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Martin Luther King Jr.

Pastor batista e ativista político estadunidense (1929–1968)

7 min de leitura01/01/2024
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Martin Luther King Jr. (nascido Michael King Jr.; Atlanta, 15 de janeiro de 1929 – Memphis, 4 de abril de 1968) foi um pastor batista e ativista político estadunidense que se tornou a figura mais proeminente e líder do movimento dos direitos civis nos Estados Unidos de 1955 até seu assassinato em 1968. King é amplamente conhecido pela aplicação do princípio da desobediência civil e da não violência à luta por direitos políticos, inspirado por suas crenças cristãs e pelo ativismo não violento de Mahatma Gandhi.

King aos 26 anos de idade, em 1955, liderou em o boicote aos ônibus de Montgomery e posteriormente se tornou o primeiro presidente da Conferência da Liderança Cristã do Sul (abreviado em inglês como SCLC). Como presidente da SCLC, ele liderou sem sucesso em 1962 a luta contra a segregação em Albany, e foi um dos participantes que organizaram os protestos não violentos de 1963 em Birmingham. King ajudou na organização da Marcha sobre Washington onde ele ditou seu famoso discurso "Eu Tenho um Sonho" (em inglês: "I Have a Dream") aos pés do Memorial de Lincoln.

No dia 14 de outubro de 1964, King ganhou o Prêmio Nobel da Paz por combater o racismo nos Estados Unidos através da resistência não violenta. Em 1965, ele ajudou a organizar as Marchas de Selma a Montgomery. Nos últimos anos de sua vida, ele ampliou seu ativismo contra a pobreza e a Guerra do Vietnã. O diretor do FBI J. Edgar Hoover achava King um radical e fez dele alvo do programa de contrainteligência a partir de 1963. Os agentes do FBI o investigaram por possíveis laços comunistas, ameaçaram tornar público suas supostas relações extraconjugais e o denunciaram para agentes governamentais e, em 1964, mandaram a King uma carta ameaçadora anônima, o qual ele interpretou como uma tentativa de alguém a incentivá-lo a cometer suicídio.

Antes de sua morte, King estava planejando uma ocupação em Washington, D.C., que seria denominada Campanha dos Pobres, quando ele foi assassinado em 4 de abril de 1968, em Memphis. Sua morte causou forte reação e foi seguida por manifestações em várias cidades dos Estados Unidos. Alegações que o assassino convicto de King, James Earl Ray, ter sido coagido ou agido em conjunto com agentes do governo persistiram por décadas após o tiroteio. King foi premiado postumamente com a Medalha Presidencial da Liberdade e a Medalha de Ouro do Congresso. O Dia de Martin Luther King foi estabelecido como feriado em cidades e estados dos Estados Unidos a partir de 1971; o feriado foi promulgado a nível federal por uma legislação assinada pelo presidente Ronald Reagan em 1986. Centenas de estradas nos EUA foram renomeadas em sua honra, e um condado em Washington foi dedicado a ele. O Martin Luther King Jr. Memorial no National Mall em Washington D.C. foi inaugurado em sua homenagem em 2011.

King nasceu com o nome de Michael King Jr. em 15 de janeiro de 1929, em Atlanta, Geórgia, sendo o segundo de três filhos do Reverendo Martin Luther King (pai) e da Alberta King. A mãe de King o nomeou Michael, o qual está certificado na certidão de nascimento do médico responsável, embora o Senhor King depois declararia que "Michael" foi um erro do próprio médico. A irmã mais velha de King é Christine King Farris e seu irmão mais novo foi A.D King. O avô materno de King foi Adam Daniel Williams, que era pastor na área rural da Geórgia e se mudou para Atlanta em 1893 tornado-se pastor da Igreja Batista Ebenézer no ano seguinte. Williams era descendentes de afro-irlandeses. Ele casou-se com Jannie Celeste Parks, e conceberam a mãe de King, Alberta. Os pais de King Sr. eram parceiros-proprietários: James Albert e Dalia King de Stockbridge. Michael King Sr. e Alberta começaram a namorar em 1918, e se casaram em 25 de novembro de 1926. Até a morte de Jennie em 1941, eles viveram juntos no segundo andar da casa Vitoriana dos pais de King Sr, onde tiveram e criaram seus filhos.

Logo depois de casar-se com Alberta, King Sr. se tornou pastor assistente da Igreja Batista Ebezener. Adam Daniel Williams morreu de um acidente vascular encefálico na primavera de 1931. Naquele outono, King Sr. tomou o lugar de pastor da igreja, que graças ao seu ministério aumentou sua audiência de seiscentos para alguns milhares. Em 1934, a igreja o mandou para uma viagem multimilionária pela Itália, Tunísia, Israel e finalmente Alemanha para o encontro da Baptist World Alliance (BWA). O tour terminou com a visita a lugares de Berlim associados ao líder da reforma protestante Martinho Lutero. Enquanto esteve lá, Michael King Sr. testemunhou a ascensão do nazismo. Em reação a isto, a BWA declarou: "Esse congresso lamenta e condena as violações da lei de Deus, o Pai Celestial, toda a antipatia racial, e toda forma de opressão ou discriminação injusta contra judeus, pessoas de cor, ou contra questões de raça em qualquer parte do mundo". Ele retornou para casa em agosto de 1934, e no mesmo ano começou a chamar a si mesmo de Martin Luther King Sr., e seu filho de Martin Luther King Jr. A certidão de nascimento de King foi alterada para esse nome em 23 de julho de 1957, quando ele tinha 28 anos de idade.

Na sua casa de infância, King e seus irmãos conseguiam ler a Bíblia em voz alta como instruído por seus pais. Após os jantares, a avó de King Jennie, a qual ele carinhosamente chamava de "Mama", adorava contar histórias bíblicas para seus netos. O pai de King regularmente usava chicotadas para disciplinar seus filhos. Quando isso acontecia, King Sr. também mandava as crianças chicotearem umas as outras. O pai de King depois lembraria: "[King] era a criança mais peculiar para se chicotear independente quando isso acontecia. Ele ficava ali parado, as lágrimas escorriam, mas ele nunca chorava". Uma vez quando King testemunhou seu irmão A.D irritado com sua irmã Christine, ele pegou um telefone e nocauteou A.D com o objeto. Quando ele e seu irmão estavam brincando na casa deles, A.D deslizou de um balaústre e atingiu sua avó Jennie, fazendo-a cair sem resposta. King acreditou que ela estava morta, culpou a si mesmo e tentou suicídio pulando do segundo andar. Sabendo que sua avó estava viva, King levantou e deixou o chão onde tinha caído.

King se tornou amigo de um garoto branco cujo pai tinha uma loja na rua da casa de sua família. Em setembro de 1935, quando os garotos tinham seis anos de idade, eles começaram a ir na escola. King teve que ingressar em uma escola para crianças negras, Younge Street Elementary School, enquanto seu colega foi para uma escola separada, de crianças brancas somente. Logo após isso, os pais do garoto branco o proibiram de brincar com King, dizendo para ele que "nós somos brancos e você é de cor". Quando King falou do acontecido para seus pais, eles tiveram uma longa discussão com ele sobre a história da escravidão e racismo nos Estados Unidos. Depois de aprender sobre o ódio, violência e opressão que os negros sofreram nos EUA, King posteriormente diria que ele estava "determinado a odiar toda pessoa branca". Seus pais o instruíram que era um dever cristão amar a todos.

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