O Império Aquemênida (português brasileiro) ou Aqueménida (português europeu) (em persa antigo: Parsā; em persa: هخامنشیان; romaniz.: Hakhāmanishiya ou دودمان هخامنشي, Dudmān Hakhâmaneshi; c. 550–330 a.C.), por vezes referido como Primeiro Império Persa, foi um império iraniano situado no sudoeste da Ásia e Ásia Central, e fundado no século VI a.C. por Ciro, o Grande, que derrubou a Confederação Meda. Expandiu-se a ponto de chegar a dominar partes importantes do mundo antigo; por volta do ano 500 a.C. estendia-se do vale do Indo, no leste, à Trácia e Macedônia, na fronteira nordeste da Grécia — o que fazia dele o maior império a ter existido até então. O Império Aquemênida posteriormente também controlaria o Egito. Era governado através de uma série de monarcas, que unificaram suas diferentes tribos e nacionalidades construindo um complexo sistema de estradas. Denominando-se Parsa, do nome tribal ariano Parsua, os persas fixaram-se numa terra que também denominaram Parsua, que fazia fronteira a leste com o rio Tigre, e, ao sul, com o golfo Pérsico. Este tornou-se o centro nevrálgico do império durante toda a sua duração. Foi a partir desta região que Ciro, o Grande partiu para derrotar os impérios Medo, Lídio e Babilônico, abrindo o caminho para as conquistas posteriores do Egito e Ásia Menor.
No ápice de seu poder, após a conquista do Egito, o império abrangia aproximadamente oito milhões de quilômetros quadrados situados em três continentes: Ásia, África e Europa. Em sua maior extensão, fizeram parte do império os territórios atuais do Irã, Turquia, parte da Ásia Central, Paquistão, Trácia e Macedônia, boa parte dos territórios litorâneos do Mar Negro, Afeganistão, Iraque, o norte da Arábia Saudita, Jordânia, Israel, Líbano, Síria, bem como todos os centros populacionais importantes do Antigo Egito até às fronteiras da Líbia. É célebre na história ocidental como o tradicional inimigo das cidades-estado gregas durante as Guerras Greco-Persas, pela emancipação dos escravos, incluindo o povo judeu, de seu cativeiro na Babilônia, e pela instituição de infra-estruturas como um sistema postal, viário, e pela utilização de um idioma oficial por todos os seus territórios. O império tinha uma administração centralizada e burocrática, sob o comando de um imperador e um enorme número de soldados profissionais e funcionários públicos, o que inspirou desenvolvimentos semelhantes em impérios posteriores.
O ponto de vista tradicional é de que as vastas extensões e extraordinária diversidade etnocultural do Império Persa acabaria por provocar a sua derrocada, à medida que a delegação de poder aos governos locais acabaria por enfraquecer a autoridade central do rei, fazendo com que muita energia e recursos tivesse de ser gastas nas tentativas de subjugar rebeliões locais. Tal fato tem servido historicamente para explicar o porquê de Alexandre, o Grande (Alexandre III da Macedônia), ao invadir a Pérsia em 334 a.C., ter se deparado com um reino pouco unido, comandado por um monarca enfraquecido, facilmente destruído. Este ponto de vista, no entanto, vem sendo questionado por alguns estudiosos modernos, que argumentam que o Império Aquemênida não se encontrava em crise no período de Alexandre, e que apenas as disputas internas pela sucessão monárquica dentro da própria família aquemênida é que causavam algum enfraquecimento no império. Alexandre, grande admirador de Ciro, o Grande, acabaria por provocar o colapso do império e sua subsequente fragmentação, por volta de 330 a.C., gerando o Reino Ptolemaico, o Império Selêucida e diversos outros territórios de menor extensão, que à época também conquistaram sua independência. A cultura iraniana do planalto central, no entanto, continuou a florescer e voltou a conquistar o poder na região no século II a.C.
O legado histórico do Império Aquemênida, no entanto, foi muito além de suas influências territoriais e militares, e deixou marcas importantes no cenário cultural, social, tecnológico e religioso da época. Diversos atenienses adotaram costumes aquemênidas em suas vidas diárias, numa troca cultural recíproca, e muitos foram empregados ou aliados dos reis persas. O impacto do chamado Édito de Ciro, o Grande, foi mencionado nos textos judaico-cristãos, e o império foi fundamental na difusão do zoroastrianismo por grande parte da Ásia, até à China. Mesmo Alexandre, o Grande, o homem que acabaria por conquistar este vasto império, respeitou seus costumes e impôs o respeito aos reis persas (incluindo Ciro), e até mesmo adotou o costume real persa da prosquínese, apesar da forte desaprovação de seus compatriotas macedônios. O Império Persa também daria a tônica da política, herança e história da Pérsia moderna (atual Irã). A influência também se estendeu sobre antigos territórios da Pérsia que se tornaram conhecidos posteriormente como Grande Pérsia. Um dos feitos notáveis de engenharia do império é o sistema de gestão de água conhecido como Qanat, cuja seção mais antiga tem mais de 3 000 anos e 71 quilômetros. Estima-se que em 480 a.C. vivessem 50 milhões de pessoas no Império Aquemênida, cerca de 44% da população mundial da época, fazendo dele o maior império de todos os tempos em termos de porcentagem populacional.
O Império Persa recebeu seu nome da tribo indo-europeia chamada Parsua. O nome 'Pérsia' é uma latinização do nome deste povo, que dava o nome de Pérsis à região encerrada em suas fronteiras territoriais, uma área localizada a norte do Golfo Pérsico e a leste do rio Tigre, conhecida atualmente como a província iraniana de Fars.
Apesar de seu rápido sucesso e expansão, o Império Aquemênida não foi o primeiro império iraniano, já que no século VI a.C. outro grupo de povos iranianos antigos já haviam fundado o Império Medo. Os medos haviam sido originalmente o grupo iraniano dominante na região, conquistando o poder no início do século VII a.C. e incorporando os persas em seu império. Os povos iranianos chegaram na região por volta do ano 1 000 a.C., e haviam sido dominados inicialmente pelo Império Assírio (911-609 a.C.). Os medos e os persas, no entanto, juntamente com os citas e babilônios, tiveram um papel crucial na destruição da Assíria depois de uma sucessão de revoltas internas.
O termo aquemênida é na realidade uma versão latinizada do antigo nome persa Haxāmaniš (um composto bahuvrihi que pode ser traduzido como "que tem uma mente de amigo" ou "caracterizado pelo espírito de seguidor"), por intermédio do grego Ἀχαιμενίδαι, Akhaimenídai, "da família de Aquêmenes". Apesar da derivação do nome no grego, Aquêmenes em si foi um monarca menor do século VII, governante de Ansã, no sudoeste do atual Irã. Apenas na época de Ciro, o Grande, um descendente de Aquêmenes, é que o Império Aquemênida desenvolveu seu prestígio imperial, e passou a incorporar os impérios já existentes no Oriente Médio, tornando-se a potência mencionada pelos textos antigos.
Em algum ponto em 550 a.C., Ciro, o Grande liderou uma rebelião contra o Império Medo, provavelmente devido à má administração feita pelos medos na Persis, derrotando-os e conquistando-os na sequência e criando o primeiro império persa. Ciro utilizou sua engenhosidade tática, bem como sua compreensão das equações sociopolíticas que governavam seus territórios, para incorporar ao seu império os territórios vizinhos dos impérios lídio e neobabilônio, abrindo caminho para que seu sucessor, Cambises II, se aventurasse no Egito e derrotasse o Reino do Egito.
