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Guerra de Inverno

Conflito armado entre o Exército Vermelho e as Forças Armadas da Finlândia que durou de 1939 à 1940

7 min de leitura01/01/2024
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A Guerra de Inverno, também conhecida como a Guerra Soviético-Finlandesa ou Guerra Russo-Finlandesa (em finlandês: talvisota, em sueco: vinterkriget, em russo: Зимняя война) foi um conflito entre a União Soviética e a Finlândia. Iniciou-se com a invasão soviética em 30 de novembro de 1939, três meses após o início da Segunda Guerra Mundial, e terminou três meses e meio depois, com o Tratado de Paz de Moscou, em 13 de março de 1940. Apesar de sua força militar superior, especialmente em tanques e aeronaves, a União Soviética sofreu perdas severas e encontrou dificuldade em avançar inicialmente. A Liga das Nações considerou o ataque ilegal e expulsou a União Soviética de sua organização.

Os soviéticos fizeram diversas exigências, incluindo que a Finlândia cedesse territórios fronteiriços em troca de terras em outras áreas, alegando razões de segurança, principalmente para proteger Leningrado, a 32 km da fronteira finlandesa. Quando a Finlândia recusou, os soviéticos invadiram. A maioria das fontes conclui que a União Soviética pretendia conquistar toda a Finlândia, apontando como evidência a criação de um governo comunista finlandês fantoche e os protocolos secretos do Pacto Molotov-Ribbentrop. Outros, no entanto, contestam essa visão. A Finlândia resistiu aos ataques soviéticos por mais de dois meses, infligindo perdas significativas em temperaturas que chegaram a −43 °C. As batalhas concentraram-se principalmente em Taipale, na Istmo da Carélia; em Kollaa, na Carélia Ladoga; e na Estrada Raate, em Kainuu, com combates adicionais em Salla e Pechenga, na Lapônia.

Após os reveses iniciais, os soviéticos reduziram seus objetivos estratégicos e encerraram o governo comunista finlandês fantoche no final de janeiro de 1940, informando ao governo finlandês que estavam dispostos a negociar a paz. Depois de reorganizar suas forças militares e adotar táticas diferentes, os soviéticos renovaram sua ofensiva em fevereiro de 1940 e superaram as defesas finlandesas no Istmo da Carélia. Isso deixou o exército finlandês, no principal teatro de guerra, próximo ao ponto de ruptura, tornando a retirada praticamente inevitável. Consequentemente, o comandante-em-chefe finlandês Carl Gustaf Emil Mannerheim defendeu um acordo de paz com os soviéticos enquanto os finlandeses ainda tinham algum poder de negociação.

As hostilidades cessaram em março de 1940 com a assinatura do Tratado de Paz de Moscou, no qual a Finlândia cedeu 9% de seu território à União Soviética. As perdas soviéticas foram pesadas, e sua reputação internacional foi prejudicada. No entanto, seus ganhos territoriais superaram as exigências pré-guerra, com a anexação de territórios substanciais ao longo do Lago Ladoga e ao norte. A Finlândia manteve sua soberania e fortaleceu sua reputação internacional. O desempenho ruim do Exército Vermelho encorajou o chanceler alemão Adolf Hitler a acreditar que um ataque à União Soviética seria bem-sucedido, reforçando opiniões negativas ocidentais sobre os militares soviéticos. Após 15 meses de Paz Interina, em junho de 1941, a Alemanha iniciou a Operação Barbarossa, marcando o início da Guerra de Continuação entre Finlândia e soviéticos.

A Finlândia tinha uma longa história de ser parte do reino sueco quando fora conquistada em 1808, tornando-se num estado estabilizante para proteger a então capital russa São Petersburgo. Após a Revolução de Outubro que trouxe um governo soviético ao poder na Rússia, a Finlândia se auto-declarou independente a 6 de dezembro de 1917.

Fortes relações entre a Finlândia e a Alemanha foram fundadas quando o movimento de independência da Finlândia era apoiado pelo Império Alemão durante a Primeira Guerra Mundial. Na subsequente Guerra Civil Finlandesa tropas Jäger finlandesas treinadas pelos alemães e tropas regulares alemãs tiveram um papel crucial. Apenas a derrota da Alemanha na Primeira Guerra Mundial dificultou o estabelecimento de uma monarquia dependente da Alemanha, sob o poder de Frederico Carlos de Hesse como Rei da Finlândia. Após a guerra, as relações entre a Alemanha e a Finlândia foram mantidas, embora a simpatia finlandesa com os Nacionais Socialistas não fosse a melhor.

Com as relações entre a União Soviética e a Finlândia tensas e congeladas - tanto os dois períodos de russificação forçada no virar do século, como o legado da rebelião socialista na Finlândia, contribuíram para uma forte desconfiança mútua. Josef Stalin temia que a Alemanha Nazi atacasse mais cedo ou mais tarde, e, que com a fronteira Soviético-Finlandesa apenas a 32 quilómetros de distância de São Petersburgo (na ocasião renomeada pelo governo comunista como Leninegrado, ou Leningrado), o território finlandês providenciaria uma excelente base para o ataque alemão - algo que Stalin tentava evitar. Em 1932, a União Soviética assinou um pacto de não agressão com a Finlândia. O acordo foi renovado em 1934 para os 10 anos seguintes.

Em abril de 1938 ou possivelmente mais cedo, a União Soviética encetou negociações diplomáticas com a Finlândia, tentando melhorar as defesas mútuas contra a Alemanha. A principal preocupação da União Soviética era que a Alemanha utilizaria a Finlândia como uma ponte para o ataque a Leninegrado, e começou a fazer exigências ao governo finlandês de grandes áreas. Mais de um ano passou sem progresso significante e a situação política na Europa piorou.

A Alemanha Nazi e a União Soviética assinaram um pacto mútuo de não agressão, o pacto Molotov-Ribbentrop, a 23 de agosto de 1939. O pacto também incluía uma cláusula secreta incluindo a divisão dos países da Europa de Leste e bálticos entre os dois países. Foi concordado que a Finlândia estaria na "esfera de influência" soviética. O ataque alemão à Polónia a 1 de setembro foi seguido 16 dias depois pela Invasão Soviética da Polónia no leste. Em apenas algumas semanas tinham dividido o país entre si.

No outono de 1939, após o ataque alemão na Polónia, a União Soviética finalmente exigiu que a Finlândia concordasse em mover a fronteira mais 25 km para além de Leninegrado, que nesta altura estava apenas a 32 quilómetros da fronteira. E também exigiu que a Finlândia emprestasse a península de Hanko à União Soviética por 30 anos para a criação de uma base naval lá. Em troca, a União Soviética oferecia uma grande parte da Carélia (com o dobro da área, mas menos desenvolvida).

Mas o governo finlandês recusou-se a seguir as exigências soviéticas. A 26 de novembro, os soviéticos simularam um bombardeamento finlandês contra Mainila, um incidente no qual a artilharia soviética bombardeou áreas perto da vila russa de Mainila, procedendo ao anúncio que um ataque de artilharia finlandesa tinha matado tropas soviéticas. A União Soviética exigiu que os finlandeses pedissem desculpas pelo incidente e movessem as suas forças 20 a 25 quilómetros da fronteira. Os finlandeses negaram qualquer responsabilidade pelo ataque e recusaram-se a seguir as indicações soviéticas. A União Soviética utilizou isto como uma desculpa para quebrar o pacto de não agressão. A 30 de novembro, as forças soviéticas atacaram com 23 divisões, totalizando 450 000 homens, que rapidamente alcançaram a Linha Mannerheim.

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