Expedito Sobral de Medeiros, conhecido como Monsenhor Expedito (Santana do Matos, 13 de dezembro de 1916 — Natal, 16 de janeiro de 2000), foi um sacerdote católico brasileiro da Arquidiocese de Natal. Atuou por 56 anos como pároco da Paróquia de São Paulo Apóstolo, em São Paulo do Potengi, no interior do Rio Grande do Norte, e tornou-se conhecido pela atuação pastoral, social e pela defesa de políticas públicas de abastecimento hídrico no semiárido potiguar.
Sua trajetória religiosa e social foi objeto da dissertação de mestrado de Dom Jaime Vieira Rocha, intitulada Monsenhor Expedito Sobral de Medeiros: um arauto da dignidade humana no sertão potiguar, defendida na Universidade Católica de Pernambuco em 2012.
Expedito Sobral de Medeiros nasceu em 13 de dezembro de 1916, na Fazenda Serra Branca, localidade então pertencente ao município de Santana do Matos e posteriormente vinculada a São Rafael. Ainda criança, mudou-se com a família para Lajes, onde iniciou sua vivência religiosa. Aos 11 anos, ingressou no Seminário de São Pedro, em Natal, e, em 1934, transferiu-se para o seminário de Fortaleza, no Ceará, onde completou sua formação sacerdotal.
Foi ordenado padre em novembro de 1939, aos 23 anos, em cerimônia realizada na capela do Paço Episcopal, por Dom Marcolino Dantas. Sua primeira missa foi celebrada na Capela do Colégio Marista, em Natal, e a segunda em Ceará-Mirim, cidade onde seus pais residiam à época.
Após a ordenação, iniciou sua missão como coadjutor na paróquia de Caicó, onde o então monsenhor Walfredo Gurgel era titular. Pouco depois, assumiu atividades pastorais em Taipu e Touros, passando posteriormente por Jardim do Seridó e São Rafael. Dois anos depois, foi designado para a Paróquia de São Paulo Apóstolo, em São Paulo do Potengi, onde permaneceu até sua morte.
Em São Paulo do Potengi, Monsenhor Expedito tornou-se uma das figuras centrais da vida religiosa e comunitária local. Sua atuação esteve ligada à formação de comunidades, à educação popular, à organização social de trabalhadores rurais e à experiência pastoral que influenciou iniciativas associadas às Comunidades Eclesiais de Base no Rio Grande do Norte.
A experiência pastoral de São Paulo do Potengi foi registrada no livro São Paulo do Potengi/RN: Uma Experiência Pioneira de Renovação Paroquial, de autoria do padre José Marins. A segunda edição da obra foi lançada em 2024, com organização do padre José Freitas Campos e do professor Tállison Ferreira da Silva, por iniciativa de Monsenhor Ramos Vicente, então pároco de São Paulo do Potengi.
De acordo com a Tribuna do Norte, nas décadas de 1950 e 1960 Monsenhor Expedito incentivou a organização comunitária em sindicatos rurais, grupos de jovens e grupos estudantis, além de ter ligação com a Juventude Agrária Católica e com orientações pastorais associadas ao Concílio Vaticano II.
Monsenhor Expedito ficou conhecido como “Profeta das Águas” em razão de sua defesa de soluções estruturais para o abastecimento hídrico no semiárido potiguar. A alcunha se consolidou especialmente nos anos 1990, período em que sua atuação passou a ser associada ao programa de adutoras implantado no governo de Garibaldi Alves Filho.
Segundo registros divulgados pelo Comitê da Bacia Hidrográfica Piancó-Piranhas-Açu, a mobilização conhecida como “Água para Todos” teria começado em 1953, quando o sacerdote ouviu de um trabalhador rural o pedido “monsenhor, tira nós dessa escravidão”, durante visita a uma comunidade rural. A partir desse episódio, passou a defender projetos permanentes para enfrentar a escassez de água.
A política estadual de recursos hídricos do Rio Grande do Norte foi instituída pela Lei nº 6.908, de 1º de julho de 1996, que criou o Sistema Integrado de Gestão de Recursos Hídricos do estado. Nesse contexto, a Adutora Monsenhor Expedito foi inaugurada em 14 de maio de 1999, no governo Garibaldi Alves Filho, captando água da Lagoa do Bonfim e de poços próximos.
A adutora tornou-se um dos principais sistemas de abastecimento do estado. Segundo a CAERN, o sistema possui mais de 300 quilômetros de tubulação e atende 30 municípios, entre eles São Paulo do Potengi, Santa Cruz, Tangará, Bom Jesus, São Pedro, São Tomé, Serra Caiada e outros municípios das regiões Agreste, Trairi e Potengi.
Monsenhor Expedito morreu em Natal, em 16 de janeiro de 2000. Segundo a Tribuna do Norte, sua memória permaneceu associada tanto à ação pastoral em São Paulo do Potengi quanto à luta pela democratização do acesso à água no Rio Grande do Norte.
Em 2021, a Tribuna do Norte registrou o lançamento do livro de Dom Jaime Vieira Rocha sobre o sacerdote, destacando que Monsenhor Expedito foi pároco da Paróquia de São Paulo Apóstolo por 56 anos e ficou conhecido por sua atuação em causas sociais, especialmente pelo acesso à água.
Além da Adutora Monsenhor Expedito, seu nome foi atribuído a espaços e instituições em São Paulo do Potengi e em outros municípios do Rio Grande do Norte. Em São Paulo do Potengi, a antiga Praça da Matriz passou a ser conhecida como Praça Monsenhor Expedito, onde também foi instalada uma estátua em sua homenagem.
A preservação de sua memória também se manifesta por meio de publicações acadêmicas, obras biográficas, eventos religiosos e homenagens públicas realizadas pela Arquidiocese de Natal, pela comunidade potengiense e por autoridades do Rio Grande do Norte.

