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Galileu Galilei

Polímata florentino (1564–1642)

7 min de leitura01/01/2024
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Galileo di Vincenzo Bonaulti de Galilei (Pisa, 15 de fevereiro de 1564 – Arcetri, 8 de janeiro de 1642), mais conhecido como Galileu Galilei, foi um astrônomo, físico e engenheiro florentino, às vezes descrito como polímata. Frequentemente é referenciado como "pai da astronomia observacional", "pai da física moderna", "pai do método científico" e "pai da ciência moderna".

Galileu estudou o princípio da relatividade e fenômenos como a rapidez e a velocidade, a gravidade e a queda livre, a inércia e o movimento de projéteis, mas também trabalhou em ciência e tecnologia aplicadas. Nesse âmbito, ele descreveu as propriedades de pêndulos e "balanços hidrostáticos", inventou o termoscópio e várias bússolas militares, e usou o telescópio para observações científicas de objetos celestes. Suas contribuições à astronomia observacional incluem a confirmação visual das fases de Vênus, a observação dos quatro maiores satélites de Júpiter, a observação dos anéis de Saturno e a análise das manchas solares.

Galileu defendeu os controversos heliocentrismo e copernicanismo, quando a maioria adotava modelos geocêntricos, como o sistema ticônico (combinação dos sistemas Copernicano e Ptolemaico). Ele teve a oposição de astrônomos, que duvidavam do heliocentrismo por conta da ausência da observação de uma paralaxe estelar. O assunto foi então investigado em 1615 pela igreja através da Inquisição Romana, que concluiu que o tema era "tolo e absurdo em filosofia e formalmente herético, pois contradiz explicitamente em muitos lugares o sentido da Sagrada Escritura".

Mais tarde, Galileu defendeu suas opiniões no Diálogo sobre os Dois Principais Sistemas Mundiais (1632), que parecia atacar o papa Urbano VIII e, assim, alienou-o dos jesuítas, que até então o haviam apoiado. Foi julgado pela Inquisição, considerado "veementemente suspeito de heresia" e forçado a se retratar, e passou o resto de sua vida em prisão domiciliar. Enquanto estava preso, escreveu a obra Duas Novas Ciências, na qual resumiu o trabalho feito, cerca de quarenta anos antes, nas duas ciências atualmente designadas cinemática e força dos materiais.

Galileu nasceu em Pisa, então parte do Ducado de Florença, na Península Itálica, em 15 de fevereiro de 1564, como o primeiro dos seis filhos de Vincenzo Galilei, um lutenista, compositor e teórico musical, e Giulia (née Ammannati), que se haviam casado em 1562. Galileu tornou-se um lutenista talentoso e, desde cedo, teria aprendido com o pai um ceticismo em relação às autoridades estabelecidas.

Quando Galileu Galilei tinha oito anos, sua família se mudou para Florença, mas ele ficou com um tutor, Jacopo Borghini, por dois anos. Ele foi educado de 1575 a 1578 na Abadia de Vallombrosa, a cerca de trinta quilômetros ao sudeste de Florença.

Galileu costumava referir-se a si mesmo apenas pelo seu primeiro nome. Na época, os sobrenomes eram opcionais na Itália, e seu nome próprio tinha a mesma origem que seu nome de família, Galilei. Esse seu sobrenome deriva, em última análise, de um ancestral, Galileo Bonaiuti, um importante médico, professor e político em Florença no século XV. Galileu Bonaiuti foi enterrado na Basílica de Santa Cruz, em Florença, a mesma igreja onde, cerca de duzentos anos mais tarde, seu descendente mais famoso, Galileu Galilei, também foi enterrado.

Quando referia-se a si mesmo com mais de um nome, por vezes o fazia com o nome "Galileo Galilei Linceo", uma referência à Academia de Lincei, uma organização pró-ciência de elite na Itália, da qual era membro. Era comum as famílias da Toscana de meados do século XVI nomearem o filho mais velho com o sobrenome dos pais. Portanto, Galileu Galilei não recebeu necessariamente o nome de seu ancestral Galileo Bonaiuti. O nome italiano masculino "Galileu" (daí o sobrenome "Galilei") deriva do latim "Galilæus", que significa "Galiléia", uma região biblicamente significativa no norte de Israel.

As raízes bíblicas do nome e sobrenome de Galileu se tornariam objeto de um famoso trocadilho. Em 1614, durante o caso Galileu, um dos oponentes de Galileu, o padre dominicano Tommaso Caccini, proferiu contra Galileu um sermão controverso e influente em que citou o versículo bíblico de Atos 1:11: "Vocês, homens da Galileia, por que estão olhando para o céu?".

Apesar de ter sido um devoto católico romano, Galileu foi pai de três filhos fora do casamento, com Marina Gamba. Eles tiveram duas filhas, Virginia (nascida em 1600) e Livia (nascida em 1601), e um filho, Vincenzo (nascido em 1606).

Por causa de seu nascimento ilegítimo, o pai considerou que as meninas jamais conseguiriam se casar, e que potencialmente elas seriam pivô de problemas – na forma da necessidade de apoio financeiro contínuo ou de dotes proibitivamente caros – semelhantemente aos extensos problemas financeiros que Galileu experimentou com duas de suas irmãs. Logo, sua única alternativa viável era a vida religiosa. As duas meninas foram aceitas pelo convento de San Matteo, em Arcetri, e permaneceram lá pelo resto de suas vidas.

Virginia recebeu o nome de Maria Celeste ao entrar no convento. Ela morreu em 2 de abril de 1634 e está enterrada com Galileu na Basílica de Santa Cruz. Lívia adotou o nome de Arcangela e viveu doente a maior parte de sua vida. Mais tarde, Vincenzo foi legitimado como herdeiro legal de Galileu e casou-se com Sestilia Bocchineri.

Embora Galileu tenha considerado seriamente o sacerdócio quando jovem, a pedido de seu pai ele se matriculou, em 1580, na Universidade de Pisa para obter um diploma de medicina. Em 1581, quando estava estudando medicina, ele notou um candelabro oscilante, que, empurrado por correntes de ar, balançava em arcos ora maiores, ora menores. Em comparação com o seu próprio batimento cardíaco, parecia a ele que o lustre levava a mesma quantidade de tempo para girar para frente e para trás, não importando o quão longe estivesse balançando. Quando voltou para casa, montou dois pêndulos de igual comprimento e balançou um com uma grande amplitude e o outro com um pequeno alcance e descobriu que eles oscilavam em sincronia. Não foi até o trabalho de Christiaan Huygens, quase cem anos depois, que a natureza tautocrônica de um pêndulo oscilante foi usada para criar um relógio preciso. Até esse ponto, Galileu havia sido deliberadamente mantido longe da matemática, pois um médico tinha uma renda mais alta que um matemático. No entanto, depois de assistir acidentalmente a uma palestra sobre geometria, ele convenceu seu relutante pai a deixá-lo estudar matemática e filosofia natural em vez de medicina. Ele criou um termoscópio, um precursor do termômetro, e, em 1586, publicou um pequeno livro sobre o projeto de uma balança hidrostática que ele havia inventado (o que o levou à atenção do mundo acadêmico). Galileu também estudou disegno, um termo que englobava belas artes e, em 1588, obteve o cargo de instrutor na Accademia delle Arti del Disegno, em Florença, ensinando perspectiva e chiaroscuro. Inspirado na tradição artística da cidade e nas obras dos artistas renascentistas, Galileu adquiriu uma mentalidade estética. Enquanto jovem professor na Accademia, iniciou uma amizade, que carregaria para o resto da vida, com o pintor florentino Cigoli, que incluiu as observações lunares de Galileu em uma de suas pinturas.

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