesquisar sobre animais invertebrados. Pela Universidade de Cambridge (Christ's College), ele tomou a iniciativa pelas ciências naturais e viajou durante cinco anos pelo HMS Beagle, projeto que o lançou como eminente geólogo e cujas observações sustentaram as ideias de Charles Lyell; as publicações de seus diários sobre os trajetos percorridos consolidaram sua fama. Intrigado com a distribuição geográfica da vida selvagem e dos fósseis coletados durante sua viagem, Darwin começou investigações detalhadas e, em 1838, concebeu a teoria da seleção natural. Depois de discutir suas ideias com vários naturalistas, Darwin precisava de mais tempo para tornar sua ideia pública, algo que entrava em conflito com seu extensivo trabalho geológico que tinha prioridade. Em 1858, o naturalista Alfred Wallace manda um ensaio científico para Darwin estabelecendo as mesmas ideias e sugere uma publicação em conjunto.

Consagrada a publicação, a teoria evolutiva darwiniana determinou drasticamente o cenário das ciências biológicas, tornando-se a explicação dominante sobre o porquê da diversidade natural do planeta. Em 1871, Darwin volta a publicar livros significativos, desta vez começando sobre a sexualidade humana e sua descendência, intitulado A Descendência do Homem e Seleção em Relação ao Sexo, seguido por A Expressão da Emoção em Homens e Animais em 1872. Sua dedicação pelas plantas resultou em várias publicações de livros, e seu último seria A formação do molde vegetal através da ação de vermes em 1881, meses antes de sua morte no ano seguinte. Em reconhecimento à importância do seu trabalho, Darwin foi enterrado na Abadia de Westminster, próximo a Charles Lyell, William Herschel e Isaac Newton. Foi uma das cinco pessoas não ligadas à família real inglesa a ter um funeral de Estado no século XIX. Por seu papel científico, Darwin é considerado uma das maiores personalidades da história.

Charles Robert Darwin nasceu em Shrewsbury, Shropshire, em 12 de fevereiro de 1809, em uma propriedade da família apelidada The Mount. O quinto de seis irmãos e filho do médico e investidor Robert Darwin com Susannah Darwin (nome de solteira, Wedgwood), Charles era neto de dois proeminentes abolicionistas: Erasmus Darwin por parte de pai, e Josiah Wedgwood por parte de mãe.

Ambas as famílias eram unitaristas, embora os Wedgwoods também compartilhassem a crença anglicana. O próprio Robert Darwin, que se declarava um livre pensador, batizou Charles em novembro de 1809 na Anglican St Chad's Church, Shrewsbury. Enquanto pequeno, Darwin e seus irmãos iam à Igreja Unitarista juntamente com sua mãe. Com oito anos, demonstrava interesse precoce pela história natural durante suas participações escolares. Em julho daquele ano, sua mãe faleceu. Em setembro de 1818, veio a frequentar, junto com seu irmão mais velho Erasmus, a Anglican Shrewsbury School.

Darwin passou o verão de 1825 ganhando sua primeira experiência profissional como aprendiz de médico, auxiliando no acesso do tratamento aos pobres em Shrewsbury, antes de ir para a Universidade de Edimburgo no mesmo ano, considerado o melhor do curso de medicina no Reino Unido da época, e mais uma vez acompanhando seu irmão Erasmus. As cirurgias grosseiras da época nausearam Darwin e ele acabou por negligenciar os estudos práticos. Todavia, acabou adquirindo um bom conhecimento de taxidermia após cursos com John Edmonstone, um ex-escravo o qual tinha acompanhado Charles Waterton nas florestas da América do Sul e que contava sobre suas expedições durante as classes, criando as primeiras inspirações aventureiras na formação do jovem naturalista.

Em seu segundo ano universitário, Darwin se juntou à Plinian Society, um grupo de história natural que defendia com fervor ideias democráticas e céticas e questionava visões ortodoxas entre religião e ciência da época. Ele ajudou Robert Edmond na investigação da anatomia e ciclo de vida de invertebrados marinhos situados no Estuário do rio Forth e, em 27 de março de 1827, apresentou na Society a sua própria descoberta que esporos negros encontrados em certas conchas eram, na verdade, ovos de sanguessugas. Grant acabou por promover o lamarckismo, atitude que espantou Darwin pela audácia, embora ele já tivesse tido contato com conceitos similares ao ler as publicações de seu avô Erasmus. Darwin priorizou em ajudar nas investigações geológicas de Robert Jameson, incluindo debates sobre polêmica entre neptunismo e plutonismo. Ele aprendeu botânica e ajudou nas coleções na University Museum, um dos maiores museus europeus da época.

O negligenciamento de Darwin em terminar seus estudos em medicina irritou seu pai, que por sua vez o mandou para Christ's College, Cambridge, para estudar em um bacharelado de artes, em um primeiro passo rumo à carreira clériga anglicana, pois era comum intelectuais da igreja seguirem o ramo das ciências naturais com o objetivo 'de apreciar as belezas divinas'. Darwin acabou não indo bem nos testes, conquistando apenas um acesso inferior em 1828. Ele preferia montar em cavalos e atirar. Pouco depois, Darwin adquiriu grande interesse por colecionar besouros graças ao seu primo William Darwin; o jovem naturalista aprendeu a ser zeloso com seus materiais durante este período e, desenhando gravuras cientificas, conseguiu publicar seus primeiros trabalhos com James William Stephens. Darwin se tornou amigo próximo e seguidor do botânico John Stevens Henslow, um entre vários peritos naturalistas que defendiam a união entre religião e ciências naturais; a amizade entre ele e Henslow ficou tão caricata que Darwin seria chamado de "aquele que anda com Henslow". Quando os seus exames estavam se aproximando, Darwin dedicou-se com esmero ao estudo da obra de William Paley, figura de grande inspiração com seu pioneirismo nas versões modernas no argumento teleológico e autor de Evidences of Christianity. Em seus exames finais em janeiro de 1931, foi relativamente bem-sucedido, ficando em décimo lugar entre 178 candidatos nos exames.

Anúncio
Anúncio

Em breve no aplicativo World in Stories

Áudio, download offline, sem anúncios e muito mais.

Conhecer Premium

Histórias Relacionadas